As horas que são dias
os dias que confirmam todas as decisões.
Tu já não existes na minha realidade
mas no entanto, a minha realidade persiste.
Ás vezes recordo-me de todas as dores que suportei.
E penso no que poderia ter sido se não me tivesses empurrado abismo abaixo.
É um pensamento infértil tal e qual o teu olhar.
Estás morto e é apenas a ilusão do que pensas ser que te impede de perecer.
Nem que eu te desse toda a minha Luz jamais terás uma luz própria.
E é disso que eu não consigo escapar.
Não deixo de sorrir para todo o arrependimento
de ter retirado a coroa da cabeça para conseguir confrontar a tua escuridão.
Constato que existe uma escuridão tão densa
que só absoluta certeza do conhecimento nos poderá ajudar.
E eu apenas tinha vontade e uma grande dose de ingenuidade.
Eu vaticinei a tua queda...
Porque quem caminha sem Luz e sem Conhecimento... Cai.
Pearl
terça-feira, 19 de maio de 2015
domingo, 10 de maio de 2015
Parada.
Sabes quando não sabes o que desejas?
Reparas que muitas vezes só tens essa mal nascença...
Que ela tornou-se um carimbo num qualquer documento que não assinaste.
Que solidão é esta que tanto me retira como me dá?
Sabes quantas vezes sinto a minha força pulsar dentro de mim.
Essa força que é tão incontida e supra venenosa.
Costumo olhar bem fundo dos teus olhos, e nos olhos dos outros também e,
perceber-lhes a ansiedade em me consumarem
como se isso fosse de facto acontecer.
Num acto insano na vertigem dum qualquer Abismo.
Será que consegues perceber-me enquanto me olhas a pele?
Ou o veneno que exalo cega-te à entrada.
Pra mim são todos frágeis, são todos débeis e mentalmente superficiais e,
é por isso que eu permaneço sozinha não numa redoma
mas num lugar onde eu posso ouvir-me e latejar-me ate adormecer a febre de mais.
Essa angustia que me acompanha é amplamente o meu berço sempre que choro.
Achar, supor que por "sorte" esta minha inóspita ventura me proporcionará companhia...
É largamente um acto de loucura imposta em disfarce da miséria deste lugar onde fomento o Eu.
Quase que não reajo e quando reajo é para preservar domínio e segurança.
Não existe vergonha em mim nesta minha paragem de tempo.
Ou medo de perder alguma coisa quando foi tudo perdido no momento em que respirei.
Pearl
Reparas que muitas vezes só tens essa mal nascença...
Que ela tornou-se um carimbo num qualquer documento que não assinaste.
Que solidão é esta que tanto me retira como me dá?
Sabes quantas vezes sinto a minha força pulsar dentro de mim.
Essa força que é tão incontida e supra venenosa.
Costumo olhar bem fundo dos teus olhos, e nos olhos dos outros também e,
perceber-lhes a ansiedade em me consumarem
como se isso fosse de facto acontecer.
Num acto insano na vertigem dum qualquer Abismo.
Será que consegues perceber-me enquanto me olhas a pele?
Ou o veneno que exalo cega-te à entrada.
Pra mim são todos frágeis, são todos débeis e mentalmente superficiais e,
é por isso que eu permaneço sozinha não numa redoma
mas num lugar onde eu posso ouvir-me e latejar-me ate adormecer a febre de mais.
Essa angustia que me acompanha é amplamente o meu berço sempre que choro.
Achar, supor que por "sorte" esta minha inóspita ventura me proporcionará companhia...
É largamente um acto de loucura imposta em disfarce da miséria deste lugar onde fomento o Eu.
Quase que não reajo e quando reajo é para preservar domínio e segurança.
Não existe vergonha em mim nesta minha paragem de tempo.
Ou medo de perder alguma coisa quando foi tudo perdido no momento em que respirei.
Pearl
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Alquimia do Ser.
Desde a minha ultima batalha que resultou na minha Morte que permaneço morta a curar-me.
Não tenho feito nenhuma tentativa de erguer o olhar...
O sangue onde me deixaste a morrer apodreceu, decompôs-se juntamente com a minha frágil alegria.
Vários dias depois, quando me consegui levantar moribunda, suja e inconstante e me dirigi à porta para a Fechar... Nem de ti o rasto existia, tudo em meu redor era aridez. Toxicidade! E nem palavras eu tinha para vestir todo o despojamento que deixaste para trás. Fechei a porta por dentro mais uma vez, não permitindo que o Sol entrasse. Escolhi o frio da obscuridade e a liberdade de matar pensamentos. Não havia nada a reinventar. Caminhei nua nos vidros que quebraste, acredita já não existe sangue em mim para se esvair. Ou dor a ser sentida. Subo a minha escadaria, depois de tantos dias no chão a respirar terra seca. Avisto o meu trono sempre tão familiar, sempre à minha espera e sento-me. Fecho os olhos e,avisto a tua jaula, és um animal bem domesticado. Desejo a tua morte, encarreguei-me que a levasses contigo também. Não interessa, és um proscrito. E eu ainda sou a Rainha. E este ainda é o meu domínio.
Agora estou coberta e com uma janela aberta, tenho a intenção de ficar a contemplar tudo aquilo que renasce no meu reino. As flores, as borboletas, o solo quente e o brilho do que sempre fui fluem de forma quase imperturbável. Eu ainda mal me mexo. Observo, perscruto da minha janela uma movimentação quase indetetável. Recordo-me que fechei a minha porta por dentro, será que existe uma segunda chave? Será que houve uma intrusão? Será um inimigo? Será um aliado? Serei eu ou serás tu?
Quem poderá intrigar uma rainha de trono e coroa?! Quem se atreve a testar-lhe a simplicidade paradoxal? Toda eu sou cicatrizes, toda eu sou histórias terminadas e desassossegos inúteis. Este é o reino mais solitário dos mil mundos onde habito. Podes conhecer o universo mas eu encerro a profunda Alquimia do Ser.
Eu deixo que fiques nos meus jardins, borboletas agitam-se com essa Luz inusitada, tão perfeitamente doseada.
Os pensamentos esses deixam de morrer, a minha pele aquece e eu descanso os meus pés com a intenção de voar. Tenho pouca perceção do que me tornei depois da minha ultima batalha. Existe no entanto a aceitação do que quer que eu já seja. E o desapego absoluto do que já fui.
Pearl
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