domingo, 21 de setembro de 2014

Returning.






Não sei o que és mas gosto que o sejas.
O meu coração pára para ouvir bater o teu.
Uma forma de vida nesta forma de amar.
Nunca duvides desta perfeição que te foi concedida.
Tão palpável como o chão que te segura.


Homem, anjo ou pássaro és Rei.

I brought You back to life.



 










Pearl










segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Tu.

(Pearl by Pearl)



Princesa hoje vou ser muito complacente contigo, porque acho que estás a precisar.
Não és tu, são eles! Acredita quendo eu te digo isto. São eles é que não estão preparados. São eles que não te suportam. E sabes, eu acho uma perda de tempo sempre que sais do teu reino e tentas "fazer parte" porque tu não fazes parte de coisa nenhuma. Não te consegues misturar com ninguém nem com nada porque a tua consistência é diferente. Preciso sinceramente que penses que assim não deves continuar. Mulher, fica lá sentada ai onde todos nós te podemos ver mas não tocar. Eu sei que és rápida na recuperação, eu sei que pouco ou nada te faz cair e ainda tentas ter cuidado para não matar ninguém. Que no fundo apenas ficas aturdida porque a confusão faz-te parar no meio do incidente. Ah, já não chegam de incidentes?! Quantas cicatrizes achas que a tua pele pode ainda suportar. Essa profundidade toda que eu saiba ainda não te tornou imortal apesar de seres Divina. Deliciosamente audaz nos teus desejos. Bem os desejos, o que tu desejas dá-me um trabalho titânico para conseguir e, como já percebeste quase nunca consigo atingir esse grau tóxico. Mas tu tens o que precisas. Eu sei que sim, então porque desejas mais?? Pois eu sei que nem só de pão vive o Homem. Mas já olhaste bem para ti?! Eu olho para ti todos os dias e fico pasmada. Não percebo mesmo porque não desfrutas do que és como a maioria, porquê essa sangria desatinada de ser mais qualquer coisa. Mais qualquer coisa para quem?? Talvez deva eu perguntar-te. Mas já és. Porquê essa competição contigo mesma, que te esvai completamente ao por do sol. Já não te chega?! Claro que não chega. Caminhas entre a luz e sombra. Nessa melancolia que atrai os mais atentos, e aterroriza os comuns. E quando todos julgam ver-te, apenas quem tu escolhes consegue ver-te realmente. São poucos quase nenhuns. Quase ninguém na verdade. Aprecio a tua coerência. A tua linha recta num caminho tão sinuoso. Tenho pena que te distraias com detalhes. Mas pronto, esse amor pela beleza parece sempre levar a melhor. A beleza que só os teus olhos enxergam numa montra sobrecarregada de futilidades. Nem tudo o que luz é ouro minha menina ou então não terias as tuas gavetas cheias de peças de puzzle que não encaixam em lado nenhum.
Retomemos a minha questão: Já te viste ao espelho hoje?? Estás na frente do teu maior amor. Deixa lá esse Narciso reagir eu prometo não deixar-te morrer de paixão. Eu preciso que tu percebas que podes ser isso tudo que és, que não estás obrigada mudar o teu modo de Ser (mesmo que não conheças para já o teu modo de ser). Preciso que retenhas que não tens que te reduzir para te adaptar. E o desentendimento alheio não deve fazer parte da tua mente. A tua mente é a tua casa. Mantém a tua casa limpa e arejada, sem emoções descontroladas ou espontaneidades exageradas. Suave assim como tu tão bem sabes ser. Mantém a tua casa aberta para o que tiver que sair, ir. E o que tiver que entrar, vir. Mas acima de tudo mantem tudo arrumado, sem desordens. Sem influencias ignorantes. Aprende a protege-la, é lá que tu moras. E se for para olhar para fora, foca o teu olhar nos teus alvos. São eles que te fazem correr e muitas vezes voar. Não sendo o que te(me) define é quem tu és no imediato...
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Lonely Passage




