segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dissidentes.




Angústia do improvável.
Insónia, enjoo e vertigem.
A debilidade da condição humana ainda me corta a lucidez.
 
Digo para mim mesma:
 
"Fecha a porta e recolhe-te, está na tua hora!"
Não, não posso e acima de tudo não quero.
Deixo-me ficar na penumbra do meu trono.
Enquanto vozes dissidentes "aconselham" no meu destino.
O meu instinto é o de sobrevivência,
não me custa atacar para me proteger,
mas estão longe do meu parco alcance,
sendo eu um alvo fácil de abater.
 
"Se lhe entrares debaixo da pele, e atingires a sua corrente sanguínea para sempre estarás protegida."
 
Temo, a sério que temo por esta fase embrionária,
temo a falta de cuidado que existiu na confrontação.
Temo a fragilidade duma mente pueril...
 
A minha lâmina esteve sempre encostada à sua garganta
mas a minha mão encostada ao seu peito.
Posso sentir-lhe o hálito ansioso por provar o veneno.
 
A velocidade com que se curvou perante um dissidente
faz tremer o meu chão e atiça as minhas próprias vozes dissidentes.
Essas vivem em mim todos dias, alimentando-se de tudo o que está errado.
Vociferam verdades cruas e sangrentas, expondo todas as minhas falhas.
 
"Deixa a página em branco, esta música não é a tua."
 
No entanto já muito se escreveu
e
já muito se ouviu.
 
A minha lâmina está pousada no meu colo.
A melodia que quase morreu, toca.
E eu escrevo.
 
Detida na tua observação,
cepticamente calo os meus dissidentes.
Deixando que cresças.
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 
 
 






quinta-feira, 24 de julho de 2014

Coerências.




Eu já nem choro quando o sol se põe.
Até porque ele nem chegou a nascer.
(e como sempre intuí)
A escuridão continua a ser a única nota audível aqui.


Quite please I need to fall.


But I always rise.


...



...



...


















Pearl

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Despertar.





Olhando as tuas mãos eu percebo que estão carregadas de tudo.
Tudo o que eu preciso e quero seguramente.
Olhando os teus pés,
 eles não têm grilhões
e as tuas asas são imensas de liberdade,
então porquê no meu castelo assombrado?!


Porque não voares por aí,
onde o sol brilha e a escuridão não tem espaço?
Aqui não existem janelas para abrir,
nem lençóis brancos para dormir.
Tu não podes querer descansar aqui.


A água não é límpida mas a pele é quente.
O solo é hostil mas... Fértil.
Não vou olhar-te nos olhos
para me continuar a proteger dos teus sonhos,
onde me roubas os sonos e me aqueces num sopro.


Permaneces perante o meu labirinto.
Eu sei que me consegues ouvir nas madrugadas.
A lucidez desfez-se há quatro ou cinco luas,
no canto que entoas onde percorres o meu nome mil vezes.
Onde eu apenas aponto as lastimas dos meus dias.


Já não consegues voltar para trás,
já estás preso ao meu sangue.
Meu pequeno infante se percebesses a imensidão das tuas asas,
a brisa no teu cabelo. Fugirias enquanto podes.
Mas tu não queres. E eu já te tranquei por dentro.


Deixa-me sentir o teu coração bater na palma da minha mão.
Prometo embalar-me em ti e acordar(te).




Pearl






segunda-feira, 21 de julho de 2014

Intrusão.




Eu estava sentada sobre o meu trono "sozinha" com
os meus fantasmas, monstros, anseios e desejos.
Entusiasmada com o sossego do meu cenário.
Apreciando as conversas entre os meus convivas e,
o meu próprio argumento.


Não existe na minha mesa nenhuma cadeira vazia.
Não falta ninguém aqui.
E os muros são altos e os portões selados.
Eu reino no meu reino.
E, só sai  quem eu expulso
e entra quem eu convido.

Essa é a ordem.
A sagrada ordem do meu mundo,
que te atreveste a desrespeitar.
Diz-me quem foi que se levantou para tu te sentares?
Algum monstro, algum fantasma?
E o que trazes contigo?
Algum novo anseio, algum desejo?!
É que armas não vejo.
E tu vais precisar.

