sexta-feira, 30 de maio de 2014

Facturação.





Que raio se passará na cabeça das pessoas para acharem que nos podem usar sem pagar a factura?!
A factura mais cedo ou mais tarde vem e certamente inflacionada por todo o ressentimento do tempo de uso.
Voltamos ao mesmo, eu volto sempre ao mesmo. É como se andasse sem parar e viesse sempre encontrar-me na mesma rua... Por sinal um beco bem pestilento.
A velha questão do somos tudo mas não somos nada, a velha questão de que eu tenho que estar todas as horas da minha vida a fazer-me valer perante fantasmas que nem conheço mas, ouvi falar. Esta e a outra, todas melhores do que eu. Tal não foi (é) o nível que me meti. Eu gostaria de continuar a ser  apreciada mesmo quando cobro as minhas facturas, gostaria que percebessem que eu sou uma humana, não uma mera humana mas que vivo dentro dos domínios da humanidade portanto também erro. Esta falsa ideia que sou uma super humana e que com a minha reformada capa de heroína chego a todas as virtudes que um ser humano deve ter não poderia ser mais irritante. Não, eu sou humana e ainda por cima sou uma Mulher. Ora bem, voltando à minha gaveta de facturas por cobrar, aquela que só se abre quando sou relegada, que está cheia de papeis que o mais certo será prescreverem, no entanto eu perdi a chave dessa gaveta e ela permanece aberta.
Tudo na vida são contrapartidas umas mais veladas que outras  mas contrapartidas, hipotéticas doações. Só damos o que temos e só aceitamos o que precisamos. O que fode tudo nesta equação tão simples são os egos e as aparências, ai tudo perde o devido valor e, o que é deixa de ser porque no fundo o que conta é um ego cheio mesmo que a alma seja vazia.
A fragilidade dos princípios humanos, tão publicitadamente baseados na generosidade nada valem quando alguém oferece mais.  E o que é oferecido pouco importa porque a ténue visão dessa possibilidade já vale o risco duma morte solitária.








Pearl

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Unloved






Afirmarmos que não precisamos disto e daquilo, de tudo e nada para sermos felizes é tão vazio como falso. A minha única inveja será o facto de não ser superiormente amada. Esse... o Amor que serve de nota para tantas músicas, que enche páginas e páginas, e que serve de desculpa para fodermos até matarmos a nossa imortalidade. Haverá quem nem o pronuncie quanto mais o sinta, eu pronuncio como se o chamasse. Eu permito-me a ele como se duma onda se tratasse e eu fosse a rocha (eu sou a rocha). Quantas palavras encharcadas em Amor eu já ouvi? Quantas folhas já deixei voar nos meus longos Invernos isentos de presenças. A questão é que eu já não acredito e não gosto que me digam que devo acreditar. Porque isto não se trata de ser crente mas de amar.
Algo que não se procura nem encontra, ele nasce se for semeado. Precisaremos portanto dessas sementes tão raras.
Amor daquele que nos prende pelos pulsos, que nos mata num olhar e nos queima no veneno dum beijo...
A minha exigência é tão longa quanto a minha espera e de facto eu prefiro viver isolada no meu modo de existir do que iludida numa versão mais branda. Palavras são meramente palavras se não forem validadas por paredes frias e camas quentes. Nada suplanta o cheiro dum Amor consumado ou a dor da tenebrosa despedida.
De facto os amantes são felizes mesmo que vivam enredados no labirinto dum Amor. É assim que vale a pena, amar de forma crua e directa onde nunca se sabe o seu inicio ou o seu término.


Eu sou assim, acho que preciso de muito, de tudo e de forma constante. (e) No Amor não seria diferente, pena é que intensidade semelhante à minha eu não tenha ainda conhecido...
E que na palma da minha mão eu tenha apenas sementes de amor condenado.














Pearl