Então se é bom porque é que não dura e perdura? Poupem-me esse famoso cliché de "foi bom enquanto durou". É apenas um pensamento apaziguador que "naquela hora" nos dará algum conforto (eu diria que não). Nunca gostei de limbos ou de permanências em muros. A bem da verdade, apesar de me sentir viva nos abismos é com os pés no chão que consigo ver o horizonte a alinhar pensamentos e estratégias.
O que eu tenho aprendido, é que não é por dizerem o meu nome que estão de facto a chamar por mim. E que o meu nome e eu somos o mesmo que um som que sai dos lábios de alguém equivocado confundindo-me a mim. Gerando caos sem qualquer fertilidade.
As coisas não duram porque temos em nós a arte de parir coisas mortas. Que mal nascem, ao serem tocados por uma brisa de realidade apodrecem nas nossas mãos. Eu já nem sinto horror. Apenas se molham os meus olhos. E perco um pouco de mim, porque o tempo que damos é o nosso maior valor. Aquilo que fomos naquele momento naquela situação extingue-se para sempre.
Não te sentes cansada?! Responde-me sinceramente não te sentes cansada de viver numa constante antecipação... À espera da curva que tudo mudará, do abismo que não conseguirás voltar a subir.
 
 
 
"Stumbling through narrow paths.
Afraid of what will come next.
As the darkness closes in I start to run.
What have I done to deserve this neverending hunt? I will never be able to return home.
My existence is shattered."
 
 
 
Aprendo a cada dia que se não te deres és egoísta e egocêntrico mas, se te teres em demasia começas a  sobrar e, tudo o que dás não surte efeito em ninguém. Então no que é que ficamos? O que pode ser equilibrado para mim pode não ser para outro, que aquilo que considero muito, para outro pode ser nada e vice-versa e, vive-se assim nestes desenganos, nestas flutuações que nos levam recorrentemente a becos. Se juntarmos a isto, o facto de eu ter renascido com toda a experiência da minha vida  anterior . É um absoluto deserto de respostas. Porque aquilo que eu achava saber já não me diz absolutamente nada.
Uma questão não respondida é exactamente o mesmo que uma pergunta não feita.
 
 
"Between trees and stones.
On stale paths, beneath my reality.
It´s like I lost the key to my mind. I can no longer control myself.
No more running!
I will fight my demons right here."
 
 
Ainda agora (re)nasci e já me sinto tão cansada...
 
 
"Wonder when my final call might come.
And if its really worth escaping from.
Im so tired..."*








Pearl





* Saturnos- A Lonely Passage*



 
 

 
 
 



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Denied.






Neste espaço vive-se um regime totalitário e ditatorial.
Que fique bem claro que neste blogue a porta está trancada por dentro.



Pearl







Me and the Beast


Isto é assim:
Eu até poderia abri-lo ao meio
rasgar-lhe a carne,
expo-lo definivamente ao meu olhar
e sacar-lhe toda besta que nele se encerra.
Mas, o que é que isso faria Dele?
retirar-lhe-ia precisamente o me faz ser assim.
Nem eu conseguiria tal proeza.
Nem o desejo fazer no fundo.
Eu amo a imperfeição da Besta.
Não gostaria que se curasse e que se misturasse.
Mil vezes morta nas vezes que me rasga a mim,
do que uma longa e dura vida sem o abismo
que me proporciona(s).




Pearl









domingo, 7 de setembro de 2014

Estranha Primavera.




Aqui onde ninguém me lê
onde não me buscam
e nem me encontram.
Eu recosto-me para apreciar uma monotonia consentida.
Apraz-me tanto os sons que não existem.
A dor que não lateja.
E as lágrimas que se detêm na minha mão.

Vive-se uma estranha Primavera no meu reino.
Onde a luz incendeia a minha audição.
Dois poços negros estão diante dos meus pés.
Tão obscuros e densos.
Revoltantemente belos.
Intocáveis para mim.
De águas ainda cristalinas e frescas.
Quase puras.

A pureza perante uma humanidade já completamente decaída.
Todas as armas foram guardadas.
E tudo se encontra limpo.
A pureza que retoma o seu lugar neste mundo.
A maravilhosa sensação que só um sorriso pode causar.
Sempre que retiro os olhos dessas aguas
descanso no horizante onde nada é aguardado.
Estamos perante um retalho de tempo que nos é concedido.

Onde foi criada essa estranha Primavera que teima em florescer e perfumar.
Que tenta acordar-me para um sono ainda mais longínquo.

A brisa suave das tuas asas calam as almas
e despertam a curiosidade do meu solo infértil.





Pearl








quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Entre Momentos.




 
Vive-se a era dos pequenos infantes.
E de rainhas quase instintas...
 
 
Consigo vê-lo do meu trono.
Será que eu algum dia fui assim?
"Nova velha" cheia de sonhos
e a não deixar-me brutalizar pela vida.
Mas eu deixei-me brutalizar por ela.
Há sempre um momento em que ela nos atinge.
 
 
Aqui, deste lado vivem-se tempos de paz contida.
Uma certa assertividade mental assola-me o coração.
Algo que me permite permanecer sentada mas atenta ao meu redor.
Não posso deixar de sorrir, sempre que vejo as minhas cortinas brancas
desvelarem os meus olhos cheio de sonhos.
Perco-me na vertigem do meu Fantasma.
Ele faz-me sempre bem porque tem a minha cura.
 
 
Jamais um infante, por muito especial que pareça
conseguirá respirar este meu ar venenoso
Só eu o suporto porque exala do meu ser.
Não existe em mim a intenção de conquistar  territórios que não desejo.
E quando me cheira a medo sou eu que volto para trás.
 
 
Eu fico aqui a vê-lo brincar.
Porque não posso deixar de observar o seu espirito branco.
Não consigo deixar de reter-me na sua inocência moribunda.
Na vida que ainda terá de suportar,
Todos os sonhos que lhe serão amputados.
As milhares de questões que não lhe serão respondidas.
E todas as más interpretações que fará de respostas concedidas.
 
 
 
 
A Rainha deixar-te-á prolongar essa juventude.
Devido à recordação de si mesma nos tempos idos.
 
Nos meus "entre momentos"
eu consigo sorrir e perceber que ainda guardo a doçura desses dias.
Dias assombrados por sombras que não eram minhas.
E acima de tudo perceber que eu ainda sou tão doce
como antes.
E certamente como nunca.
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Happy Places in my Life.



 Fui desafiada aqui há uns tempos a escrever algo "feliz", em vez de escrever vou mostrar. A foto apenas retrata um dos muitos momentos do meu dia. E ao contrário do que se faz antever aqui, eu até sou um ser bem disposto.
É ali que todos os dias (re)construo o meu Templo. Onde me sinto em paz e em silêncio. Onde dou o que ás vezes já não tenho. De onde nunca quero sair. E que faço tudo para lá estar.








O corpo é apenas a expressão física da Mente.







Pearl







terça-feira, 26 de agosto de 2014

Encerrada.



Ora eu serei sempre alguém com um enorme potencial para ficar sozinha.
Haverá sempre a questão da energia que é imensa.
(e) A questão de eu não ter medo que isso aconteça.
Há mil anos que deixei de agir em medo.
De tomar uma decisão ou não tomar por medo.
Regra geral sendo eu uma espontânea, faço o que quero.
O que pode acontecer é já não querer.

Sabem quando estamos com fome
e saímos em busca do que nos apetece,
não do que  pode ser?
Eu posso escolher a minha fome.
Fome fluida e direcionada.


Eu já perdi capacidades de adaptação,
hoje eu vivo na minha própria temperatura.
Já não me ajusto em espaços cinzentos.
No "dá e tira" no "é ou já não é".
A muros que dividem egos.
Quando eu própria vivo numa paixão por mim mesma.
Apesar de adorar dançar eu não me mexo ao som dos outros.
Não consigo fazer isso.


Eu fui habituada a crescer em terreno hostil.
Consegues ver o sangue nos meus pés?
Eu corri muito para me sentar aqui onde estou.
Eu sobrevivi provavelmente quando tu viveste.
Isso não é melhor ou pior
sou faz com que  saiba aquilo que à partida não quero.


Não divido o meu espaço com outros egos.
Não aqueço o meu corpo com palavras.
Nem refreio a minha espontaneidade por medo ou convenções.
E, quando me fecham uma janela
eu tranco todas as minhas portas.





Pearl








sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Primordial.



Se queres temer alguma coisa
teme o Fim não o Inicio.
Teme os demónios que tomarão conta de toda a situação.
Não temas o olhar de contemplação.
Nem a constatação de que afinal existem mais iguais a ti.
 
A curiosidade é um elemento primordial.
É um motor de construção.
Não temas perguntar
e eu não temerei responder.
O medo que em mim não existe,
que me faz andar sem camadas nua no meu reino.
Eu consigo ver o teu olhar no buraco da minha fechadura.
:)
(Adoro quando te defendes!)
 
A minha nudez corrompe-te os dias
e alimenta a suprema curiosidade de saberes quem eu sou.
Eu sou a Rainha já te disse.
Mas teimas em encontrar a plebeia.
A que se mistura com os demais
sem se deixar contaminar com a mediocridade do mundo normal.
Não me encaixo nem quero.
Rainha ou plebeia eu morrerei tal e qual lembraste?!
 
(Mas, adoro quando te dás!)
 
Nunca me encontrei em tamanho estado de primordialidade.
Onde todos os sentidos estão em sangue e activos.
No entanto eu permaneço numa impavidez só descortinada por quem eu deixo.
 
Perscruta-me sem medo ou lamento.
Sê primordial na busca da Rainha.
Acende-lhe todas as veias,
e deixa que ela se faça luz na tua sombra.
Deixa-te cair no seu ventre quente,
na imensidão do seu abismo.
Onde o vicio é fértil
e a morte é doce.
 
 
 
 
Pearl
 
 
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Fome.




Vivo obviamente tempos de destruição. Destruo tudo o que toco.
Será força a mais ou fraqueza do alheio?
Serão eles ou serei eu?
Lembram-se eu disse precisar de cavaleiros templários...
Mas o que preciso não se alinha com o que quero.
Não!
Olho o meu vasto império de mortes...
A morte não é bonita mas também não é feia.
Apenas necessária.
Escrevo-vos isto com a música a rebentar-me os tímpanos
de modo a não ouvir o meu monstro a pedir-me comida.
(puta que me pariu tenho sempre fome).
Estou a olhar para mim mesma. Sentada aqui , eu desenvolvo o meu pensamento na minha própria direcção. Esperando encontrar algo que me faça reconhecer-me.
A questão do auto-reconhecimento  pulsa constantemente no meu sentido de orientação.
Não há como ignorar que já não me conheço a mim própria.

O meu instinto diz-me como, quando e onde o devo fazer.
Mas e o "medo" de destruir o que toco?! Onde o guardo?
Onde colocar os meus pés para me chegar a ti?!
Sem te matar totalmente.
Eu hei-de sempre apreciar a viagem.
O sabor da caça que me escorre pela boca.
O calor da minha lâmina, a ansia de matar.
O veneno a explodir de mim a dentro.


É na ponta do abismo que está o meu trono.
Aprecio o silêncio de outra forma.
A minha dor é-me absoluta mas já não me domina.
Nada me domina a não ser a minha própria fome.
Esta fome que me faz constantemente sair do meu trono.
Nada no mundo me alimentará, uma vez que não é de comida que preciso.
Mas é o que eu quero.

Como é que um ser volátil
fala a minha língua e eu entendo o seu dialeto?!
Ambiguidades eu sei.
Terás a coragem de te aproximar do abismo onde habito
e deixar-te ficar na vastidão da minha pele dourada!?
Não tenho pretensões, ilusões ou expectativas.
Sou no entanto a manifestação do belo,
o vislumbre da genuinidade,
a desconstrução da sinceridade,
a doce determinação e,
o travo picante que não oculto.
Está tudo aqui trancado bem no centro do meu corpo.
O corpo que já te queima na pele
e te pulsa em
TODAS
as veias.