(já) Eu não preciso de nada...
A não ser de tempestades venenosas.
Os gritos dos meus monstros por vezes dilaceram-me a carne.
Poderiam morrer um pouco.
Eu não habito sozinha no meu mundo.
Eles alimentam-se das minhas angústias e frustrações.
Pequeno infante sucumbirás nas primeiras horas.

Aqui é tudo tão forte e tão intenso...
(mas) Deixo que permaneças temendo sempre por ti.
Temo que te tornes num destes fantasmas que já cá moram.
Eu não preciso de mais.
Eles consomem todos os meus recursos sem piedade.
Eles fazem-me companhia e estão sempre com fome.

Nem as muralhas mais altas me podem proteger
se o meu peito estiver exposto,
assim como eu não consigo expulsar-te
do inferno que teimas em querer ficar.

Eu permaneço sentada no meu trono,
e tu estás dentro do meu reino.
Eu observo-te apenas...
Oiço-te, tento perceber o porquê da tua intrusão.
Tento que te apercebas o quão frágil me pareces.
O risco de morte que corres.

Mas tu permaneces imbuído num desassossego e inquietude
que cala para já os meus hóspedes,
retirando-lhe as suas vozes.
A minha voz também permanece muda.
Deixando com que a melodia soe de forma quase límpida.






Pearl






domingo, 20 de julho de 2014

Lírica.




Queria eu ser a pele que te enxuga as lágrimas.
Os olhos onde pousas as mãos e descansas.

A melodia que se ouve é-me estranha
mas cada vez a ouço mais alta.

Uma música, um poema, uma dança?!
Não, somos só nós tagarelando.

A pele, as lágrimas, as mãos e os segredos...
E ainda mais uma guerra se decidires ir à luta.

A mão que segura a tua é forte e não arreda para parte nenhuma.

Mas nunca tu terás as armas necessárias meu pequeno infante,
porque eu mato tudo o que toco, sem sono possível nem redenção.

O meu poema apenas te servirá para te empurrar precipício abaixo
e, até te encontrares de novo terás apenas o consolo de eu ser (a)única.


Meu pequeno infante vai-te enquanto podes.
Um dia talvez não possas porque eu vou estar cravada na tua mente,
dançando nua nos teus sonhos enquanto te contorces de dor.

Não mergulhes aqui, não faças soar a tua música neste deserto,
apenas eu vou ouvir-te
mas não vou salvar-te.
Se o teu destino for morrer ás minhas mãos.
Será isso que farei.


Um dia a tua música terá morrido
e o meu poema será esquecido.






Pearl







sexta-feira, 18 de julho de 2014

Hostil.





Consigo sentir o teu hálito venenoso daqui,
os ruídos que se ouvem são dos teus olhos encharcados em becos mundanos.
Confesso que não gosto e, que sempre que me cheiras a isso... eu recuo.
Defendo-me assim desse contágio sem retorno.
Obrigas-me a desviar o olhar para que me desinfecte de ti.
Esqueço-me de vez em vez que foi sob a forma de Besta que te conheci
e, que é ai que tu resides, nesse estado de irritabilidade que tanto atrai como afasta.



Consigo sentir o pulsar das tuas veias nas mãos sempre que limpas a testa.
E olhas o infinito num profundo confronto contigo mesmo e a tua Existência.
Eu... observo a teu contorcionismo para no final te deixares cair numa malha sem resultado.



Deixa-te estar assim, onde tudo em tua volta morre
mas tu sobrevives a mais uma noite de hostilidades.


Tu e Tu
e eu aqui.










Pearl










terça-feira, 15 de julho de 2014

Interrogativa.




Que nunca achemos que temos tudo, porque não temos...
Reparo agora que tenho andado meia morta numa corrida desenfreada.
Acho que eu ao lado de qualquer outra energia sinto-me meia morta porque nunca é igual ou superior a mim. Acompanhar o meu passo pode ser extenuante, e logo desinteressante.
Percorrer a minha alma labiríntica pode ser algo impossível mas sem isso eu não me dou.

