terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Dia Um.

Retorno a casa de asas abertas,
e mais uma vez com as mãos encharcadas em sangue, o meu.
Caminho devagar no regresso ao meu trono,
é que por vezes preciso ser relembrada que não pertenço a este mundo.
E que por muito que eu desça, no fundo, para eu te ouvir terás que subir.

O futuro se é que existe um futuro é incerto e relativo tal como tudo
(assim me ensinas Tu)
Então penso que seja tempo de observar e reter o que puder.
Tempo de subir os degraus que me acendes uma outra vez.
Que me afastarão ainda mais da sombra do mundo.

Tenho os olhos cheios de lágrimas
mas no meu rosto desenha-se um sorriso com Razão.
Diz-me quantas vezes eu já tive que morrer para Ser?
Existe esta espécie de felicidade na infelicidade que me enche o peito de ambição.
Que tanto me faz voar como cair.


Não sei se choro de rir
se rio a chorar.
Repara como eu estou Só a partir de agora.
Repara como posso escolher mesmo que para isso tenha que morrer.
Repara como já não tenho medo de morrer.
Estou a nascer em ti.

Eis que um novo ciclo se abre
sem recomeços.

Mas sim com O Inicio.

Apesar de tudo me aparecer quase de forma desgraçada.
O meu sorriso com Razão
impele a que eu brilhe até nas mais negras das noites.
Hoje é o dia Um.
O primeiro da minha nova Existência.






Pearl









terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Medos

O Medo, esse grande responsável por tudo aquilo que eu deixo de fazer. Miserável é, quando me junto com alguém que ainda tem mais medo que eu. Por isso eu permaneço sozinha.
Existe sempre este enorme paradoxo relacionado à minha forma de Ser. Se por um lado estou armada até aos dentes por outro nunca matei ninguém. .
Vejo que laços se desfazem e outros apertam-se. Vejo que me estou a afastar do que um dia há bem pouco tempo era uma certeza. Será falta de paciência ou falta de emoção. Será a descendência, o fim do que viveu além dum prazo? O quebrar duma aliança? Que seja...
(Mergulho num mundo de vaidades, de egos e mentalidades mal construídas, por vezes é tão atrozmente fútil este mundo que prefiro distanciar-me.)
Não consigo despender mais energia em certos aspectos que até há bem pouco tempo canalizava parte do meu dia. Tudo morre e isto está a morrer e eu a deixar. Será enterrado. Vejo como o meu rio já corre noutra direção, empurrando tudo... Fazendo um rasgo entre mundos.

Daqui de onde estou consigo observar como tudo muda de lugar no meu Castelo. Como tudo se arruma uma vez mais. Há dias sai daqui, direta ao assunto que me assoberbava. Sai sem fechar a porta atras de mim e armei-me. Eu estou sempre armada. Eu luto sempre armada. No fundo quando sai já ia ferida, existe algo em mim que não cede. Que nunca desarma mesmo que se desfaça.
Afastei-me de tal forma do meu mundo que no fim mal consegui voltar a casa. No fundo quando vais sem Medo já vais armada. Ao olhar-te nos olhos eu sei que és meu território e que quero conquistar-te nem que para isso tenha que destruir tudo o que conhecemos.
Não não é Obssessão (pessoas que sobrevivem não têm esse luxo)! É a minha natureza, porque observando bem, sempre que lutei fui furiosa nos meus intentos. Ponho o meu sangue em todas as minhas lutas. E a minha primeira tarefa numa luta é despir-me do Medo que toda a vida me incutiram.
Não não podes dizer que o teu segredo é esta estranha agressividade que vem da profunda certeza de saberes aquilo que queres, isto é simples mas complicado aos olhos da ignorância.
Não são as derrotas que me impedem de ser vitoriosa. Eu fi-lo. E todos me aplaudem nesta espécie de surdez que imponho a mim mesma porque não quero distrair-me.
Sabes o que eu vejo ao espelho de manhã? Eu finalmente sozinha. Caralho esta minha beleza que tanto me prejudica é também o meu orgulho. Eu fiz-me assim. Quando observo mais profundamente o meu olhar vejo as minhas lágrimas, a violência da minha própria critica e a certeza que a minha fonte jorra de mim mesma e que não tem fim. Eu alimento-me de mim mesma. Sempre que me confronto a mim mesma eu não tenho outra hipótese senão vencer.


Descolo-me de Vícios antigos, de hábitos que por fim se tornaram incómodos para nós. Olho para o que me escreveste, para TODAS as horas que me ensinaste a enxergar o Mundo assim. Olho, leio todos os versos que parimos. Eles estarão na Eternidade mesmo depois da nossa Existência. Penso que escolheste deixar-me voar. Que o teu tempo deixou de existir para mim, para me ensinar. E nem mesmo o facto de eu ser a tua melhor aluna me fez ser Eterna. Uma coisa não mudou, eu continuo a ser a Melhor. E Tu continuas parado numa espécie de platonismo que a minha passionalidade não concebe. Esta minha humanidade será sempre uma oponente à minha Ascensão. Nada se dói em mim por assim ser. Mantenho um pé na luz outro na obscuridade. Continuo a ser um ser passional e mato até morrer se assim tiver que ser. Anos se passaram, acho que envelhecemos... Vou deixar que me Contemples e que te apercebas de como Tu também me fizeste. (Imagino a curva do teu sorriso ao ler-me).


