segunda-feira, 15 de junho de 2015

Clausura.

Posso não conseguir, posso não ser.
Já nada existe em mim para te dar.
Vivo enclausurada numa condição que não escolhi.
Sem conseguir libertar-me de ti e de tudo o que mataste.
Nada és e eu em nada me tornei.
Pareces-me um bicho venenoso que eu lido nem sei porquê...
Todos os limites superados foram arrasados.
Todas as perdas que no fim contabilizam um solo estéril.
Já não sei dissertar, ser brilhante, não há forma de entrar,
quando eu não quero sair daqui.
Prefiro a linha recta que tudo se tornou.
Sei que não preciso.
Mas interrogo-me qual será a minha forma de ser.
Enquanto permaneço apenas a observar aquilo que se torna numa miragem.
Mas, permaneces no lado de fora da minha porta.
Uma porta tão fechada como eu,
tão densa como a neblina do meu mundo.
Será que consigo não ser o passado?!
Será que consigo pegar numa folha limpa e escrever sem rancor?
Reinventar uma outra história para mim?!
Não existem borboletas. nem arcas no fim do arco-íris.
Existe uma não-liberdade.
Uma cela que me prende e me castiga imposta por mim.

Será que eu posso viver num mundo sem a tua existência?!



Pearl







segunda-feira, 1 de junho de 2015

Human

Não há remedio possível que me cure este ambiente.
Sempre que me ausento pelo  mundo sou engolida pela natureza,
a natureza humana, o cheiro humano, o fétido e o decrepito.
O inevitável e a morte da minha inocência.

Foi edificada uma coroa na minha cabeça.
Esquecem-se que eu também sou uma mera humana
que detenho a mesma natureza, cheiro e vazio.
Sou obrigada a exibir uma superioridade que não reside em mim

Eu queria lavar-me da sujidade dos dias
e das horas que se acabam a cada fim de frase.
Eu já não tenho nada para dizer nem nada a provar.
E acho... que nada para sentir.

Enquanto o mundo me observa eu observo o mundo.
Enquanto o mundo se revela eu escondo-me nua à chuva.
No mundo, neste mesmo mundo onde eu já não quero ficar,
haverá quem se lembre da minha humanidade.
Enxugará todas as lágrimas que ainda tenho reservadas.

Sou quase tão imperturbável como sensitiva.
E nesta humanidade que me esventra o Ser
eu escolho submergir mais uma vez na Sombra.
Onde a única Luz é a minha e a minha humanidade já não me é estranha.




Pearl