domingo, 28 de dezembro de 2014

Poço.

 
 
 
A Atracção pelo desconhecido não será um dos actos mais masoquistas a que nos propomos?!
Porque é que nos debruçamos sobre o murete dum poço quando sabemos que o mais certo é cairmos por ele abaixo?!
Porque é que teimamos em achar que controlamos a situação quando o controle não sai das nossas mãos?
Conseguimos fixar o olhar no "vazio" do escuro mas não conseguimos ver que o fim se aproxima à medida que observamos mais profundamente.
Eu não espero que me entendam, basta que Eu me entenda.
Eu, estou mais uma vez sentada  num ponto alto e panorâmico Onde eu gosto de estar. Onde eu posso  observar Tudo o que me interessa Pensar. Bem verdade que metade do que eu vejo eu preferiria não ver. Mas eu sempre preferi uma verdade assassina que uma treta com pouco prazo de validade.
Eu mesma já espreitei alguns poços mas só cai num. Acreditem quando digo que ainda não sai de lá.
No fundo só nos queremos escravizar uns aos outros. Arrancarmos o que de melhor somos, usar até acabar e reciclar por algo melhor."Melhor"??? :)
Aí que é eu te fodo: Não existe melhor que Eu.
 
Voltando ao meu raciocínio inicial, o ar do meu Castelo muda mais uma vez.
Eu teimosamente permaneço com a minha mão agarrada à tua mão tão escorregadia.
Estás a tentar reciclar-me mas é impossível reciclar "Algo" como eu. Deixa-me portanto apodrecer à mingua que me impões.
 
A Borboleta que emerge Poço acima acode-me neste acto pútrido que é o Renascimento.
Uma Única Borboleta que não para de parir outras borboletas que me infestam o  deserto estéril.
Que me obriga a abrir os meus olhos e me faz diminuir o murete do Poço.
A queda apresenta-se inevitável. Quero tanto que caias e te afogues como quero que me puxes poço acima. Já viste este Mundo e a sua beleza?! Eu não pertenço a ele.
Saberás tu que o Poço é toxico e nunca ninguém saiu dele Igual. Pretendo condenar-te à morte mal caias, pretendo esventrar-te todas as demagogias que intentes usar.
 
Encontras-te num acto absolutamente masoquista. Eu apenas observo tua masturbação Mental na perplexidade da minha existência.
Inexplicavelmente eu Existo
(e Agora para ti também!)
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 







sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Eternidade(S)

 
 
 
Apercebo-me agora que o Tempo passou,
que os dias de alento e elevação se transformaram em anos
de areias geladas com mais ou menos oásis.
 
 
Tornei-me de tal modo Intocável que já nem Tu  me queres tocar.
É a morte que vem chegando lentamente
e
eu
e as minhas veias recolhem à minha carne gelada.
 
 
Por vezes sinto-me tão cansada que os meus segundos param...
Detém-se uma e outra vez nos teus olhos que se perdem nas sombras.
Não existem multidões em meu redor.
Não existe o quente das peles nem o molhado dos beijos.
 
Tudo se apaga quando o meu relógio segue célere
na demanda de me fazer cair.
 
Não vale a pena pedir ao Tempo que me perdoe.
E mesmo que me perdoasse não voltaria atrás.
Vejo claramente o Precipício que se avizinha aos meus pés.
Temo não voltar a ressurgir na tua Vida
à medida que o tempo te mata a Paixão.
 
 
Num desacerto que não consigo concertar.
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 
 





quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

... ... ...




"Porque é que a tua fluidez se quebrou quando te perguntei como lidas com o Amor!? Porque é que senti um nevoeiro quando te questionei... Uma barreira tão palpável como estranha?!"

Não se quebrou porque não existe.
Eu que já escrevi quilómetros de linhas sobre o Amor reconheço a minha inabilidade  em aplicar a pratica.

Não consegui responder porque nem inventar consigo.
E também  me apercebo que nesse tema o meu Olhar desvia-se para demasiado longe da conversa. Não é que não queira falar, mas desconheço o idioma. Não consigo alinhar um pensamento que mereça a pena ser verbalizado.


Temos portanto um deserto.
O dos meus piores sintomas é a perda do Argumento.







Pearl








sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Ascensão





A rising Star
without
Love.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não faz mal...
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 
 
 

domingo, 7 de dezembro de 2014

Equilibrium

Quando a vontade dos outros prevalece sobre a nossa.
E quando o Muro se ergue para nos travar a corrida.
Não existe aqui lição nenhuma para ser aprendida mas,
é nesse momento que as sementes da Rejeição são semeadas.
 
Nós então seremos solo fértil ou não para essa emoção.
 