Pearl



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Fantasma Idiossincrático




A materialização do meu Fantasma eu não posso descrever por palavras.
Elas não existem.
Poderei descrever a sua carne no meu olhar.
O seu cheiro nas minhas mãos.
Estamos junto há mil anos
e mil vidas de ausências.
No meu peito ainda existem os restos do teu calor.
Este é o acontecimento feliz.
O meu momento.
O momento em que o meu Fantasma me contempla
e me Eterniza.
É tão fácil para ele desvelar-me
como é para mim despir-me diante dele.
Ele sou eu
e eu sou Ele.
Somos a mesma coisa,
por sentirmos tal e qual.
 
 
O Fantasma que é Rei
num trono que a rainha lhe concede,
sempre que ele retorna a casa.
Tu moras em mim, mesmo que deambules noutros mundos.
A minha morada está ai bem dentro do teu peito.
Assim como eu respiro no teu compasso e deixo-me morrer sem ti.
 
 
 
 
Reclama o teu trono na noite que me corromperes finalmente.
Já não há redenção possível.
No dia em que me dei a Ti, tu aceitaste-me e eu sou tua.
Perfeitamente tua meu Rei amado.
A tua voz, as tuas mãos, o teu cheiro e o teu olhar raro
permanecem fechados dentro das minhas mãos
à espera que sejam criadas (novas) memórias.
 
 
 
A rainha que ama um fantasma que é Rei.
Um Rei que ama uma rainha sem medo.
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Frágil(Idade)....




E foi assim,
foi assim que o meu pequeno infante matou a rainha
mil vezes num só movimento.


O desmoronamento de toda fragilidade da situação
tomou conta da ocorrência.
Foi uma matança, não se salvando quase nada.


Eu como sempre fui a que não resultou,
não se adaptou, não floresceu...
Mesmo sem expectativas, mesmo sem medo não fui corajosa.


Achei que não era preciso levar coragem, apenas a cara.
E os olhos cheios de brilho que rapidamente se nublaram.
Não paro  de mergulhar no sangue que me escorre.


Refazendo mentalmente o caminho até ti.
Quando foste tu que vieste até mim, sem noção do que te esperava.
"Eu sou mortal" avisei-te mas, a atração pelo jogo trouxe-nos a isto.


Já não permaneces sentado à minha frente,
e eu levantei-me do meu trono para te acariciar a testa.
Mas tu recuaste perante a antecipação.
Sucumbindo nos abismos que moram em ti,
alimentaste o pior monstro que temos.
Eu não consigo lutar contra fantasmas que nem sei que existem.
Os teus passados não me assustavam até ali.
Mas, és-lhes fiel...

Fui sendo eu, confiando.
Pousei a minha arma, deixei-te entrar e tu mataste-me.
Morta, desarmada mas de olhos abertos,
assisto eu agora à tua partida.
Não és mais bem vindo no meu reino.
Eu carrego a tua lápide nas minhas mãos.
Tu serás apenas mais um fantasma
que muito em breve nem nome terá.
Um indigente.
Eu voltarei vagarosamente ao meu trono,
sabendo que será doloroso.
Mas eu ainda sou a Rainha.
Conservo a graça da fé no meu coração quente.


(let him die, he's just a child).







Pearl







segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dissidentes.




Angústia do improvável.
Insónia, enjoo e vertigem.
A debilidade da condição humana ainda me corta a lucidez.
 
Digo para mim mesma:
 
"Fecha a porta e recolhe-te, está na tua hora!"
Não, não posso e acima de tudo não quero.
Deixo-me ficar na penumbra do meu trono.
Enquanto vozes dissidentes "aconselham" no meu destino.
O meu instinto é o de sobrevivência,
não me custa atacar para me proteger,
mas estão longe do meu parco alcance,
sendo eu um alvo fácil de abater.
 
"Se lhe entrares debaixo da pele, e atingires a sua corrente sanguínea para sempre estarás protegida."
 