O meu traço mais forte eu tenho negligenciado, e hoje lendo palavras que também me inspiram a mim, fui relembrar-me de toda a paixão intempestiva que encerro na minha pele. Dos tempos idos onde tudo eram precipícios e ravinas tortuosas da paixão.

Então eu faço a pergunta: será que eu já não sou essa mulher também?!


Ou apenas permaneço na penumbra em espera?!


Em espera do quê?!









Pearl











sexta-feira, 4 de julho de 2014

Liberto(s)...

 



 
Partilhar a liberdade do momento.
Deixar que o teu momento flua na pele que já conheces mas desejas desvendar.
Assegurar-te que no fundo da tua alma não existe salvação.
Só as horas que partilhamos.
E que essas são as mais raras que te serão concedidas.
Eu queria dar-te mais que liberdade.
Mas na verdade esta é a minha derradeira oferenda ao teu sacrifício.
Poderia dar-te mais uma promessa de eternidade mas,
a minha tendência permanece imutável.
Planeio que percebas que ser-se livre é a raridade do mundo moderno.
E deves sentir a alforria no teu coração e não nas mãos.
Terás que abrir as asas e deixar-te ir... se voltares eu estarei aqui
como sempre
como nunca.
 
 
 
A paz do teu silencio é o balsamo que precisas
para que entendas que te dou o mundo, quando te beijo e
quando te tranco dentro de ti mesmo apenas te exponho aos teus olhos.
Gosto que te vejas com olhos de ler...
 
 
 
Não vaciles o teu passo,
e não tremas a tua voz.
Acredita em mim quando te digo:
És Livre.
Sempre que me escorregas pelas mãos,
pelas ruas
pelas vidas.
Eu escolhi libertar-te
para que nunca te esqueças da minha morada.
 
 
 
 
O lugar onde não pertences
mas és Feliz.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl













 
 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Transformar.




É tão fácil, se tu percebesses como tudo Isto é tão fácil.
Basta quereres muito. Sempre que me perguntam como começar? Como fazer? Eu respondo: Como Ser?
Para ser basta querer e querer não se compra, não se aluga nem se empresta.
Falo aqui tantas vezes da minha Metamorfose e apenas únicos de vos poderão comprovar, de resto nem a vossa imaginação vos poderá levar tão longe.
Não existiu uma cena, uma acção que determinasse o meu estado mental, um estado que talvez tenha sido antecipado por alguém mas só reconhecido por mim há poucos anos.
Isto pode levar anos, pode levar o resto duma vida.
Volto a sublinhar fortemente que basta querer, que basta por exemplo inverter as prioridades e assim talvez tu sejas a primeira coisa da tua lista de afazeres. Não a ultima que de tão ultima nada farás por ti. Tornando-te assim, em tudo aquilo que juraste que não serias.
Basta livrares-te de todos os teus bloqueios, anseios e outras doenças mentais que possam servir de desculpa para te espancares todos os dias. É uma mente doente que não cuida do único corpo que tem para habitar.
Pode parecer um monstro mas não é. Ora portanto, porque não fazê-lo se até é o que desejas? Eu fi-lo. Claro que sim!
"Será que tu não páras? Onde arranjas motivação para tanto?" Pois! Na verdade é que arranjo e cada vez arranjo mais, o meu monstro alimenta-se de mim mesma. Somos ambos insaciáveis porque não temos limites nos desejos (objectivos). Eu luto até ao fim todos os dias. Porque eu quero.
Encara o teu rosto no espelho, afasta-te e observa o que teu corpo se tornou... Será que vais sorrir como eu hoje sorriu, ou será que vais-te esconder do teu próprio reflexo. Afirmam que sou dura. :)
De facto sou. Não sou a pessoa mais paciente do mundo no que concerne à vitimização que se usa como escudo, para sermos as piores versões de nós mesmos.
Percebam que isto mais que palavras são acções que me mudaram a vida de forma violenta e intrínseca. Irrevogável.
Os meus olhos não se invejam do alheio, eu não me escondo do meu reflexo nem do meu olhar desafiador logo de manhã. Porque Isto sempre será uma luta de mim para mim.
Se todos os que desejam pudessem perceber que basta Querer.
 
 
 
 
 
 
 
 
"Nunca foi tão fácil."
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl