quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Fome.
Vivo obviamente tempos de destruição. Destruo tudo o que toco.
Será força a mais ou fraqueza do alheio?
Serão eles ou serei eu?
Lembram-se eu disse precisar de cavaleiros templários...
Mas o que preciso não se alinha com o que quero.
Não!
Olho o meu vasto império de mortes...
A morte não é bonita mas também não é feia.
Apenas necessária.
Escrevo-vos isto com a música a rebentar-me os tímpanos
de modo a não ouvir o meu monstro a pedir-me comida.
(puta que me pariu tenho sempre fome).
Estou a olhar para mim mesma. Sentada aqui , eu desenvolvo o meu pensamento na minha própria direcção. Esperando encontrar algo que me faça reconhecer-me.
A questão do auto-reconhecimento pulsa constantemente no meu sentido de orientação.
Não há como ignorar que já não me conheço a mim própria.
O meu instinto diz-me como, quando e onde o devo fazer.
Mas e o "medo" de destruir o que toco?! Onde o guardo?
Onde colocar os meus pés para me chegar a ti?!
Sem te matar totalmente.
Eu hei-de sempre apreciar a viagem.
O sabor da caça que me escorre pela boca.
O calor da minha lâmina, a ansia de matar.
O veneno a explodir de mim a dentro.
É na ponta do abismo que está o meu trono.
Aprecio o silêncio de outra forma.
A minha dor é-me absoluta mas já não me domina.
Nada me domina a não ser a minha própria fome.
Esta fome que me faz constantemente sair do meu trono.
Nada no mundo me alimentará, uma vez que não é de comida que preciso.
Mas é o que eu quero.
Como é que um ser volátil
fala a minha língua e eu entendo o seu dialeto?!
Ambiguidades eu sei.
Terás a coragem de te aproximar do abismo onde habito
e deixar-te ficar na vastidão da minha pele dourada!?
Não tenho pretensões, ilusões ou expectativas.
Sou no entanto a manifestação do belo,
o vislumbre da genuinidade,
a desconstrução da sinceridade,
a doce determinação e,
o travo picante que não oculto.
Está tudo aqui trancado bem no centro do meu corpo.
O corpo que já te queima na pele
e te pulsa em
TODAS
as veias.
Pearl
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4 comentários:
Que o repasto seja farto e nutritivo... E que os temperos sejam tão equilibrados quanto os tempos de cozedura. Se bem que o travo picante é imperativo no Império de qualquer Rainha.
Eros os tempos de cozedura são de facto importantes mas eu não sou esquisita.
Nunca comeste nada crú perante uma fome atroz?!
Perante o instinto de auto preservação abdico de certos requintes. Nunca no entanto abdicando do travo a picante.
:)
A rainha beija-te com a boca ensanguentada.
Eu acho que quando sentimos que matamos em que tocamos, provavelmente, é altura de parar um pouco. A nossa força está muitas vezes desencontrada das dos demais, ao longo do tempo. E a frustração de perceber que não há ninguém que consiga aguentar o impacto, ainda nos traz mais força...raivosa. Por vezes é hora se ficar quieto, viver e deixar viver...
Quando à fome...essa é o melhor tempero que pode existir. Para tudo!
Beijo na rainha ;)
O bem que sabe pelo mal que faz...As vezes é só isso...:)
Beijos em ti :)
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