sexta-feira, 21 de agosto de 2009


Sempre fora profissional, tanto no emprego como fora dele.
O profissionalismo não se tem só num ambiente de empregabilidade mas fora dele também . E por vezes é até onde é mais exigido.
Pousa os sacos em cima da bancada cheia de migalhas e facas sujas de manteiga:"é sempre a mesma merda". Senta-se perante mais um dia em que tudo correu sobre carris e sem destabilizar. Pensa que não lhe apetece nada limpar a porcaria dos "outros" mas o tal profissionalismo não a deixa tomar tal atitude.
Num ápice a bancada da cozinha fica limpa e a mesa também.As compras estão no sitio, aliás como tudo na sua vida...extremamente arrumado e imaculadamente limpo. Dirige-se à sala, onde os gritos quase a fazem querer desaparecer, desenha aquele sorriso doce nos lábios e entra, espectacularmente feliz.É recebida com beijos e abraços e muito mimo, para si é mais que suficiente.
O que poderá faltar numa vida tão aparentemente perfeita, onde se considera uma profissional qualificada e competente, onde tudo está arrumado nos devidos lugares, e esses lugares são tão comuns que a própria existência já se tornou automática.
Automaticamente feliz!?
...será?



Parece-vos a introdução duma qualquer vida, uma que seja vossa ou de outros, uma que já saíram, ou outra que querem entrar.
Pois bem, esta vida tem um nome: Luísa e tem 31 anos.
O que vai ser escrito sobre este pedaço de vida que nós todos já vimos é puramente ficcional, e produzido na minha parca imaginação.
Pearl

domingo, 16 de agosto de 2009

...




Quantas mortes já causei eu à minha passagem? quantas vezes eu já morri quando passaram por mim.
Que rumo foi este que tomei e não consigo voltar atrás.
Estou tão confusa como uma borboleta no seu primeiro dia de vida.
Nunca serei uma mulher que se coloque em pause, nunca... e acho que nem conseguiria sê-lo.
Prefiro a vertigem insana do arrebatamento do que uma morna e suave brisa que de tão longinqua nem se sente.
É aí que me pergunto quantas mortes já causei com o meu modo de ser e quantas vezes já morri ás mãos deste meu modo de ser...quantas vezes já me mataram por ser assim.
Vejo tudo tão claramente porque a minha racionalidade não me deixa que veja de modo turvo, vejo tudo tão fora dos seus lugares que não suporto a confusão que tudo me faz.
Na minha vida tudo tem o seu lugar, tudo, não as mudo de sitio quando não me dá jeito, ou não me apetece(ou não posso) interagir...tudo está bem definido e quem ocupa espaços na minha vida, normalmente é para toda a vida, porque são tão poucos, quase nenhuns. Aprecie-os e como diz a música "nutro-os" sempre que posso, e eu posso quase sempre.
Tudo o que dou afectivamente não é retornado na mesma dimensão e raros são os casos em que acontece o contrário. Agora coloco a questão:será que sou eu que dou demasiado? ou será que sou exigente? nunca saberei, eu sei.
A única coisa que sei, é que fica um vazio difícil de suprimir, fica o desejo de querer e não poder ter, fica o anseio de tudo o que planeei não se concretizar.
O meu espírito é de evolução constante, sem isso paro e morro mais uma vez.
Sou o que consigo ser
assim como cada um de nós é o que consegue ser, nem mais nem menos.






Pearl

domingo, 9 de agosto de 2009

(in)completa


Serei sempre a pergunta sem resposta.
o Céu sem sol.
Serei sempre inacabada, absolutamente incompleta.
Serei sempre a marca que ficou aos olhos de quem sofreu.
O rosto que lembra a dor.
A dor que me entreabre o corpo, que necessita.
Serei sempre incapaz de mudar.
Ser mar com areia.
Lua com luar.

Jamais esperes que seja plana,
que me alimente unicamente do básico.
De restos ou futilidades.

Serei sempre ar sufocante.
Estrada sem destino.

Eleva o silencio ao teu maior decibel,
castiga a tua pele na recusa do que sofres.



Eu serei sempre absoluta
serei sempre máxima na minha vontade de crescer
e voar.



E mesmo cheia de peças incompletas
não tenho medo algum de viver



...



Pearl

domingo, 2 de agosto de 2009

Dois/2


Miss Sunshine tens o meu amor, o meu orgulho e a minha vida.
Pearl