Estou feliz, uma felicidade tão frágil como luminosa. É tão débil e pueril que temo que morra num arrufo meu. (Sorrisos) Será então isto que  mata uns e fortalece outros? Sinto que tive que descer uma escadaria quando no fundo foste tu que me vieste buscar. Esta espectacular chance de transformar trouxe consigo mais uma Transformação para mim. Tenciono despir-te o Medo, alterar-te as Paixões e explicar-te o que és tu. E eu vou conseguir.
Como te posso eu tocar sem te matar, como te posso eu transformar sem te alterar?! Será que sou a Ordem no teu caos, ou serás tu o caos numa casa mais que arrumada?

Quem transforma Quem?

(Olha-te ao espelho e diz-me quem vês).


Pearl

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ciclo

A alma que fez o Caminho demasiadas vezes esquece-se por vezes de evitar os vícios antigos. Os vícios que mataram tantos embriões. Repara nas lápides no chão. São todas promessas antigas.

Quando abres a sala das emoções esqueceste que estás abrir outras pequenas salas. Salas obscuras, onde os fantasmas vivem. Onde estão seres que tu minha Criança não sabes lidar.


Não tenho forma de me livrar dessa Luz que me ilumina Toda mas que causa sombra em zonas do meu Mundo onde nada existia.


Não tenho forma de te livrar a ti do meu próprio abismo.

A brisa que corria tornou-se num vendaval que expõe todas as pequenas salas e que me fazem querer retornar aos velhos vícios. Mas tenho-te pela minha mão...

Se por um lado existe a Luz por outra assombra-me a ideia de entregar a Chave.

Hoje eu estou escondida, recolhida a pensar sem ter plano algum de como temperar algo que já tem sabor e conseguir alimentar-te sem te envenenar.


Estou parada no meu percurso com os olhos postos em ti. Foi a tua curiosidade que te fez abrir portas proibidas, foi o teu desejo de Evoluir que me fez permitir tal coisa. Foi a tua Luz que ateou esta Fogueira. Devo eu qualificar, quantificar tudo o que te quiser dar? Quando já te dou o que não pensei ter...

Sinto o meu olhar gelar à medida que pego nesta adaga e encosto ao meu pescoço. Não permitirei a minha falha nem o meu infortúnio.

Não entendes?!
Eu não quero quebrar um Ciclo mas fechar Um.






Pearl










quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Sacerdotisa



Sabes quantas vezes eu já me elevei para não me misturar?!
Ou quantas vezes submergi a pensar que estava morta.
 
Sabes quantos crimes já cometi para me defender?!
Sabias que na minha casa existem armas que matam todas as formas de vida?
E que apenas os Fantasmas permanecem.
 
Sabias que o Amor e a necessidade não são bem vindos Aqui.
Eu encarrego-me de calar a Saudade.
Estas paredes são mudas mas Eu sou (e serei) o maior Conhecimento que terás.
É a minha Divindade que te prende a esta nova forma de Ser.
Só ela te permite seres Real e Absoluto.
Sabendo tu que já perdeste o teu caminho de casa.
 
 
Farei tudo para que sucumbas antes de me alcançares.
Assim não terás que me salvar.
Será que tu não vês que eu sou a doença que te curará e,
 que no meu leito existe o Veneno que procuras.
Eu não estou escondida.
Estou tão exposta a esta Luz que me trouxeste.
Uma Cegueira que me impões e que me tenta escravizar.
Na vã tentativa de me enlaçar nas tuas mãos.
 
(não vendo que)
 
 
Terás que te ajoelhar e pedir pela tua vida.
Terás que ouvir que o teu mundo é uma Ilusão,
e que eu já fui isso que tu és.
Não serei eu a descer serás tu a subir.
Eu já vivi protegida até que fui arrancada e transformada Nisto.
Eu farei tudo para que a tua frágil vida seja medíocre depois Mim.
Diz-me já agora  o que vês depois de mim!!
Nada, porque não existe nada e mesmo que aches que te dei armas para sobreviveres já não poderás ser o que foste.
 
 
 
Terás que aprender a falar e a respirar de novo
lembra-te: Eu não me misturo.
Olha pra tua vida, aqui não existe Redenção aos teus pecados.
 
Existe no entanto a Promessa de Morte e  Transformação.
 
Neste reino já não existem Mestres.
 
Existo Eu.
 
 
(Tu estás a morrer porque eu te estou a matar).
Vive.
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl