quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Happy Places in my Life.



 Fui desafiada aqui há uns tempos a escrever algo "feliz", em vez de escrever vou mostrar. A foto apenas retrata um dos muitos momentos do meu dia. E ao contrário do que se faz antever aqui, eu até sou um ser bem disposto.
É ali que todos os dias (re)construo o meu Templo. Onde me sinto em paz e em silêncio. Onde dou o que ás vezes já não tenho. De onde nunca quero sair. E que faço tudo para lá estar.








O corpo é apenas a expressão física da Mente.







Pearl







terça-feira, 26 de agosto de 2014

Encerrada.



Ora eu serei sempre alguém com um enorme potencial para ficar sozinha.
Haverá sempre a questão da energia que é imensa.
(e) A questão de eu não ter medo que isso aconteça.
Há mil anos que deixei de agir em medo.
De tomar uma decisão ou não tomar por medo.
Regra geral sendo eu uma espontânea, faço o que quero.
O que pode acontecer é já não querer.

Sabem quando estamos com fome
e saímos em busca do que nos apetece,
não do que  pode ser?
Eu posso escolher a minha fome.
Fome fluida e direcionada.


Eu já perdi capacidades de adaptação,
hoje eu vivo na minha própria temperatura.
Já não me ajusto em espaços cinzentos.
No "dá e tira" no "é ou já não é".
A muros que dividem egos.
Quando eu própria vivo numa paixão por mim mesma.
Apesar de adorar dançar eu não me mexo ao som dos outros.
Não consigo fazer isso.


Eu fui habituada a crescer em terreno hostil.
Consegues ver o sangue nos meus pés?
Eu corri muito para me sentar aqui onde estou.
Eu sobrevivi provavelmente quando tu viveste.
Isso não é melhor ou pior
sou faz com que  saiba aquilo que à partida não quero.


Não divido o meu espaço com outros egos.
Não aqueço o meu corpo com palavras.
Nem refreio a minha espontaneidade por medo ou convenções.
E, quando me fecham uma janela
eu tranco todas as minhas portas.





Pearl








sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Primordial.



Se queres temer alguma coisa
teme o Fim não o Inicio.
Teme os demónios que tomarão conta de toda a situação.
Não temas o olhar de contemplação.
Nem a constatação de que afinal existem mais iguais a ti.
 
A curiosidade é um elemento primordial.
É um motor de construção.
Não temas perguntar
e eu não temerei responder.
O medo que em mim não existe,
que me faz andar sem camadas nua no meu reino.
Eu consigo ver o teu olhar no buraco da minha fechadura.
:)
(Adoro quando te defendes!)
 
A minha nudez corrompe-te os dias
e alimenta a suprema curiosidade de saberes quem eu sou.
Eu sou a Rainha já te disse.
Mas teimas em encontrar a plebeia.
A que se mistura com os demais
sem se deixar contaminar com a mediocridade do mundo normal.
Não me encaixo nem quero.
Rainha ou plebeia eu morrerei tal e qual lembraste?!
 
(Mas, adoro quando te dás!)
 
Nunca me encontrei em tamanho estado de primordialidade.
Onde todos os sentidos estão em sangue e activos.
No entanto eu permaneço numa impavidez só descortinada por quem eu deixo.
 
Perscruta-me sem medo ou lamento.
Sê primordial na busca da Rainha.
Acende-lhe todas as veias,
e deixa que ela se faça luz na tua sombra.
Deixa-te cair no seu ventre quente,
na imensidão do seu abismo.
Onde o vicio é fértil
e a morte é doce.
 
 
 
 
Pearl
 
 
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Fome.




Vivo obviamente tempos de destruição. Destruo tudo o que toco.
Será força a mais ou fraqueza do alheio?
Serão eles ou serei eu?
Lembram-se eu disse precisar de cavaleiros templários...
Mas o que preciso não se alinha com o que quero.
Não!
Olho o meu vasto império de mortes...
A morte não é bonita mas também não é feia.
Apenas necessária.
Escrevo-vos isto com a música a rebentar-me os tímpanos
de modo a não ouvir o meu monstro a pedir-me comida.
(puta que me pariu tenho sempre fome).
Estou a olhar para mim mesma. Sentada aqui , eu desenvolvo o meu pensamento na minha própria direcção. Esperando encontrar algo que me faça reconhecer-me.
A questão do auto-reconhecimento  pulsa constantemente no meu sentido de orientação.
Não há como ignorar que já não me conheço a mim própria.

