domingo, 22 de fevereiro de 2015

A Profunda Vontade de Ir

Então é isto, caminhamos metade do caminho nus
outra metade com dores.
Se eu arrancar a própria pele talvez já não me doa.
Oiço a tua tentativa de me explicares que tudo isto é nada.
Mas eu permaneço com as mãos postas no fogo que me consome.
Atenta a um par de olhos que me estremecem na minha génese.
Sabes... que se eu pudesse torná-lo-ia meu.
Já que para mim é fácil absorver o que desejo.

Continuo a aprender
nesta metamorfose que não para
que não cessa e que, me sucumbe a cada novo dia que nasce e morre.
Será que não devo parar?
Parar de caminhar, parar de observar quando não consigo parar de sentir.

Sabes aquele sorriso que se desenha quando sabes que vais cair?
Suponho que não será desta que terei as minhas respostas.
Se pudesse sentar-me-ia no teu colo
e falava-te do Amor que te tenho
talvez te deixasses embalar no meu veneno.

Ao invés disso dou-te a minha mão
na férrea esperança que não se descole da minha.
Será A Viagem,
uma vezes nus
outras vezes com dores.
Mas sempre a Prosseguir.




Pearl




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Primeira Pessoa do Plural

 A brutalidade do Nós.
O rio que corre nos dois sentidos.
Lembras-te, ainda há pouco tempo eras uma criança.
Eu fiquei a ver-te crescer atenta e corajosa.
Responde-me quantas vezes me mataste
para que eu pudesse finalmente envenenar-te.
Já me fui embora tantas vezes
quantas as vezes que retornei a ti.
É nessa brutalidade que me marcas a carne
e eu te corrompo o sangue de Liberdade.
Somos tão selvagens quanto delicados.
Somos tão doces como amargos.
 
Eu sei que te puxo para mim
e tu sabes que me empurras para a frente.
 
O Nós que se expande
é avassalador mas
absolutamente
 Incorruptível.
 
 
 
 
Pearl