Olho-te sem te olhar
vês-me sem me ver
sentes o meu cheiro
sem te aproximar
conheces a minha mão
sem nunca a ter sentido!
O movimento do meu corpo
que não tem sombra,
a luz que me ilumina
sabes a sua cor
e até quando acende!
Sinais, palavras
mentes as nossas
olhares sem nome
sentires anónimos!
Vejo-te da tal janela
que não se quer fechar!
Vejo-te da tal janela
escondido na multidão
preterido por algo
que não absorvo
de algo que eu não conheço!
Na margem permaneces
no meio eu estou!
Sem te ver
sei-te sentir
sem me aproximar
sei-te saborear!
...sei,
que sei
e sei ainda
que tu sabes!
E é neste "saber"
que ficamos intemporais,
imóveis perante a janela!
Não a feches...
deixa-a aberta
deixa a luz acesa
sei que me esperas na madrugada!
Cúmplice de insónia!
Juro que não faço barulho
que fico a ver-te calada!
No meu silêncio
eu sou única
e na minha singularidade
tu abres-me o teu mundo!
Porque há mentes que não dormem
porque há janelas que não se fecham
porque Eu..
sou folha branca
e Tu lápis a carvão
e nós somos ...
reconstrução!
Pearl

3 comentários:
Pura Poesia!
Palavras com um poder avassalador, comprimido num suspiro.
Deixarei a janela aberta...
O poder da harmonia, da comunião. Para mim, foi um dos seus mais bonitos poemas. Bjs
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