 
No meu solo já não crescem "coisas" como a Rejeição.
A Rejeição é semeada por nós mesmos sem necessidade de ser muito alimentada por outros
para se tornar enorme e tóxica.
Não é algo que eu alimente em mim porque não preciso.
 Existe em mim sim um Inconformismo que é rapidamente substituído por um sentimento de desapego em relação aquilo que eu não posso mudar.
Existirão sempre coisas que me vão ultrapassar e nada vou puder fazer para as reverter a meu favor.
Tornei-me alguém que se desapega rapidamente do que não controla e muitas vezes é precisamente nesse Desapego que eu encontro a minha paz.
Ora quando se faz tudo o que pudemos para alcançar algo ou alguém e não somos bem sucedidos devemos e podemos ficar felizes apenas com a própria tentativa da tentativa.
Por acaso estou a escrever e a ouvir Undergound Sound of Lisbon - So Get Up:
 
"THE END OF THE EARTH IS UPON US
PRETTY SOON IT’LL ALL TURN TO DUST

SO GET UP
FORGET THE PAST

GO OUTSIDE
HAVE A BLAST

GO A THOUSAND MILES IN A JET AIRPLANE
GO OUT OF YOUR MIND GO INSANE"
 
Tudo aquilo que a vida é pode de facto ser muito mais se nos dispusermos a receber pessoas e factos que nos irão acrescentar.
Quando essa disponibilidade não é desejada e criada é como se ficássemos a meio duma obra. Não faz mal...
Eu não me sinto rejeitada porque a vida sabe-me mimar e eu mereço tal mimo.
Pode não ser o que eu queria é facto, mas é.
A Lei do Equilíbrio (Compensação) trabalha de forma misteriosa e eficaz e eu sou atenta a Ela.
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 
 
 
 
 







sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Shameless Aliciation.

(Pearl by Pearl)

 
 
 
Atreve-te a pisar. o solo do Inferno.
 
Isso sim é a Arte de ser um Demónio
e amar uma Deusa.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não permanecem
mas
Tocam-se.
 
 
 
 
 
 
Pearl

domingo, 16 de novembro de 2014

Unknown...


(Pearl by Pearl)



Passeio pela minha nova vida devagar. A grande maioria do tempo eu permaneço em silêncio, porque o silêncio como sabes exponencia a observação.  Eu acho que caminho equilibradamente, então por vezes sou brutalmente empurrada para a frente, não entendendo a própria vida que eu preciso de tempo. Eu preciso de mais tempo, porque ainda caminho com muletas. Já com asas mas ainda não sei voar durante muito tempo.
Isto é quase como aprender a andar e a olhar o mundo sabendo já o que se vai ver, só não antevendo as reacções.
Escuso então de ser empurrada uma vez que planeio lá chegar tal e qual. O meu destino é mudar a única coisa que me falta mudar na minha vida. Uma peça do puzzle que se perdeu. Preciso de saber se esta peça servirá no meu velho puzzle ou se é a peça dum novo puzzle. Seja qual for o caso, uma nova imagem se desenha. Mais uma vez falarei de todas as mortes ocorridas na minha metamorfose. Eu não consigo conservar tudo, aliás, eu já abri as minhas mãos de todos os meus pertences intelectuais e emocionais para poder fazer um reset. Nos meus "perdidos e achados" não se encontra Nada. Talvez se olhares para mim verás alguém demasiadamente silenciosa ou sossegada, é facto. Mas, acho que podes adivinhar todas as tempestades mentais que sofro. E é nesses ventos que sou empurrada violentamente muitas vezes caindo no chão. Eu não acho que precise de cair outra vez. Já viste bem os meus joelhos?!
Ser confrontada com algo que não tem rosto ou olhar. Sentir no fundo de mim que algo me obriga a fazer estes últimos quilómetros, sentir que  estou a ser impelida a "mexer-me" e eu não consigo ver o cerne da questão com a clareza habitual.
Existe um impulso associado à minha peça de puzzle. Eu posso garantir que essa peça já está na minha mão. E que eu permaneço muito atenta à sua forma.
Há quem considere a minha caminhada rápida outros lenta eu considero-a difícil.
Há ainda quem me ache uma força da natureza eu considero-me apenas humana.
E por esses motivos, mesmo que eu seja empurrada, impelida, um caminho só se faz se nos for apresentado o chão para pousarmos o passo.







Pearl








sexta-feira, 14 de novembro de 2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ressaca.

Isto é quase como perder um grande amor.
Um amor que tanto nos apaixonou como espancou.
É portanto, a descendência da ascensão.
É o livre passe para todos os pensamentos passearem sem se calarem.
Os meu pés estiveram sempre no chão mas os meus olhos lá em cima
onde planam os pássaros.
Lentamente deixei de ser silenciosa
mas não me sai uma palavra.
Apenas consigo contemplar(me).
É a ressaca do climáx que me envenena
esta estranha calma que me confunde
mesmo sabendo que me é violentamente necessária.
Os meus punhos ainda estão cerrados agarrados ao resto do Brilho que escurece nos meus dias.
Toda eu sou Abandono, paz e melancolia.
 
 
 
 
 
Pearl
 





domingo, 2 de novembro de 2014

Godess.

 (Pearl by Pearl sem edição).
 
 
 
 
Afinal o que é o sucesso??
Eu posso falar-vos do meu sucesso, ressalvando que no meu percurso não existem nenhuma taça ou medalha. E por acaso, apesar de ver muito do meu caminho desenhado à minha frente prémios eu não vejo.
Sabiam que até uma arvore pode ganhar asas, sabiam que  quando existe o desejo de voar as raízes apodrecem sem misericórdia!
São essas raízes podres que me infestam o ar que no entanto, já se encontra perfumado pelas minhas asas e iluminado pelo meu sorriso.
 
