quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Vendaval



Abre-se a porta de rompante
e grita-se"cuidado!"
Mas é tarde,
já os vidros estilhaçados
me ferem os pés!
Já o sangue te tirou a noção
e o desastre, esse é iminente.
E o vento  queimou-me os olhos
e matas-me o coração outra vez.
Levantaste-me os mortos para nada,
deixai-os dormir
na paz do Inverno que vive em mim.
De medo não reza a minha história,
a minha massa é feita de diamante
pintado a lágrimas de luz cor de rosa.
E eu sou o melhor de tudo o que te é negro e distante.
Deixa os meus mortos descansarem nas suas cadeiras
 na minha casa abandonada ao desejo do (teu) perfume!
A paixão de certa forma não é para mim (acho que ambos sabemos ...)
assim como a luz não é para o escuro.
Fecho as janelas contra esse vento quente
que me queima a pele
e mando calar o baile que tenho na cabeça,
desligo a música que rompe com todos os meus racionalismos.
Não te alcanço porque é assim que te colocas.
Sou a mais corajosa que alguma vez viste,
a mais digna de todas,
uma rainha sem trono!
E não há vendaval que me mate
esta minha majestade.
Nem queda que me tire
a excelência!
Rara, tão rara
que nunca mais me verás...



Pearl

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Alumiando(te)



Nunca temi a noite que trazes contigo,
nem a presença que corrompe o meu espírito de luz!
Porque conheces o outro lado da minha moeda.
O meu olhar e o seu reflexo é-te dado
sem contra-partidas.
Nunca temi caligrafias fortes,
quando impregnadas de intenções mais fortes ainda.
Mas eu não sou a resposta,
sou a continuação da pergunta que te exala a pele.
Meu Anjo Negro,
meu perfume de desassossego!
Reverencio-te porque eternizas-me em palavras
nunca antes desenhadas!
Nunca antes lidas na bruma duma manhã húmida
sem lugar do crime.
Porque tu já és a minha morte
onde te perpetuo  sem argumentos ou razões.
E o teu espaço...é imenso em mim,
e a minha luz aquece
a noite que nos abraça
sempre que vens a Nós.



Pearl

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Deserto(s)


Brutal
marca do meu dente no meu lábio!
Imagina
Tu
a morte que te causaria
se dançasse nua... (no teu deserto)
Imagina
Tu
a alma despedaçada pelo gélido da minha mão!
Sabes que te mato sempre que me dás vida.
Sabes que a morte que dançamos
tem mil eras de vontade!
E a tua pele tem desenhos que lambo
e desbravo, sangro-te porque quero-te sem defesas
aos meus olhos lânguidos.
Pousa na minha carne
e alimenta-te.
A veia no meu pescoço
palpita.
E a mente, essa
Imagina:
o Inferno que seria
...


Pearl

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fallen Love, Broken Hearts


E foi assim que me extinguiste
e foi assim que explodi em estilhaços sem resposta.
Foi assim que sucumbi ao espectro da perda
e a dor do vazio instalou-se como escarpa na rocha.
Não sei se caio,
não sei se espero,
já não consigo mais olhar para trás
porque sei que não virás,
ficaste retido nas tuas próprias verdades criadas,
alimentadas por perdões efémeros
que nunca quiseste doar.
E pronto, já não te tenho
e quando te tinha vivia o inferno
de aguentar o amor que me matava
 ao mesmo tempo que o vivia.
Serei obviamente passado no teu futuro
já que do meu caminho tu te desviaste.
E enquanto me amputas da tua vida
eu vivo esta sobre vida
que não passará duma espera lívida
duma agonia que a verdade já me mostrou.
Tu foste, eu fiquei,
tu seguiste e o meu amor em ti jaz
sem mim,
já sem nós!
E vejo que não vens
e vejo que já não existo,
que já sou algo esquecido e quem sabe já apagado.
És tu de novo
mas sou eu
ainda!



Pearl

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sometimes...



Por vezes,
e
muitas vezes por vezes
o que não tem que ser
não é, e nem será!
E ás vezes temos
que ir, quando no fundo
o desejo da permanência sacrifica-nos.
Há que o aceitar de sorriso nos olhos
e lágrimas nos lábios que aquilo que não nos pertence,
não faz o que somos.
Assim sou eu
assim és tu.
Parados no movimento da distancia
onde ás vezes me confundo
ás vezes te encontro!
Mas sem nunca te perder
é que nunca foste meu!
E assim, ás vezes eu fico no limbo,
eu fico na ponta da cadeira
sem esperar,
porque sei que a porta não se abrirá
por mil vezes que batas...
A chave perdeu-se
o canto calou-se
eu ás vezes
sei disso!



Pearl