Afirmarmos que não precisamos disto e daquilo, de tudo e nada para sermos felizes é tão vazio como falso. A minha única inveja será o facto de não ser superiormente amada. Esse... o Amor que serve de nota para tantas músicas, que enche páginas e páginas, e que serve de desculpa para fodermos até matarmos a nossa imortalidade. Haverá quem nem o pronuncie quanto mais o sinta, eu pronuncio como se o chamasse. Eu permito-me a ele como se duma onda se tratasse e eu fosse a rocha (eu sou a rocha). Quantas palavras encharcadas em Amor eu já ouvi? Quantas folhas já deixei voar nos meus longos Invernos isentos de presenças. A questão é que eu já não acredito e não gosto que me digam que devo acreditar. Porque isto não se trata de ser crente mas de amar.
Algo que não se procura nem encontra, ele nasce se for semeado. Precisaremos portanto dessas sementes tão raras.
Amor daquele que nos prende pelos pulsos, que nos mata num olhar e nos queima no veneno dum beijo...
A minha exigência é tão longa quanto a minha espera e de facto eu prefiro viver isolada no meu modo de existir do que iludida numa versão mais branda. Palavras são meramente palavras se não forem validadas por paredes frias e camas quentes. Nada suplanta o cheiro dum Amor consumado ou a dor da tenebrosa despedida.
De facto os amantes são felizes mesmo que vivam enredados no labirinto dum Amor. É assim que vale a pena, amar de forma crua e directa onde nunca se sabe o seu inicio ou o seu término.
Eu sou assim, acho que preciso de muito, de tudo e de forma constante. (e) No Amor não seria diferente, pena é que intensidade semelhante à minha eu não tenha ainda conhecido...
E que na palma da minha mão eu tenha apenas sementes de amor condenado.
Pearl




