Ontem foi um dos dias mais felizes da minha Vida. Felicidade daquela de gritar, saltar e chorar até ficar rouca.
Ser a foto de perfil duma página oficial de fitness internacional foi o meu prémio que chegou com seis meses de atraso mas chegou. POR MÉRITO!!!!!
E esse gosto, que tem um sabor incalculável já ninguém me pode tirar.
Eu consegui alinhar  a minha mente com o meu corpo.
Esta é a minha nova Vida .
Ainda é mais enigmática que a de antes, ainda me dá mais trabalho.
Mas ontem eu subi cem degraus num só.
As cabeças rodam na minha direção e olhos admiram ou criticam.
Mas eu sinto-me no cume do Mundo.
 
Agradecida pelas pessoas certas que entraram na minha vida, agradecida por ver o meu trabalho exposto aos olhos do Mundo.
 
 
Só mais seis dias e
 lá estarei eu de novo,
 é ali que a Fome compensa,
 é ali que o sangue perdido volta,
é ali que eu sou Eu mais um pouco.






Pearl














sábado, 1 de novembro de 2014

Fome.




 
Ninguém
mas
ninguém
pode
afirmar
que
se
conhece
sem
nunca
ter
enfrentado
o
espectro
físico
da
 
 
Fome.
 
 
 
...
 
 
 
 
Pearl



 
 
 
 
 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Insomnia...

 
(Só Tu me fazes puxar (d)uma folha branca numa altura como esta.)



Abre bem esses olhos onde eu morro afogada sempre que me olhas,
por muito que os arregales eu terei sempre (re)cantos escondidos.
E Estou na tua existência para te manter acordado.
Porque é nessa insónia que Tu és Tu
(o que quer que Tu sejas).
E eu me estendo ao longo da tua pele ansiando a chegada de Nós.
Eis-me aqui liberta agarrada ao sangue que me escorre depois de te devorar.
Regenera-te reinventa-te ressuscita se preciso for
 
 
 
mas
 
 
 
Tu na minha Morte não dormes!!














Pearl




 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Not Average.





When I chose not to be average  I knew it would be a lonely and  bloody path.
I have become a stranger to my own family
and my friends have become strangers to me.
The problem is not changing my own skin but to change the course  of a planned life.
So I (proudly) stand alone, more alone each and every single day.
I can master my loneliness quite well now.
I strongly believe that for many people I died, and maybe even died for my own people.
To me there is no turning back.
I erased my own path.
I rebirth myself in order to live again.
I was already doomed by the way.
 
 
I had This One chance.
(to fight back)
 
So I took it.
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl







domingo, 5 de outubro de 2014

Blood.

 
(Drácula Untold)


 
 
 
My love for flying creatures ...
will be the death of me.
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Energy


 
 
 
 
São
fios
invisíveis
que
ninguém
pode
ver.
São asas que não voam porque não querem voar.
 
 
 
Não são
raízes
nem
ancoras
ou
amarras.
 
É
noite com sol,
é cheiro a mar.
 
És Tu nos meus olhos
e eu no teu ar.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Lullaby for My Demons.







This song is for your forgiveness

For the sadness I knifed in your heart

For the road that lies ahead

With fear and hope, loss and salvation"
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 28 de setembro de 2014

Humanidade.



Não me subestimes.
Não é querer repetir-me mas eu já emergi  muitas vezes da lama.
Muitas vezes em tenra idade.
Onde a mente não assimila o que os olhos vêm
mas a alma conserva para além desta e outras vidas
(para mais tarde compreender... Ou não).
Já me reinventei onde já não havia mais matéria prima.
Não renasci como uma fénix, nem como o sol, mas como Eu
uma e outra vez até hoje,
até aqui,
até Ti.
Então não será a minha humanidade
que me retirará a divindade pois não?!
A humanidade nem que mais não seja servirá para me(nos) relembrar que sou
humana.
 
Uma sombra que me assombre é algo que tenho que desfazer,
(foda-se porque não matar o mal na raiz?)
...
Uma sombra bem alimentada transforma-se num monstro
que me roerá de dentro para fora se eu não me acautelar.
E eu sou cautelosa.
Talvez não te dês conta de como me alivias as dores.
Tocar-te faz de mim uma mera mulher.
E eu  abdico bem da minha coroa pela simplicidade do mar que nos envolve.
Achas que esta transparência toda é porque é?!
Não, foi construída e é cuidada todos os dias.
 
 
A minha compreensão ao compreender finalmente porque é que não existe forma de ninguém entrar
e, não há maneira de eu sair é porque eu permaneço onde Tu estás.
 
Será mesmo que Tu não intuas em mim uma origem atropelada, mal amada, mal fundamentada.
Será que te deixas mesmo levar pela minha aparência doce e tranquila?! (eu a Ti não engano).
Eu não posso crer que assim seja.
Será que quando olhas no fundo dos meus olhos não vês o negro dum passado recente,
será que não vês as cicatrizes, as cinzas e todos os desvios que fiz para me manter incorrupta?!


