Eu estava sentada sobre o meu trono "sozinha" com
os meus fantasmas, monstros, anseios e desejos.
Entusiasmada com o sossego do meu cenário.
Apreciando as conversas entre os meus convivas e,
o meu próprio argumento.
Não existe na minha mesa nenhuma cadeira vazia.
Não falta ninguém aqui.
E os muros são altos e os portões selados.
Eu reino no meu reino.
E, só sai quem eu expulso
e entra quem eu convido.
Essa é a ordem.
A sagrada ordem do meu mundo,
que te atreveste a desrespeitar.
Diz-me quem foi que se levantou para tu te sentares?
Algum monstro, algum fantasma?
E o que trazes contigo?
Algum novo anseio, algum desejo?!
É que armas não vejo.
E tu vais precisar.
(já) Eu não preciso de nada...
A não ser de tempestades venenosas.
Os gritos dos meus monstros por vezes dilaceram-me a carne.
Poderiam morrer um pouco.
Eu não habito sozinha no meu mundo.
Eles alimentam-se das minhas angústias e frustrações.
Pequeno infante sucumbirás nas primeiras horas.
Aqui é tudo tão forte e tão intenso...
(mas) Deixo que permaneças temendo sempre por ti.
Temo que te tornes num destes fantasmas que já cá moram.
Eu não preciso de mais.
Eles consomem todos os meus recursos sem piedade.
Eles fazem-me companhia e estão sempre com fome.
Nem as muralhas mais altas me podem proteger
se o meu peito estiver exposto,
assim como eu não consigo expulsar-te
do inferno que teimas em querer ficar.
Eu permaneço sentada no meu trono,
e tu estás dentro do meu reino.
Eu observo-te apenas...
Oiço-te, tento perceber o porquê da tua intrusão.
Tento que te apercebas o quão frágil me pareces.
O risco de
morte que corres.
Mas tu permaneces imbuído num desassossego e inquietude
que cala para já os meus hóspedes,
retirando-lhe as suas vozes.
A minha voz também permanece muda.
Deixando com que a melodia soe de forma quase límpida.
Pearl