Temo, a sério que temo por esta fase embrionária,
temo a falta de cuidado que existiu na confrontação.
Temo a fragilidade duma mente pueril...
 
A minha lâmina esteve sempre encostada à sua garganta
mas a minha mão encostada ao seu peito.
Posso sentir-lhe o hálito ansioso por provar o veneno.
 
A velocidade com que se curvou perante um dissidente
faz tremer o meu chão e atiça as minhas próprias vozes dissidentes.
Essas vivem em mim todos dias, alimentando-se de tudo o que está errado.
Vociferam verdades cruas e sangrentas, expondo todas as minhas falhas.
 
"Deixa a página em branco, esta música não é a tua."
 
No entanto já muito se escreveu
e
já muito se ouviu.
 
A minha lâmina está pousada no meu colo.
A melodia que quase morreu, toca.
E eu escrevo.
 
Detida na tua observação,
cepticamente calo os meus dissidentes.
Deixando que cresças.
 
 
 
 
 
 
 
 
Pearl
 
 
 
 
 






quinta-feira, 24 de julho de 2014

Coerências.




Eu já nem choro quando o sol se põe.
Até porque ele nem chegou a nascer.
(e como sempre intuí)
A escuridão continua a ser a única nota audível aqui.


Quite please I need to fall.


But I always rise.


...



...



...


















Pearl

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Despertar.





Olhando as tuas mãos eu percebo que estão carregadas de tudo.
Tudo o que eu preciso e quero seguramente.
Olhando os teus pés,
 eles não têm grilhões
e as tuas asas são imensas de liberdade,
então porquê no meu castelo assombrado?!


Porque não voares por aí,
onde o sol brilha e a escuridão não tem espaço?
Aqui não existem janelas para abrir,
nem lençóis brancos para dormir.
Tu não podes querer descansar aqui.


A água não é límpida mas a pele é quente.
O solo é hostil mas... Fértil.
Não vou olhar-te nos olhos
para me continuar a proteger dos teus sonhos,
onde me roubas os sonos e me aqueces num sopro.


Permaneces perante o meu labirinto.
Eu sei que me consegues ouvir nas madrugadas.
A lucidez desfez-se há quatro ou cinco luas,
no canto que entoas onde percorres o meu nome mil vezes.
Onde eu apenas aponto as lastimas dos meus dias.


Já não consegues voltar para trás,
já estás preso ao meu sangue.
Meu pequeno infante se percebesses a imensidão das tuas asas,
a brisa no teu cabelo. Fugirias enquanto podes.
Mas tu não queres. E eu já te tranquei por dentro.


Deixa-me sentir o teu coração bater na palma da minha mão.
Prometo embalar-me em ti e acordar(te).




Pearl






segunda-feira, 21 de julho de 2014

Intrusão.




Eu estava sentada sobre o meu trono "sozinha" com
os meus fantasmas, monstros, anseios e desejos.
Entusiasmada com o sossego do meu cenário.
Apreciando as conversas entre os meus convivas e,
o meu próprio argumento.


Não existe na minha mesa nenhuma cadeira vazia.
Não falta ninguém aqui.
E os muros são altos e os portões selados.
Eu reino no meu reino.
E, só sai  quem eu expulso
e entra quem eu convido.

Essa é a ordem.
A sagrada ordem do meu mundo,
que te atreveste a desrespeitar.
Diz-me quem foi que se levantou para tu te sentares?
Algum monstro, algum fantasma?
E o que trazes contigo?
Algum novo anseio, algum desejo?!
É que armas não vejo.
E tu vais precisar.

(já) Eu não preciso de nada...
A não ser de tempestades venenosas.
Os gritos dos meus monstros por vezes dilaceram-me a carne.
Poderiam morrer um pouco.
Eu não habito sozinha no meu mundo.
Eles alimentam-se das minhas angústias e frustrações.
Pequeno infante sucumbirás nas primeiras horas.