Então não me subestimes por adivinhares em mim sentimentos de segunda.
Até porque eles não se manifestam de forma avessa
 (jamais acontecerá).
São-te relatados como se duma história se tratasse
(só precisas ouvir).
 
Eu não tenho nada
a não ser as emoções que nascem em mim.
A tua é a mais alimentada e resguardada.
Acredita, só uma Guerreira o conseguiria fazer.
E eu faço-o com as mãos mais limpas
e o sorriso mais aberto.
Numa blindagem mais que perfeita.
Eis-me aqui sendo (a)
Única.
 






domingo, 21 de setembro de 2014

Returning.






Não sei o que és mas gosto que o sejas.
O meu coração pára para ouvir bater o teu.
Uma forma de vida nesta forma de amar.
Nunca duvides desta perfeição que te foi concedida.
Tão palpável como o chão que te segura.


Homem, anjo ou pássaro és Rei.

I brought You back to life.



 










Pearl










segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Tu.

(Pearl by Pearl)



Princesa hoje vou ser muito complacente contigo, porque acho que estás a precisar.
Não és tu, são eles! Acredita quendo eu te digo isto. São eles é que não estão preparados. São eles que não te suportam. E sabes, eu acho uma perda de tempo sempre que sais do teu reino e tentas "fazer parte" porque tu não fazes parte de coisa nenhuma. Não te consegues misturar com ninguém nem com nada porque a tua consistência é diferente. Preciso sinceramente que penses que assim não deves continuar. Mulher, fica lá sentada ai onde todos nós te podemos ver mas não tocar. Eu sei que és rápida na recuperação, eu sei que pouco ou nada te faz cair e ainda tentas ter cuidado para não matar ninguém. Que no fundo apenas ficas aturdida porque a confusão faz-te parar no meio do incidente. Ah, já não chegam de incidentes?! Quantas cicatrizes achas que a tua pele pode ainda suportar. Essa profundidade toda que eu saiba ainda não te tornou imortal apesar de seres Divina. Deliciosamente audaz nos teus desejos. Bem os desejos, o que tu desejas dá-me um trabalho titânico para conseguir e, como já percebeste quase nunca consigo atingir esse grau tóxico. Mas tu tens o que precisas. Eu sei que sim, então porque desejas mais?? Pois eu sei que nem só de pão vive o Homem. Mas já olhaste bem para ti?! Eu olho para ti todos os dias e fico pasmada. Não percebo mesmo porque não desfrutas do que és como a maioria, porquê essa sangria desatinada de ser mais qualquer coisa. Mais qualquer coisa para quem?? Talvez deva eu perguntar-te. Mas já és. Porquê essa competição contigo mesma, que te esvai completamente ao por do sol. Já não te chega?! Claro que não chega. Caminhas entre a luz e sombra. Nessa melancolia que atrai os mais atentos, e aterroriza os comuns. E quando todos julgam ver-te, apenas quem tu escolhes consegue ver-te realmente. São poucos quase nenhuns. Quase ninguém na verdade. Aprecio a tua coerência. A tua linha recta num caminho tão sinuoso. Tenho pena que te distraias com detalhes. Mas pronto, esse amor pela beleza parece sempre levar a melhor. A beleza que só os teus olhos enxergam numa montra sobrecarregada de futilidades. Nem tudo o que luz é ouro minha menina ou então não terias as tuas gavetas cheias de peças de puzzle que não encaixam em lado nenhum.
Retomemos a minha questão: Já te viste ao espelho hoje?? Estás na frente do teu maior amor. Deixa lá esse Narciso reagir eu prometo não deixar-te morrer de paixão. Eu preciso que tu percebas que podes ser isso tudo que és, que não estás obrigada mudar o teu modo de Ser (mesmo que não conheças para já o teu modo de ser). Preciso que retenhas que não tens que te reduzir para te adaptar. E o desentendimento alheio não deve fazer parte da tua mente. A tua mente é a tua casa. Mantém a tua casa limpa e arejada, sem emoções descontroladas ou espontaneidades exageradas. Suave assim como tu tão bem sabes ser. Mantém a tua casa aberta para o que tiver que sair, ir. E o que tiver que entrar, vir. Mas acima de tudo mantem tudo arrumado, sem desordens. Sem influencias ignorantes. Aprende a protege-la, é lá que tu moras. E se for para olhar para fora, foca o teu olhar nos teus alvos. São eles que te fazem correr e muitas vezes voar. Não sendo o que te(me) define é quem tu és no imediato...
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Lonely Passage




Então se é bom porque é que não dura e perdura? Poupem-me esse famoso cliché de "foi bom enquanto durou". É apenas um pensamento apaziguador que "naquela hora" nos dará algum conforto (eu diria que não). Nunca gostei de limbos ou de permanências em muros. A bem da verdade, apesar de me sentir viva nos abismos é com os pés no chão que consigo ver o horizonte a alinhar pensamentos e estratégias.
O que eu tenho aprendido, é que não é por dizerem o meu nome que estão de facto a chamar por mim. E que o meu nome e eu somos o mesmo que um som que sai dos lábios de alguém equivocado confundindo-me a mim. Gerando caos sem qualquer fertilidade.
As coisas não duram porque temos em nós a arte de parir coisas mortas. Que mal nascem, ao serem tocados por uma brisa de realidade apodrecem nas nossas mãos. Eu já nem sinto horror. Apenas se molham os meus olhos. E perco um pouco de mim, porque o tempo que damos é o nosso maior valor. Aquilo que fomos naquele momento naquela situação extingue-se para sempre.
Não te sentes cansada?! Responde-me sinceramente não te sentes cansada de viver numa constante antecipação... À espera da curva que tudo mudará, do abismo que não conseguirás voltar a subir.
 
