domingo, 7 de setembro de 2014

Estranha Primavera.




Aqui onde ninguém me lê
onde não me buscam
e nem me encontram.
Eu recosto-me para apreciar uma monotonia consentida.
Apraz-me tanto os sons que não existem.
A dor que não lateja.
E as lágrimas que se detêm na minha mão.

Vive-se uma estranha Primavera no meu reino.
Onde a luz incendeia a minha audição.
Dois poços negros estão diante dos meus pés.
Tão obscuros e densos.
Revoltantemente belos.
Intocáveis para mim.
De águas ainda cristalinas e frescas.
Quase puras.

A pureza perante uma humanidade já completamente decaída.
Todas as armas foram guardadas.
E tudo se encontra limpo.
A pureza que retoma o seu lugar neste mundo.
A maravilhosa sensação que só um sorriso pode causar.
Sempre que retiro os olhos dessas aguas
descanso no horizante onde nada é aguardado.
Estamos perante um retalho de tempo que nos é concedido.

Onde foi criada essa estranha Primavera que teima em florescer e perfumar.
Que tenta acordar-me para um sono ainda mais longínquo.

A brisa suave das tuas asas calam as almas
e despertam a curiosidade do meu solo infértil.





Pearl








5 comentários:

Anónimo disse...

Há se eu pudesse entrar nesse teu reino...

PEQUENOS DELITOS RENOVADOS disse...

E eu queria, além de entrar nessa lagoa contigo, eu gostaria de pisar no teu terreno!!!
Lindo o poema... sentido!!

Nikita disse...

Um momento de paz e brisa fresca após várias batalhas? :)
Acho que é sempre a nossa [tua...] força que te impele a ver novamente o verde à tua volta, em detrimento da destruição que possa ter existido.
A vida não pára...

Um beijo grande!

SinneR disse...

uma lagoa a descobrir...

bj doce

ZeManel disse...

Aqui onde alguém te lê,
Onde (não) se te encontra,
Se sente a tuas emoções,
As tuas alegrias e os teus fantasmas,
Os teus prazeres e a sua ausência.
Aqui onde os virtuais 'amigos' se comunicam.
Aqui.
Beijos ;)))