É hora de não levar bagagem
é hora de tapar os móveis
com lençois macios!
Os móveis que sustentaram
lágrimas e sorrisos
que sustentaram meu corpo cansado tanta vez!
Nas paredes tenho pinturas
de artistas com o meu nome
de paisagens que só eu vi
que sou eu experimentei.
Têm os sonhos calados
e olhares pasmados
pelo o que vi
pelo o que senti!
No chão já não toca o meu salto
o balanço do meu corpo
já não é sentido aqui
a madeira já não range quando eu passo
...calou-se...
e já não quero senti-lo nos meus pés!
A música já não toca,
já não é a minha musica
já não me pede que dance...
Fecho portas, corro cortinas
as divisões da minha casa estão condensadas
em memórias
em fantasmas que passeiam por aqui
pedindo que eu fique mais um pouco
...aceno que não...
Fecho a ultima janela
vejo mais uma vez a paisagem daqui,
serena mas tumultuosa!
Sinto o cheiro
daquele sitio que já foi meu
que não pensei mais sair!
Um último olhar
o derradeiro cheirar.
Dirigo-me segura para a porta,
numa certeza urgente!
Já não existe ali calor
já não existe ali o som da vida
porque são as unicas coisas que
trago na bagagem
Fecho a porta
dou-lhe costas
afasto-me
olho de novo
e já não estou lá!
Sinto a brisa...
é minha...
Empurra-me para longe,
já não pertenço ali!
Pertenço onde quero estar,
a minha morada é onde cresço!