 
 
"Stumbling through narrow paths.
Afraid of what will come next.
As the darkness closes in I start to run.
What have I done to deserve this neverending hunt? I will never be able to return home.
My existence is shattered."
 
 
 
Aprendo a cada dia que se não te deres és egoísta e egocêntrico mas, se te teres em demasia começas a  sobrar e, tudo o que dás não surte efeito em ninguém. Então no que é que ficamos? O que pode ser equilibrado para mim pode não ser para outro, que aquilo que considero muito, para outro pode ser nada e vice-versa e, vive-se assim nestes desenganos, nestas flutuações que nos levam recorrentemente a becos. Se juntarmos a isto, o facto de eu ter renascido com toda a experiência da minha vida  anterior . É um absoluto deserto de respostas. Porque aquilo que eu achava saber já não me diz absolutamente nada.
Uma questão não respondida é exactamente o mesmo que uma pergunta não feita.
 
 
"Between trees and stones.
On stale paths, beneath my reality.
It´s like I lost the key to my mind. I can no longer control myself.
No more running!
I will fight my demons right here."
 
 
Ainda agora (re)nasci e já me sinto tão cansada...
 
 
"Wonder when my final call might come.
And if its really worth escaping from.
Im so tired..."*








Pearl





* Saturnos- A Lonely Passage*



 
 

 
 
 



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Denied.






Neste espaço vive-se um regime totalitário e ditatorial.
Que fique bem claro que neste blogue a porta está trancada por dentro.



Pearl







Me and the Beast


Isto é assim:
Eu até poderia abri-lo ao meio
rasgar-lhe a carne,
expo-lo definivamente ao meu olhar
e sacar-lhe toda besta que nele se encerra.
Mas, o que é que isso faria Dele?
retirar-lhe-ia precisamente o me faz ser assim.
Nem eu conseguiria tal proeza.
Nem o desejo fazer no fundo.
Eu amo a imperfeição da Besta.
Não gostaria que se curasse e que se misturasse.
Mil vezes morta nas vezes que me rasga a mim,
do que uma longa e dura vida sem o abismo
que me proporciona(s).




Pearl









domingo, 7 de setembro de 2014

Estranha Primavera.




Aqui onde ninguém me lê
onde não me buscam
e nem me encontram.
Eu recosto-me para apreciar uma monotonia consentida.
Apraz-me tanto os sons que não existem.
A dor que não lateja.
E as lágrimas que se detêm na minha mão.

Vive-se uma estranha Primavera no meu reino.
Onde a luz incendeia a minha audição.
Dois poços negros estão diante dos meus pés.
Tão obscuros e densos.
Revoltantemente belos.
Intocáveis para mim.
De águas ainda cristalinas e frescas.
Quase puras.

A pureza perante uma humanidade já completamente decaída.
Todas as armas foram guardadas.
E tudo se encontra limpo.
A pureza que retoma o seu lugar neste mundo.
A maravilhosa sensação que só um sorriso pode causar.
Sempre que retiro os olhos dessas aguas
descanso no horizante onde nada é aguardado.
Estamos perante um retalho de tempo que nos é concedido.

Onde foi criada essa estranha Primavera que teima em florescer e perfumar.
Que tenta acordar-me para um sono ainda mais longínquo.

A brisa suave das tuas asas calam as almas
e despertam a curiosidade do meu solo infértil.





Pearl








quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Entre Momentos.




 
Vive-se a era dos pequenos infantes.
E de rainhas quase instintas...
 
 
Consigo vê-lo do meu trono.
Será que eu algum dia fui assim?
"Nova velha" cheia de sonhos
e a não deixar-me brutalizar pela vida.
Mas eu deixei-me brutalizar por ela.
Há sempre um momento em que ela nos atinge.
 
 
Aqui, deste lado vivem-se tempos de paz contida.
Uma certa assertividade mental assola-me o coração.
Algo que me permite permanecer sentada mas atenta ao meu redor.
Não posso deixar de sorrir, sempre que vejo as minhas cortinas brancas
desvelarem os meus olhos cheio de sonhos.
Perco-me na vertigem do meu Fantasma.
Ele faz-me sempre bem porque tem a minha cura.
 
 
Jamais um infante, por muito especial que pareça
conseguirá respirar este meu ar venenoso
Só eu o suporto porque exala do meu ser.
Não existe em mim a intenção de conquistar  territórios que não desejo.
E quando me cheira a medo sou eu que volto para trás.
 
