sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O Último Silêncio

 
 
 
"It's like you're screaming, and no one can hear
You almost feel ashamed
That someone could be that important
That without them, you feel like nothing
No one will ever understand how much it hurts
You feel hopeless; like nothing can save you
And when it's over, and it's gone
You almost wish that you could have all that bad stuff back
So that you could have the good..."


Ora, o silêncio apesar de silencioso pode ter muitas interpretações. Pode ser interpretado como uma desconsideração desconforme e quase que desnecessária. Até porque a quebra dum silêncio é sempre positiva pelo menos para quem fica esclarecido.
Ora eu, que dou sempre o que tenho e posso, ver-me resumida ao mais profundo dos silêncios é muito constrangedor. Isto faz-me pensar de todas as vezes que hesitei, de todas as vezes que  avancei. Mas eu não hesitei nem avancei. Fui hesitada, avançada e agora esquecida numa qualquer prateleira do sótão da vida, qual boneca áurea no seu tempo mas, que se tornou entretanto obsoleta. E quem sabe até substituída.
Mas quero ressalvar que enquanto o jogo durou eu fui a peça consciente. Nunca cega ou omissa da minha condição.
O medo deste dia fez-me hesitar em enfrenta-lo e, feridas antigas foram abertas e sangram. (Porque numa vida inteira pode acontecer não termos cinco minutos para darmos a alguém.) Sangram mas não me doem como eu pensei que doessem. É o que é! Eu não sou um fantasma. Sou de carne e osso. Sou uma Mulher. Apenas isso e com tudo que isso encerra. Reportório não tenho mais. E os meus braços estão em baixo porque já não suporto mais tê-los abertos. Porque a minha pele não suporta mais não ser sentida e eu preciso de dormir. Preciso de mim novamente. Completa, inteira e disposta, porque um mundo morreu mas o meu persiste. A Luz apaga-se sem eu lhe ter tocado tão pouco. Não pude desmistificar mas, pude desiludir-me. O que não deixa de ser importante na decisão que nos foi imposta... No silêncio que me foi imposto. O meu sorriso é lindo demais para não se concretizar. O meu coração é imenso para eu o deixar murchar. E não fui eu que perdi. Não fui. Disso eu sempre soube. Nisso eu sempre acreditei. O que vem a seguir não sei. Mas nada é por acaso. Vou curar-me. Descansar. Talvez a única coisa que eu leve disto tudo. Será o porquê. Mas os porquês são perecíveis.
 
 
 
 
 
 
 
Pearl 

4 comentários:

BlackQuartzo disse...

Somos fantasmas aqui fechados.
E isso está errado.
Está errado, quando existe um sol que nasce diariamente lá fora.

Pearl disse...

BQ não, não somos fantasmas. Sermos fantasmas é um estado que se alimenta meu amigo. E sinceramente se tu sabes que o sol está lá fora (e está) vai lá fora e deixa que ele te queime a pele. Não te deixes enterrar enquanto ainda estás vivo.


beijinho :)

BlackQuartzo disse...

Sim, lá fora somos vivos.

Anónimo disse...

Não interessa o que vem a seguir, interessa simplesmente que venha :)