Angústia do improvável.
Insónia, enjoo e vertigem.
A debilidade da condição humana ainda me corta a lucidez.
Digo para mim mesma:
"Fecha a porta e recolhe-te, está na tua hora!"
Não, não posso e acima de tudo não quero.
Deixo-me ficar na penumbra do meu trono.
Enquanto vozes dissidentes "aconselham" no meu destino.
O meu instinto é o de sobrevivência,
não me custa atacar para me proteger,
mas estão longe do meu parco alcance,
sendo eu um alvo fácil de abater.
"Se lhe entrares debaixo da pele, e atingires a sua corrente sanguínea para sempre estarás protegida."
Temo, a sério que temo por esta fase embrionária,
temo a falta de cuidado que existiu na confrontação.
Temo a fragilidade duma mente pueril...
A minha lâmina esteve sempre encostada à sua garganta
mas a minha mão encostada ao seu peito.
Posso sentir-lhe o hálito ansioso por provar o veneno.
A velocidade com que se curvou perante um dissidente
faz tremer o meu chão e atiça as minhas próprias vozes dissidentes.
Essas vivem em mim todos dias, alimentando-se de tudo o que está errado.
Vociferam verdades cruas e sangrentas, expondo todas as minhas falhas.
"Deixa a página em branco, esta música não é a tua."
No entanto já muito se escreveu
e
já muito se ouviu.
A minha lâmina está pousada no meu colo.
A melodia que quase morreu, toca.
E eu escrevo.
Detida na tua observação,
cepticamente calo os meus dissidentes.
Deixando que cresças.
Pearl




