 
Eu fico aqui a vê-lo brincar.
Porque não posso deixar de observar o seu espirito branco.
Não consigo deixar de reter-me na sua inocência moribunda.
Na vida que ainda terá de suportar,
Todos os sonhos que lhe serão amputados.
As milhares de questões que não lhe serão respondidas.
E todas as más interpretações que fará de respostas concedidas.
 
 
 
 
A Rainha deixar-te-á prolongar essa juventude.
Devido à recordação de si mesma nos tempos idos.
 
Nos meus "entre momentos"
eu consigo sorrir e perceber que ainda guardo a doçura desses dias.
Dias assombrados por sombras que não eram minhas.
E acima de tudo perceber que eu ainda sou tão doce
como antes.
E certamente como nunca.
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Happy Places in my Life.



 Fui desafiada aqui há uns tempos a escrever algo "feliz", em vez de escrever vou mostrar. A foto apenas retrata um dos muitos momentos do meu dia. E ao contrário do que se faz antever aqui, eu até sou um ser bem disposto.
É ali que todos os dias (re)construo o meu Templo. Onde me sinto em paz e em silêncio. Onde dou o que ás vezes já não tenho. De onde nunca quero sair. E que faço tudo para lá estar.








O corpo é apenas a expressão física da Mente.







Pearl







terça-feira, 26 de agosto de 2014

Encerrada.



Ora eu serei sempre alguém com um enorme potencial para ficar sozinha.
Haverá sempre a questão da energia que é imensa.
(e) A questão de eu não ter medo que isso aconteça.
Há mil anos que deixei de agir em medo.
De tomar uma decisão ou não tomar por medo.
Regra geral sendo eu uma espontânea, faço o que quero.
O que pode acontecer é já não querer.

Sabem quando estamos com fome
e saímos em busca do que nos apetece,
não do que  pode ser?
Eu posso escolher a minha fome.
Fome fluida e direcionada.


Eu já perdi capacidades de adaptação,
hoje eu vivo na minha própria temperatura.
Já não me ajusto em espaços cinzentos.
No "dá e tira" no "é ou já não é".
A muros que dividem egos.
Quando eu própria vivo numa paixão por mim mesma.
Apesar de adorar dançar eu não me mexo ao som dos outros.
Não consigo fazer isso.


Eu fui habituada a crescer em terreno hostil.
Consegues ver o sangue nos meus pés?
Eu corri muito para me sentar aqui onde estou.
Eu sobrevivi provavelmente quando tu viveste.
Isso não é melhor ou pior
sou faz com que  saiba aquilo que à partida não quero.


Não divido o meu espaço com outros egos.
Não aqueço o meu corpo com palavras.
Nem refreio a minha espontaneidade por medo ou convenções.
E, quando me fecham uma janela
eu tranco todas as minhas portas.





Pearl








sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Primordial.



Se queres temer alguma coisa
teme o Fim não o Inicio.
Teme os demónios que tomarão conta de toda a situação.
Não temas o olhar de contemplação.
Nem a constatação de que afinal existem mais iguais a ti.
 
A curiosidade é um elemento primordial.
É um motor de construção.
Não temas perguntar
e eu não temerei responder.
O medo que em mim não existe,
que me faz andar sem camadas nua no meu reino.
Eu consigo ver o teu olhar no buraco da minha fechadura.
:)
(Adoro quando te defendes!)
 
A minha nudez corrompe-te os dias
e alimenta a suprema curiosidade de saberes quem eu sou.
Eu sou a Rainha já te disse.
Mas teimas em encontrar a plebeia.
A que se mistura com os demais
sem se deixar contaminar com a mediocridade do mundo normal.
Não me encaixo nem quero.
Rainha ou plebeia eu morrerei tal e qual lembraste?!
 
(Mas, adoro quando te dás!)
 
Nunca me encontrei em tamanho estado de primordialidade.
Onde todos os sentidos estão em sangue e activos.
No entanto eu permaneço numa impavidez só descortinada por quem eu deixo.
 
Perscruta-me sem medo ou lamento.
Sê primordial na busca da Rainha.
Acende-lhe todas as veias,
e deixa que ela se faça luz na tua sombra.
Deixa-te cair no seu ventre quente,
na imensidão do seu abismo.
Onde o vicio é fértil
e a morte é doce.
 
 
 
 
Pearl
 
 
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Fome.




Vivo obviamente tempos de destruição. Destruo tudo o que toco.
Será força a mais ou fraqueza do alheio?
Serão eles ou serei eu?
Lembram-se eu disse precisar de cavaleiros templários...
Mas o que preciso não se alinha com o que quero.
Não!
Olho o meu vasto império de mortes...
A morte não é bonita mas também não é feia.
Apenas necessária.
Escrevo-vos isto com a música a rebentar-me os tímpanos
de modo a não ouvir o meu monstro a pedir-me comida.
(puta que me pariu tenho sempre fome).
Estou a olhar para mim mesma. Sentada aqui , eu desenvolvo o meu pensamento na minha própria direcção. Esperando encontrar algo que me faça reconhecer-me.
A questão do auto-reconhecimento  pulsa constantemente no meu sentido de orientação.
Não há como ignorar que já não me conheço a mim própria.

