A Atracção pelo desconhecido não será um dos actos mais masoquistas a que nos propomos?!
Porque é que nos debruçamos sobre o murete dum poço quando sabemos que o mais certo é cairmos por ele abaixo?!
Porque é que teimamos em achar que controlamos a situação quando o controle não sai das nossas mãos?
Conseguimos fixar o olhar no "vazio" do escuro mas não conseguimos ver que o fim se aproxima à medida que observamos mais profundamente.
Eu não espero que me entendam, basta que Eu me entenda.
Eu, estou mais uma vez sentada num ponto alto e panorâmico Onde eu gosto de estar. Onde eu posso observar Tudo o que me interessa Pensar. Bem verdade que metade do que eu vejo eu preferiria não ver. Mas eu sempre preferi uma verdade assassina que uma treta com pouco prazo de validade.
Eu mesma já espreitei alguns poços mas só cai num. Acreditem quando digo que ainda não sai de lá.
No fundo só nos queremos escravizar uns aos outros. Arrancarmos o que de melhor somos, usar até acabar e reciclar por algo melhor."Melhor"??? :)
Aí que é eu te fodo: Não existe melhor que Eu.
Voltando ao meu raciocínio inicial, o ar do meu Castelo muda mais uma vez.
Eu teimosamente permaneço com a minha mão agarrada à tua mão tão escorregadia.
Estás a tentar reciclar-me mas é impossível reciclar "Algo" como eu. Deixa-me portanto apodrecer à mingua que me impões.
A Borboleta que emerge Poço acima acode-me neste acto pútrido que é o Renascimento.
Uma Única Borboleta que não para de parir outras borboletas que me infestam o deserto estéril.
Que me obriga a abrir os meus olhos e me faz diminuir o murete do Poço.
A queda apresenta-se inevitável. Quero tanto que caias e te afogues como quero que me puxes poço acima. Já viste este Mundo e a sua beleza?! Eu não pertenço a ele.
Saberás tu que o Poço é toxico e nunca ninguém saiu dele Igual. Pretendo condenar-te à morte mal caias, pretendo esventrar-te todas as demagogias que intentes usar.
Encontras-te num acto absolutamente masoquista. Eu apenas observo tua masturbação Mental na perplexidade da minha existência.
Inexplicavelmente eu Existo
(e Agora para ti também!)
Pearl





