Não há remedio possível que me cure este ambiente.
Sempre que me ausento pelo mundo sou engolida pela natureza,
a natureza humana, o cheiro humano, o fétido e o decrepito.
O inevitável e a morte da minha inocência.
Foi edificada uma coroa na minha cabeça.
Esquecem-se que eu também sou uma mera humana
que detenho a mesma natureza, cheiro e vazio.
Sou obrigada a exibir uma superioridade que não reside em mim
Eu queria lavar-me da sujidade dos dias
e das horas que se acabam a cada fim de frase.
Eu já não tenho nada para dizer nem nada a provar.
E acho... que nada para sentir.
Enquanto o mundo me observa eu observo o mundo.
Enquanto o mundo se revela eu escondo-me nua à chuva.
No mundo, neste mesmo mundo onde eu já não quero ficar,
haverá quem se lembre da minha humanidade.
Enxugará todas as lágrimas que ainda tenho reservadas.
Sou quase tão imperturbável como sensitiva.
E nesta humanidade que me esventra o Ser
eu escolho submergir mais uma vez na Sombra.
Onde a única Luz é a minha e a minha humanidade já não me é estranha.
Pearl
segunda-feira, 1 de junho de 2015
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3 comentários:
Um poema brilhante...onde é que a menina foi buscar essa inspiração toda, humm? Lindoooo
Neste mundo onde ja não queres viver,NUNCA te esqueças que há pelo menos alguém que te respeita e admira tal e qual como és..uma MULHER com virtudes e defeitos,com forças e fragilidades,enfim,tal como és...um SIMPLES ser humano.
Beijo Grande minha querida amiga
És humana, sujeita a teus erros e teus acertos.... sujeita a teus gostos e desgostos.
Autêntica. Dona de teu próprio nariz. De tuas vontades...
Observadora, sutil e perspicaz....
Gostei da inspiração....
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