O meu instinto diz-me como, quando e onde o devo fazer.
Mas e o "medo" de destruir o que toco?! Onde o guardo?
Onde colocar os meus pés para me chegar a ti?!
Sem te matar totalmente.
Eu hei-de sempre apreciar a viagem.
O sabor da caça que me escorre pela boca.
O calor da minha lâmina, a ansia de matar.
O veneno a explodir de mim a dentro.


É na ponta do abismo que está o meu trono.
Aprecio o silêncio de outra forma.
A minha dor é-me absoluta mas já não me domina.
Nada me domina a não ser a minha própria fome.
Esta fome que me faz constantemente sair do meu trono.
Nada no mundo me alimentará, uma vez que não é de comida que preciso.
Mas é o que eu quero.

Como é que um ser volátil
fala a minha língua e eu entendo o seu dialeto?!
Ambiguidades eu sei.
Terás a coragem de te aproximar do abismo onde habito
e deixar-te ficar na vastidão da minha pele dourada!?
Não tenho pretensões, ilusões ou expectativas.
Sou no entanto a manifestação do belo,
o vislumbre da genuinidade,
a desconstrução da sinceridade,
a doce determinação e,
o travo picante que não oculto.
Está tudo aqui trancado bem no centro do meu corpo.
O corpo que já te queima na pele
e te pulsa em
TODAS
as veias.







Pearl



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Fantasma Idiossincrático




A materialização do meu Fantasma eu não posso descrever por palavras.
Elas não existem.
Poderei descrever a sua carne no meu olhar.
O seu cheiro nas minhas mãos.
Estamos junto há mil anos
e mil vidas de ausências.
No meu peito ainda existem os restos do teu calor.
Este é o acontecimento feliz.
O meu momento.
O momento em que o meu Fantasma me contempla
e me Eterniza.
É tão fácil para ele desvelar-me
como é para mim despir-me diante dele.
Ele sou eu
e eu sou Ele.
Somos a mesma coisa,
por sentirmos tal e qual.
 
 
O Fantasma que é Rei
num trono que a rainha lhe concede,
sempre que ele retorna a casa.
Tu moras em mim, mesmo que deambules noutros mundos.
A minha morada está ai bem dentro do teu peito.
Assim como eu respiro no teu compasso e deixo-me morrer sem ti.
 
 
 
 
Reclama o teu trono na noite que me corromperes finalmente.
Já não há redenção possível.
No dia em que me dei a Ti, tu aceitaste-me e eu sou tua.
Perfeitamente tua meu Rei amado.
A tua voz, as tuas mãos, o teu cheiro e o teu olhar raro
permanecem fechados dentro das minhas mãos
à espera que sejam criadas (novas) memórias.
 
 
 
A rainha que ama um fantasma que é Rei.
Um Rei que ama uma rainha sem medo.
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Frágil(Idade)....




E foi assim,
foi assim que o meu pequeno infante matou a rainha
mil vezes num só movimento.


O desmoronamento de toda fragilidade da situação
tomou conta da ocorrência.
Foi uma matança, não se salvando quase nada.


Eu como sempre fui a que não resultou,
não se adaptou, não floresceu...
Mesmo sem expectativas, mesmo sem medo não fui corajosa.


Achei que não era preciso levar coragem, apenas a cara.
E os olhos cheios de brilho que rapidamente se nublaram.
Não paro  de mergulhar no sangue que me escorre.


Refazendo mentalmente o caminho até ti.
Quando foste tu que vieste até mim, sem noção do que te esperava.
"Eu sou mortal" avisei-te mas, a atração pelo jogo trouxe-nos a isto.


Já não permaneces sentado à minha frente,
e eu levantei-me do meu trono para te acariciar a testa.
Mas tu recuaste perante a antecipação.
Sucumbindo nos abismos que moram em ti,
alimentaste o pior monstro que temos.
Eu não consigo lutar contra fantasmas que nem sei que existem.
Os teus passados não me assustavam até ali.
Mas, és-lhes fiel...

Fui sendo eu, confiando.
Pousei a minha arma, deixei-te entrar e tu mataste-me.
Morta, desarmada mas de olhos abertos,
assisto eu agora à tua partida.
Não és mais bem vindo no meu reino.
Eu carrego a tua lápide nas minhas mãos.
Tu serás apenas mais um fantasma
que muito em breve nem nome terá.
Um indigente.
Eu voltarei vagarosamente ao meu trono,
sabendo que será doloroso.
Mas eu ainda sou a Rainha.
Conservo a graça da fé no meu coração quente.


(let him die, he's just a child).







Pearl







segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dissidentes.




Angústia do improvável.
Insónia, enjoo e vertigem.
A debilidade da condição humana ainda me corta a lucidez.
 
