sexta-feira, 8 de maio de 2015
Alquimia do Ser.
Desde a minha ultima batalha que resultou na minha Morte que permaneço morta a curar-me.
Não tenho feito nenhuma tentativa de erguer o olhar...
O sangue onde me deixaste a morrer apodreceu, decompôs-se juntamente com a minha frágil alegria.
Vários dias depois, quando me consegui levantar moribunda, suja e inconstante e me dirigi à porta para a Fechar... Nem de ti o rasto existia, tudo em meu redor era aridez. Toxicidade! E nem palavras eu tinha para vestir todo o despojamento que deixaste para trás. Fechei a porta por dentro mais uma vez, não permitindo que o Sol entrasse. Escolhi o frio da obscuridade e a liberdade de matar pensamentos. Não havia nada a reinventar. Caminhei nua nos vidros que quebraste, acredita já não existe sangue em mim para se esvair. Ou dor a ser sentida. Subo a minha escadaria, depois de tantos dias no chão a respirar terra seca. Avisto o meu trono sempre tão familiar, sempre à minha espera e sento-me. Fecho os olhos e,avisto a tua jaula, és um animal bem domesticado. Desejo a tua morte, encarreguei-me que a levasses contigo também. Não interessa, és um proscrito. E eu ainda sou a Rainha. E este ainda é o meu domínio.
Agora estou coberta e com uma janela aberta, tenho a intenção de ficar a contemplar tudo aquilo que renasce no meu reino. As flores, as borboletas, o solo quente e o brilho do que sempre fui fluem de forma quase imperturbável. Eu ainda mal me mexo. Observo, perscruto da minha janela uma movimentação quase indetetável. Recordo-me que fechei a minha porta por dentro, será que existe uma segunda chave? Será que houve uma intrusão? Será um inimigo? Será um aliado? Serei eu ou serás tu?
Quem poderá intrigar uma rainha de trono e coroa?! Quem se atreve a testar-lhe a simplicidade paradoxal? Toda eu sou cicatrizes, toda eu sou histórias terminadas e desassossegos inúteis. Este é o reino mais solitário dos mil mundos onde habito. Podes conhecer o universo mas eu encerro a profunda Alquimia do Ser.
Eu deixo que fiques nos meus jardins, borboletas agitam-se com essa Luz inusitada, tão perfeitamente doseada.
Os pensamentos esses deixam de morrer, a minha pele aquece e eu descanso os meus pés com a intenção de voar. Tenho pouca perceção do que me tornei depois da minha ultima batalha. Existe no entanto a aceitação do que quer que eu já seja. E o desapego absoluto do que já fui.
Pearl
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2 comentários:
Não sei,(ou sei bem) este texto tocou-me,ando um pouco também perdido,por estes dias.
Um magnifico fluir de ideias,como é habito,amiga.
Beijinhos
Brilhante este post...algo melancólico, mas muito profundo!
Acho que estou a apaixonado pelo teu blogue.
Beijinhos
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