quarta-feira, 23 de julho de 2014

Despertar.





Olhando as tuas mãos eu percebo que estão carregadas de tudo.
Tudo o que eu preciso e quero seguramente.
Olhando os teus pés,
 eles não têm grilhões
e as tuas asas são imensas de liberdade,
então porquê no meu castelo assombrado?!


Porque não voares por aí,
onde o sol brilha e a escuridão não tem espaço?
Aqui não existem janelas para abrir,
nem lençóis brancos para dormir.
Tu não podes querer descansar aqui.


A água não é límpida mas a pele é quente.
O solo é hostil mas... Fértil.
Não vou olhar-te nos olhos
para me continuar a proteger dos teus sonhos,
onde me roubas os sonos e me aqueces num sopro.


Permaneces perante o meu labirinto.
Eu sei que me consegues ouvir nas madrugadas.
A lucidez desfez-se há quatro ou cinco luas,
no canto que entoas onde percorres o meu nome mil vezes.
Onde eu apenas aponto as lastimas dos meus dias.


Já não consegues voltar para trás,
já estás preso ao meu sangue.
Meu pequeno infante se percebesses a imensidão das tuas asas,
a brisa no teu cabelo. Fugirias enquanto podes.
Mas tu não queres. E eu já te tranquei por dentro.


Deixa-me sentir o teu coração bater na palma da minha mão.
Prometo embalar-me em ti e acordar(te).




Pearl






4 comentários:

(Ela) disse...

Incontornável!

Beijo d'(Ela)

Imprópriaparaconsumo disse...

Os labirintos foram feitos para não podermos sair. Talvez o teu seja desses, uma teia que brilha na noite. Pelo menos, é isso que eu sinto. :)
Beijos :)

Eros disse...

Emoção deliciosamente destilada...

Preto Guiné disse...

Bom quando se está preso um no outro

Beijo