Digo para mim mesma:
 
"Fecha a porta e recolhe-te, está na tua hora!"
Não, não posso e acima de tudo não quero.
Deixo-me ficar na penumbra do meu trono.
Enquanto vozes dissidentes "aconselham" no meu destino.
O meu instinto é o de sobrevivência,
não me custa atacar para me proteger,
mas estão longe do meu parco alcance,
sendo eu um alvo fácil de abater.
 
"Se lhe entrares debaixo da pele, e atingires a sua corrente sanguínea para sempre estarás protegida."
 
Temo, a sério que temo por esta fase embrionária,
temo a falta de cuidado que existiu na confrontação.
Temo a fragilidade duma mente pueril...
 
A minha lâmina esteve sempre encostada à sua garganta
mas a minha mão encostada ao seu peito.
Posso sentir-lhe o hálito ansioso por provar o veneno.
 
A velocidade com que se curvou perante um dissidente
faz tremer o meu chão e atiça as minhas próprias vozes dissidentes.
Essas vivem em mim todos dias, alimentando-se de tudo o que está errado.
Vociferam verdades cruas e sangrentas, expondo todas as minhas falhas.
 
"Deixa a página em branco, esta música não é a tua."
 
No entanto já muito se escreveu
e
já muito se ouviu.
 
A minha lâmina está pousada no meu colo.
A melodia que quase morreu, toca.
E eu escrevo.
 
Detida na tua observação,
cepticamente calo os meus dissidentes.
Deixando que cresças.
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 
 
 






quinta-feira, 24 de julho de 2014

Coerências.




Eu já nem choro quando o sol se põe.
Até porque ele nem chegou a nascer.
(e como sempre intuí)
A escuridão continua a ser a única nota audível aqui.


Quite please I need to fall.


But I always rise.


...



...



...


















Pearl

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Despertar.





Olhando as tuas mãos eu percebo que estão carregadas de tudo.
Tudo o que eu preciso e quero seguramente.
Olhando os teus pés,
 eles não têm grilhões
e as tuas asas são imensas de liberdade,
então porquê no meu castelo assombrado?!


Porque não voares por aí,
onde o sol brilha e a escuridão não tem espaço?
Aqui não existem janelas para abrir,
nem lençóis brancos para dormir.
Tu não podes querer descansar aqui.


A água não é límpida mas a pele é quente.
O solo é hostil mas... Fértil.
Não vou olhar-te nos olhos
para me continuar a proteger dos teus sonhos,
onde me roubas os sonos e me aqueces num sopro.


Permaneces perante o meu labirinto.
Eu sei que me consegues ouvir nas madrugadas.
A lucidez desfez-se há quatro ou cinco luas,
no canto que entoas onde percorres o meu nome mil vezes.
Onde eu apenas aponto as lastimas dos meus dias.


Já não consegues voltar para trás,
já estás preso ao meu sangue.
Meu pequeno infante se percebesses a imensidão das tuas asas,
a brisa no teu cabelo. Fugirias enquanto podes.
Mas tu não queres. E eu já te tranquei por dentro.


Deixa-me sentir o teu coração bater na palma da minha mão.
Prometo embalar-me em ti e acordar(te).




Pearl






segunda-feira, 21 de julho de 2014

Intrusão.




Eu estava sentada sobre o meu trono "sozinha" com
os meus fantasmas, monstros, anseios e desejos.
Entusiasmada com o sossego do meu cenário.
Apreciando as conversas entre os meus convivas e,
o meu próprio argumento.


Não existe na minha mesa nenhuma cadeira vazia.
Não falta ninguém aqui.
E os muros são altos e os portões selados.
Eu reino no meu reino.
E, só sai  quem eu expulso
e entra quem eu convido.

Essa é a ordem.
A sagrada ordem do meu mundo,
que te atreveste a desrespeitar.
Diz-me quem foi que se levantou para tu te sentares?
Algum monstro, algum fantasma?
E o que trazes contigo?
Algum novo anseio, algum desejo?!
É que armas não vejo.
E tu vais precisar.

(já) Eu não preciso de nada...
A não ser de tempestades venenosas.
Os gritos dos meus monstros por vezes dilaceram-me a carne.
Poderiam morrer um pouco.
Eu não habito sozinha no meu mundo.
Eles alimentam-se das minhas angústias e frustrações.
Pequeno infante sucumbirás nas primeiras horas.

Aqui é tudo tão forte e tão intenso...
(mas) Deixo que permaneças temendo sempre por ti.
Temo que te tornes num destes fantasmas que já cá moram.
Eu não preciso de mais.
Eles consomem todos os meus recursos sem piedade.
Eles fazem-me companhia e estão sempre com fome.

Nem as muralhas mais altas me podem proteger
se o meu peito estiver exposto,
assim como eu não consigo expulsar-te
do inferno que teimas em querer ficar.

Eu permaneço sentada no meu trono,
e tu estás dentro do meu reino.
Eu observo-te apenas...
Oiço-te, tento perceber o porquê da tua intrusão.
Tento que te apercebas o quão frágil me pareces.
O risco de morte que corres.

Mas tu permaneces imbuído num desassossego e inquietude
que cala para já os meus hóspedes,
retirando-lhe as suas vozes.
A minha voz também permanece muda.
Deixando com que a melodia soe de forma quase límpida.






Pearl