Aqui é tudo tão forte e tão intenso...
(mas) Deixo que permaneças temendo sempre por ti.
Temo que te tornes num destes fantasmas que já cá moram.
Eu não preciso de mais.
Eles consomem todos os meus recursos sem piedade.
Eles fazem-me companhia e estão sempre com fome.

Nem as muralhas mais altas me podem proteger
se o meu peito estiver exposto,
assim como eu não consigo expulsar-te
do inferno que teimas em querer ficar.

Eu permaneço sentada no meu trono,
e tu estás dentro do meu reino.
Eu observo-te apenas...
Oiço-te, tento perceber o porquê da tua intrusão.
Tento que te apercebas o quão frágil me pareces.
O risco de morte que corres.

Mas tu permaneces imbuído num desassossego e inquietude
que cala para já os meus hóspedes,
retirando-lhe as suas vozes.
A minha voz também permanece muda.
Deixando com que a melodia soe de forma quase límpida.






Pearl






domingo, 20 de julho de 2014

Lírica.




Queria eu ser a pele que te enxuga as lágrimas.
Os olhos onde pousas as mãos e descansas.

A melodia que se ouve é-me estranha
mas cada vez a ouço mais alta.

Uma música, um poema, uma dança?!
Não, somos só nós tagarelando.

A pele, as lágrimas, as mãos e os segredos...
E ainda mais uma guerra se decidires ir à luta.

A mão que segura a tua é forte e não arreda para parte nenhuma.

Mas nunca tu terás as armas necessárias meu pequeno infante,
porque eu mato tudo o que toco, sem sono possível nem redenção.

O meu poema apenas te servirá para te empurrar precipício abaixo
e, até te encontrares de novo terás apenas o consolo de eu ser (a)única.


Meu pequeno infante vai-te enquanto podes.
Um dia talvez não possas porque eu vou estar cravada na tua mente,
dançando nua nos teus sonhos enquanto te contorces de dor.

Não mergulhes aqui, não faças soar a tua música neste deserto,
apenas eu vou ouvir-te
mas não vou salvar-te.
Se o teu destino for morrer ás minhas mãos.
Será isso que farei.


Um dia a tua música terá morrido
e o meu poema será esquecido.






Pearl







sexta-feira, 18 de julho de 2014

Hostil.





Consigo sentir o teu hálito venenoso daqui,
os ruídos que se ouvem são dos teus olhos encharcados em becos mundanos.
Confesso que não gosto e, que sempre que me cheiras a isso... eu recuo.
Defendo-me assim desse contágio sem retorno.
Obrigas-me a desviar o olhar para que me desinfecte de ti.
Esqueço-me de vez em vez que foi sob a forma de Besta que te conheci
e, que é ai que tu resides, nesse estado de irritabilidade que tanto atrai como afasta.



Consigo sentir o pulsar das tuas veias nas mãos sempre que limpas a testa.
E olhas o infinito num profundo confronto contigo mesmo e a tua Existência.
Eu... observo a teu contorcionismo para no final te deixares cair numa malha sem resultado.



Deixa-te estar assim, onde tudo em tua volta morre
mas tu sobrevives a mais uma noite de hostilidades.


Tu e Tu
e eu aqui.










Pearl










terça-feira, 15 de julho de 2014

Interrogativa.




Que nunca achemos que temos tudo, porque não temos...
Reparo agora que tenho andado meia morta numa corrida desenfreada.
Acho que eu ao lado de qualquer outra energia sinto-me meia morta porque nunca é igual ou superior a mim. Acompanhar o meu passo pode ser extenuante, e logo desinteressante.
Percorrer a minha alma labiríntica pode ser algo impossível mas sem isso eu não me dou.

O meu traço mais forte eu tenho negligenciado, e hoje lendo palavras que também me inspiram a mim, fui relembrar-me de toda a paixão intempestiva que encerro na minha pele. Dos tempos idos onde tudo eram precipícios e ravinas tortuosas da paixão.

Então eu faço a pergunta: será que eu já não sou essa mulher também?!


Ou apenas permaneço na penumbra em espera?!


Em espera do quê?!









Pearl