O meu instinto diz-me como, quando e onde o devo fazer.
Mas e o "medo" de destruir o que toco?! Onde o guardo?
Onde colocar os meus pés para me chegar a ti?!
Sem te matar totalmente.
Eu hei-de sempre apreciar a viagem.
O sabor da caça que me escorre pela boca.
O calor da minha lâmina, a ansia de matar.
O veneno a explodir de mim a dentro.


É na ponta do abismo que está o meu trono.
Aprecio o silêncio de outra forma.
A minha dor é-me absoluta mas já não me domina.
Nada me domina a não ser a minha própria fome.
Esta fome que me faz constantemente sair do meu trono.
Nada no mundo me alimentará, uma vez que não é de comida que preciso.
Mas é o que eu quero.

Como é que um ser volátil
fala a minha língua e eu entendo o seu dialeto?!
Ambiguidades eu sei.
Terás a coragem de te aproximar do abismo onde habito
e deixar-te ficar na vastidão da minha pele dourada!?
Não tenho pretensões, ilusões ou expectativas.
Sou no entanto a manifestação do belo,
o vislumbre da genuinidade,
a desconstrução da sinceridade,
a doce determinação e,
o travo picante que não oculto.
Está tudo aqui trancado bem no centro do meu corpo.
O corpo que já te queima na pele
e te pulsa em
TODAS
as veias.







Pearl



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Fantasma Idiossincrático




A materialização do meu Fantasma eu não posso descrever por palavras.
Elas não existem.
Poderei descrever a sua carne no meu olhar.
O seu cheiro nas minhas mãos.
Estamos junto há mil anos
e mil vidas de ausências.
No meu peito ainda existem os restos do teu calor.
Este é o acontecimento feliz.
O meu momento.
O momento em que o meu Fantasma me contempla
e me Eterniza.
É tão fácil para ele desvelar-me
como é para mim despir-me diante dele.
Ele sou eu
e eu sou Ele.
Somos a mesma coisa,
por sentirmos tal e qual.
 
 
O Fantasma que é Rei
num trono que a rainha lhe concede,
sempre que ele retorna a casa.
Tu moras em mim, mesmo que deambules noutros mundos.
A minha morada está ai bem dentro do teu peito.
Assim como eu respiro no teu compasso e deixo-me morrer sem ti.
 
 
 
 
Reclama o teu trono na noite que me corromperes finalmente.
Já não há redenção possível.
No dia em que me dei a Ti, tu aceitaste-me e eu sou tua.
Perfeitamente tua meu Rei amado.
A tua voz, as tuas mãos, o teu cheiro e o teu olhar raro
permanecem fechados dentro das minhas mãos
à espera que sejam criadas (novas) memórias.
 
 
 
A rainha que ama um fantasma que é Rei.
Um Rei que ama uma rainha sem medo.
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Frágil(Idade)....




E foi assim,
foi assim que o meu pequeno infante matou a rainha
mil vezes num só movimento.


O desmoronamento de toda fragilidade da situação
tomou conta da ocorrência.
Foi uma matança, não se salvando quase nada.


Eu como sempre fui a que não resultou,
não se adaptou, não floresceu...
Mesmo sem expectativas, mesmo sem medo não fui corajosa.


Achei que não era preciso levar coragem, apenas a cara.
E os olhos cheios de brilho que rapidamente se nublaram.
Não paro  de mergulhar no sangue que me escorre.


Refazendo mentalmente o caminho até ti.
Quando foste tu que vieste até mim, sem noção do que te esperava.
"Eu sou mortal" avisei-te mas, a atração pelo jogo trouxe-nos a isto.


Já não permaneces sentado à minha frente,
e eu levantei-me do meu trono para te acariciar a testa.
Mas tu recuaste perante a antecipação.
Sucumbindo nos abismos que moram em ti,
alimentaste o pior monstro que temos.
Eu não consigo lutar contra fantasmas que nem sei que existem.
Os teus passados não me assustavam até ali.
Mas, és-lhes fiel...

Fui sendo eu, confiando.
Pousei a minha arma, deixei-te entrar e tu mataste-me.
Morta, desarmada mas de olhos abertos,
assisto eu agora à tua partida.
Não és mais bem vindo no meu reino.
Eu carrego a tua lápide nas minhas mãos.
Tu serás apenas mais um fantasma
que muito em breve nem nome terá.
Um indigente.
Eu voltarei vagarosamente ao meu trono,
sabendo que será doloroso.
Mas eu ainda sou a Rainha.
Conservo a graça da fé no meu coração quente.


(let him die, he's just a child).







Pearl