sexta-feira, 23 de julho de 2010

Farol

Comiseração é o motor da minha ausência
é o sentimento que me faz navegar para longe
uma distancia que eu não escolhi
mas previ.
Sou do sul, jamais do norte,
e por muito que seja fustigada
será sempre a sul que navego.
O frio que quase me gelou
ficou para trás,
o farol que me alumiou ainda brilha
mas eu já não vejo.
Não que os meus olhos se tenham fechado
não, que não queira ver,
talvez porque me ceguei numa onda mais forte.
Porque me naufraguei na crença que seria salva.
Mas não, a luz já lá não estava
e eu já não existia.
Extinguiste-me como espuma duma onda
como o som da gaivota.
E de todos os lugares que estive
foi em ti que me perdi
e ainda não me encontrei.
De todos os mares que naveguei
foi no teu que desaprendi a não ser eu.
Hoje eu sou navio
sem porto, nem lugar nem hora.

Do Farol eu já não sei.
E de mim vou à procura.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

exorcismo


Há medida que as notas do piano se elevam e os violinos me corroem os ouvidos, a minha caneta castiga a folha branca  no seu desnível.
Todas as palavras me assaltam a mente atrapalhando-me os dedos, que por esta hora já congelaram.
Sonhos, ilusões e decibéis se misturam fazendo com que volte a gesticular sentimentos.
Tudo se desfragmenta e alinha de novo na capacidade de se reconstruir...ai a influencia que é como uma doença contagiosa que não quero nem inflijo.
Não tem mal estar sozinha, não tem mal assumir a solidão se tanta vez me definiu como gente e até me trouxe estatuto e redenção. Claro que o meu sorriso é irónico apesar de detestar a ironia que por vezes me assalta o peito fazendo-me contrair na dor de me assumir nesta condição.
A melodia agora é leve e suave o que faz com que não corra tanto, não me engane tanto. Sou como sou, sem tirar nem pôr, gosto no entanto do que me acrescenta. Não tento, mas acontece que quero sempre mais. Que sou como algo que faz esvair até não haver mais para dar, eu que tudo o que toco se torna venenoso e inalcansável. É facto, já vi antes diante dos meus olhos incrédulos.
Sou paz e estou em paz, a melodia finalmente se dilui no meu corpo: a intensidade não se mede nas palavras mas no que sentimos quando as redigimos escondidos no nosso mundinho interior, onde não envergamos máscaras nem sabedorias patéticas. Só estou eu...nua e despida de tudo que se aprende sem querer.
O papel acabou apesar de ainda existir tinta e a música ir finalmente a meio.
As palavras conseguiram mais uma vez exorcizar-me. Pôr-me no lugar que quero estar. Aquele lugar onde mais conforto sinto e menos necessidades tenho.

terminou a música e eu rasgo o papel...guardando a caneta.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

:)


:) Deixe-me dizer-vos que por vezes não há nada que me faça falta. Porque tenho tudo.
Que por vezes sou mais feliz que nunca. Que tenho orgulho em mim por ser corajosa e que mesmo com medo não desisto.
Nunca desisti de nada, nunca... 


Quero tanto ser feliz, que só o próprio pensamento já me faz ser.


:))

segunda-feira, 5 de julho de 2010

(...)

Ninguém me conhece melhor que eu mesma...
os meus próprios sinais, a minha própria transparência que me denuncia sem censura.
Se o mais cego é aquele que não deseja ver então deixa-me permanecer na escuridão.
Tenho tudo a invocar mas também não vale a pena, para quê invocar coisas ás quais não tenho acesso.
Será que é isto? Será que na próxima esquina está o beco? Mas... no beco também pode residir a solução.
E a solução talvez me traga ainda uma maior transparência...Lucidez. Sinto-me a ficar lúcida, sinto a ressaca a vir e sinto muitas saudades também... Sinto, sinto, sinto...

(e era só para ser uma publicação com a primeira frase, mas quando o assunto sou eu em conversas comigo mesma, tenho que me mandar calar:) )