segunda-feira, 1 de junho de 2015

Human

Não há remedio possível que me cure este ambiente.
Sempre que me ausento pelo  mundo sou engolida pela natureza,
a natureza humana, o cheiro humano, o fétido e o decrepito.
O inevitável e a morte da minha inocência.

Foi edificada uma coroa na minha cabeça.
Esquecem-se que eu também sou uma mera humana
que detenho a mesma natureza, cheiro e vazio.
Sou obrigada a exibir uma superioridade que não reside em mim

Eu queria lavar-me da sujidade dos dias
e das horas que se acabam a cada fim de frase.
Eu já não tenho nada para dizer nem nada a provar.
E acho... que nada para sentir.

Enquanto o mundo me observa eu observo o mundo.
Enquanto o mundo se revela eu escondo-me nua à chuva.
No mundo, neste mesmo mundo onde eu já não quero ficar,
haverá quem se lembre da minha humanidade.
Enxugará todas as lágrimas que ainda tenho reservadas.

Sou quase tão imperturbável como sensitiva.
E nesta humanidade que me esventra o Ser
eu escolho submergir mais uma vez na Sombra.
Onde a única Luz é a minha e a minha humanidade já não me é estranha.




Pearl











3 comentários:

Anónimo disse...

Um poema brilhante...onde é que a menina foi buscar essa inspiração toda, humm? Lindoooo

WOLF disse...

Neste mundo onde ja não queres viver,NUNCA te esqueças que há pelo menos alguém que te respeita e admira tal e qual como és..uma MULHER com virtudes e defeitos,com forças e fragilidades,enfim,tal como és...um SIMPLES ser humano.

Beijo Grande minha querida amiga

PEQUENOS DELITOS RENOVADOS disse...

És humana, sujeita a teus erros e teus acertos.... sujeita a teus gostos e desgostos.
Autêntica. Dona de teu próprio nariz. De tuas vontades...
Observadora, sutil e perspicaz....
Gostei da inspiração....