sábado, 25 de fevereiro de 2012

Instigação.


INSTIGAÇÃO
é a palavra
que me rompe o preconceito.
É a palavra que me ocorre
para me definir
enquanto vejo que na minha pele
existe o plano da consumação.
Malignamente infecciosa
instigarei em ti o desejo do fogo
sobre o Ar.
A ambição de reclamares algo Teu!
Consegues lidar com tamanha intensidade sem morreres!?
E se morreres
consegues ressuscitar sob a minha pena?
(esta que uso sempre que te escrevo).

Sentada numa cadeira de veludo
roxa
eu permaneço.
E algures na minha pele
está escrito um carácter.

É...
INSTIGAÇÃO
é
a
palavra!


Pearl




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Precedente.



O Precedente  abriu-se...
É apenas uma porta podre encostada
à espera da mais leve brisa.
É apenas um milésimo de momento
numa fracção de segundo.
Eu permaneço de pé.
É assim que sou.
De pé de pernas tremulas
mas quentes.
Segura e cheia de Poder.
É... o Precedente
abriu-se
(...)



Pearl

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Transparência (des)velada



Transparente é a água com que me banhas o corpo,
quente, como gosto, a deixar rubor na minha alma.
Não preciso de ver, quando o que se apresenta é tão óbvio.
Não preciso duma imagem
quando já sei em que linhas me prendo.
Transparente como o meu olhar
cheio de códigos decifrados por ti.
Sim... a melancolia que ouves é minha.
A dor que advinhas é sentida também por mim.
Sou isso tudo e muito mais.
Nessa nudez conseguida através das mãos que se dão
e espíritos que já se conhecem,
 eu caminho de costas erguidas.
Deixo ao critério da tua maneira de ser
o caminho de volta a mim...
Eu estou etérea, desprovida de racionalidades impostas.
À beira do meu abismo,
e tu tens o conhecimento que é assim que eu preciso de mim.
Consegues ver-me através dos tempos
 o que fui, sou e serei.
Esse é o teu plano: a minha transparência no desenho do teu lápis.
Desenha-me, reinventa-me à luz dos nossos corpos,
não hesites nem te detenhas.
Porque tu já sabes:
Í'll follow you.
Translúcidamente eu te recebo nos meandros
dos meus sonhos e realidades.
Quando "apenas" tenho na minha intenção
a ambição de te envenenar
 esta e outras vidas.
O punhal que pretendo cravar-te no peito
é merecidamente teu.
Usa-O.


Pearl

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Rua



Eu não temo o desconhecido
quando se apresenta em tons
de arco-íris.
Tu podes desvelar-me
em rasgos de luz!
Abrir-me o peito ébrio de ti,
e saciares a sede que te causo.
(e) Honestamente:

I do not fear you.


O aroma que exala na tua rua
causa-me mortes sem refreio.
Eu caminho calma no  fervor da humidade nocturna,
 na  veia que te comprime o pensamento.
(e) Assumidamente:

You know who I am.

Tu ouves os meus passos,
o som do ar cortante da minha pele no chão molhado.
Será que não me temes mesmo!?
Será que no rasgo dos véus a morte seja terminal?!
(e) Absolutamente:

I do not fuckin care.
I keep walking towards you.

Deixa-me exorcizar-te o espírito
deixa-me dançar profanamente no teu altar.
O fogo que te consome será branco  no final.

I promise!

A dor essa temos como certa,
mas na sua rua
seremos Anjos num Inferno à nossa medida.
Nunca te caia em esquecimento
(que) Verdadeiramente:


 por mil silêncios que me dês
eu ouvirei sempre o teu grito.
Só eu te oiço,
só eu te sei,
só eu te Sou.


Pearl

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pássaro Cansado.



Os seus olhos não sucumbem ao sono dos justos,
não se fecham porque a mente é imparável
nos mundos que (des)constrói.
O corpo que deseja o descanso mais que merecido,
não se desfaz nos lençóis da ansiedade,
e a escuridão não te ajuda
porque os fantasmas estão na nossa companhia.
"Dorme" digo-te eu,
"cala-te" um minuto e deixa-me a mim dormir.
Fazes de mim um pássaro cansado que em vez de voar,
plana!
Silencia o teu calvário
porque eu preciso da dádiva do novo dia.
A noite é longa eu sei
e tu tens sede
mas eu tenho sono.
O sono dos que devem dormir
mas o ruído é imenso num quarto tão pequeno em ti.
Ouve a noite,
ela não te chama nem uma vez,
ela quer que durmas de novo
que sejas Deusa num paraíso qualquer.
Que sejas de novo pele sem linhas
olhos sem veias encharcadas em insónias sem tempo certo.
Pássaro que voa contra o vento,
lágrimas que te fogem do rosto ruborizado
na velocidade constante do teu bater de coração.
Mas dorme de novo,
porque eu estou aqui contigo.
Na tua voz, na tua pele e na tua mente!
Dorme porque precisamos do teu voo
para chegarmos onde anseias.
Porque sempre que chegamos
tu desejas partir.
Sempre que estamos
tu recomeças a voar
em busca de dias longos.
A energia que te dou
é tua por dever.
Mas o sono que me tiras
é meu por merecer.





Pearl

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Surrender



Naquela luz quebrada
o jogo joga-se uma ultima vez.
Eu já te venci tantas vezes
e mesmo assim tu ostentas a minha medalha
 no teu  sorriso carregado de ironia.
Fica a jura que no jogo seguinte
o perdedor leva a noite no peito
e
o vencedor leva-me a mim na pele.
(E tu negas-me a vitória).
É aqui nesta partida que quero que te fiques.
É aqui que quero dar-te o cheque-mate.
Fecho o caminho ao teu retorno
sem chegada marcada.
Abro o véu em que me dou em cada jogada!
Meu caro jogador
eu já jogo o teu jogo há vidas sem principio,
há histórias sem fim!
E...considero-me um Ás em qualquer partida
que me proponhas.
Arma-te até ao dentes
que eu já possuo as armas que me dás quando te tenho.
Arma-te de sonhos e palavras sussurradas
que eu deixo que me invadas até a alma
se fores um guerreiro cheio de luz nos olhos,
 e sombras na mente.
Não temo nenhuma das tuas sombras
mas jamais serei uma delas.
E sou a jogadora
que te vence em velocidade.
E tu o jogador que me vence em palavras
carregadas de símbolos e desalinhos velados.
Meu doce guerreiro:

adoro quando te debates
mas amo quando te rendes...


Pearl