segunda-feira, 12 de julho de 2010
exorcismo
Há medida que as notas do piano se elevam e os violinos me corroem os ouvidos, a minha caneta castiga a folha branca no seu desnível.
Todas as palavras me assaltam a mente atrapalhando-me os dedos, que por esta hora já congelaram.
Sonhos, ilusões e decibéis se misturam fazendo com que volte a gesticular sentimentos.
Tudo se desfragmenta e alinha de novo na capacidade de se reconstruir...ai a influencia que é como uma doença contagiosa que não quero nem inflijo.
Não tem mal estar sozinha, não tem mal assumir a solidão se tanta vez me definiu como gente e até me trouxe estatuto e redenção. Claro que o meu sorriso é irónico apesar de detestar a ironia que por vezes me assalta o peito fazendo-me contrair na dor de me assumir nesta condição.
A melodia agora é leve e suave o que faz com que não corra tanto, não me engane tanto. Sou como sou, sem tirar nem pôr, gosto no entanto do que me acrescenta. Não tento, mas acontece que quero sempre mais. Que sou como algo que faz esvair até não haver mais para dar, eu que tudo o que toco se torna venenoso e inalcansável. É facto, já vi antes diante dos meus olhos incrédulos.
Sou paz e estou em paz, a melodia finalmente se dilui no meu corpo: a intensidade não se mede nas palavras mas no que sentimos quando as redigimos escondidos no nosso mundinho interior, onde não envergamos máscaras nem sabedorias patéticas. Só estou eu...nua e despida de tudo que se aprende sem querer.
O papel acabou apesar de ainda existir tinta e a música ir finalmente a meio.
As palavras conseguiram mais uma vez exorcizar-me. Pôr-me no lugar que quero estar. Aquele lugar onde mais conforto sinto e menos necessidades tenho.
terminou a música e eu rasgo o papel...guardando a caneta.
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4 comentários:
Tenho-te o lugar guardado.
beijo
A música é o canalizador de sentimentos e emoções ideal para quem escreve (e sente a música que ouve). Raramente escrevo sem música, ajuda-me a ouvir melhor o que tenho para me dizer e a exorcizar o que se entrenha lá dentro.
"Não tento, mas acontece que quero sempre mais." Embora querer sempre mais traga um sentimento de insatisfação, gosto do desafio de querer mais. É uma parte da minha natureza à qual é-me impossível escapar...
"Não tento, mas acontece que quero sempre mais."
princesa...cada vez mais quero menos!
beijo
ps: uma palavra...saudade!
Caríssima,
Exorcismo sempre foi a minha palavra preferida... :)
Um beijo com saudade,
F
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