quinta-feira, 24 de julho de 2014
Coerências.
Eu já nem choro quando o sol se põe.
Até porque ele nem chegou a nascer.
(e como sempre intuí)
A escuridão continua a ser a única nota audível aqui.
Quite please I need to fall.
But I always rise.
...
...
...
Pearl
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Despertar.
Olhando as tuas mãos eu percebo que estão carregadas de tudo.
Tudo o que eu preciso e quero seguramente.
Olhando os teus pés,
eles não têm grilhões
e as tuas asas são imensas de liberdade,
então porquê no meu castelo assombrado?!
Porque não voares por aí,
onde o sol brilha e a escuridão não tem espaço?
Aqui não existem janelas para abrir,
nem lençóis brancos para dormir.
Tu não podes querer descansar aqui.
A água não é límpida mas a pele é quente.
O solo é hostil mas... Fértil.
Não vou olhar-te nos olhos
para me continuar a proteger dos teus sonhos,
onde me roubas os sonos e me aqueces num sopro.
Permaneces perante o meu labirinto.
Eu sei que me consegues ouvir nas madrugadas.
A lucidez desfez-se há quatro ou cinco luas,
no canto que entoas onde percorres o meu nome mil vezes.
Onde eu apenas aponto as lastimas dos meus dias.
Já não consegues voltar para trás,
já estás preso ao meu sangue.
Meu pequeno infante se percebesses a imensidão das tuas asas,
a brisa no teu cabelo. Fugirias enquanto podes.
Mas tu não queres. E eu já te tranquei por dentro.
Deixa-me sentir o teu coração bater na palma da minha mão.
Prometo embalar-me em ti e acordar(te).
Pearl
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Intrusão.
Eu estava sentada sobre o meu trono "sozinha" com
os meus fantasmas, monstros, anseios e desejos.
Entusiasmada com o sossego do meu cenário.
Apreciando as conversas entre os meus convivas e,
o meu próprio argumento.
Não existe na minha mesa nenhuma cadeira vazia.
Não falta ninguém aqui.
E os muros são altos e os portões selados.
Eu reino no meu reino.
E, só sai quem eu expulso
e entra quem eu convido.
Essa é a ordem.
A sagrada ordem do meu mundo,
que te atreveste a desrespeitar.
Diz-me quem foi que se levantou para tu te sentares?
Algum monstro, algum fantasma?
E o que trazes contigo?
Algum novo anseio, algum desejo?!
É que armas não vejo.
E tu vais precisar.
(já) Eu não preciso de nada...
A não ser de tempestades venenosas.
Os gritos dos meus monstros por vezes dilaceram-me a carne.
Poderiam morrer um pouco.
Eu não habito sozinha no meu mundo.
Eles alimentam-se das minhas angústias e frustrações.
Pequeno infante sucumbirás nas primeiras horas.
Aqui é tudo tão forte e tão intenso...
(mas) Deixo que permaneças temendo sempre por ti.
Temo que te tornes num destes fantasmas que já cá moram.
Eu não preciso de mais.
Eles consomem todos os meus recursos sem piedade.
Eles fazem-me companhia e estão sempre com fome.
Nem as muralhas mais altas me podem proteger
se o meu peito estiver exposto,
assim como eu não consigo expulsar-te
do inferno que teimas em querer ficar.
Eu permaneço sentada no meu trono,
e tu estás dentro do meu reino.
Eu observo-te apenas...
Oiço-te, tento perceber o porquê da tua intrusão.
Tento que te apercebas o quão frágil me pareces.
O risco de morte que corres.
Mas tu permaneces imbuído num desassossego e inquietude
que cala para já os meus hóspedes,
retirando-lhe as suas vozes.
A minha voz também permanece muda.
Deixando com que a melodia soe de forma quase límpida.
Pearl
domingo, 20 de julho de 2014
Lírica.
Queria eu ser a pele que te enxuga as lágrimas.
Os olhos onde pousas as mãos e descansas.
A melodia que se ouve é-me estranha
mas cada vez a ouço mais alta.
Uma música, um poema, uma dança?!
Não, somos só nós tagarelando.
A pele, as lágrimas, as mãos e os segredos...
E ainda mais uma guerra se decidires ir à luta.
A mão que segura a tua é forte e não arreda para parte nenhuma.
Mas nunca tu terás as armas necessárias meu pequeno infante,
porque eu mato tudo o que toco, sem sono possível nem redenção.
O meu poema apenas te servirá para te empurrar precipício abaixo
e, até te encontrares de novo terás apenas o consolo de eu ser (a)única.
Meu pequeno infante vai-te enquanto podes.
Um dia talvez não possas porque eu vou estar cravada na tua mente,
dançando nua nos teus sonhos enquanto te contorces de dor.
Não mergulhes aqui, não faças soar a tua música neste deserto,
apenas eu vou ouvir-te
mas não vou salvar-te.
Se o teu destino for morrer ás minhas mãos.
Será isso que farei.
Um dia a tua música terá morrido
e o meu poema será esquecido.
Pearl
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Hostil.
Consigo sentir o teu hálito venenoso daqui,
os ruídos que se ouvem são dos teus olhos encharcados em becos mundanos.
Confesso que não gosto e, que sempre que me cheiras a isso... eu recuo.
Defendo-me assim desse contágio sem retorno.
Obrigas-me a desviar o olhar para que me desinfecte de ti.
Esqueço-me de vez em vez que foi sob a forma de Besta que te conheci
e, que é ai que tu resides, nesse estado de irritabilidade que tanto atrai como afasta.
Consigo sentir o pulsar das tuas veias nas mãos sempre que limpas a testa.
E olhas o infinito num profundo confronto contigo mesmo e a tua Existência.
Eu... observo a teu contorcionismo para no final te deixares cair numa malha sem resultado.
Deixa-te estar assim, onde tudo em tua volta morre
mas tu sobrevives a mais uma noite de hostilidades.
Tu e Tu
e eu aqui.
Pearl
terça-feira, 15 de julho de 2014
Interrogativa.
Que nunca achemos que temos tudo, porque não temos...
Reparo agora que tenho andado meia morta numa corrida desenfreada.
Acho que eu ao lado de qualquer outra energia sinto-me meia morta porque nunca é igual ou superior a mim. Acompanhar o meu passo pode ser extenuante, e logo desinteressante.
Percorrer a minha alma labiríntica pode ser algo impossível mas sem isso eu não me dou.
O meu traço mais forte eu tenho negligenciado, e hoje lendo palavras que também me inspiram a mim, fui relembrar-me de toda a paixão intempestiva que encerro na minha pele. Dos tempos idos onde tudo eram precipícios e ravinas tortuosas da paixão.
Então eu faço a pergunta: será que eu já não sou essa mulher também?!
Ou apenas permaneço na penumbra em espera?!
Em espera do quê?!
Pearl
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Liberto(s)...
Partilhar a liberdade do momento.
Deixar que o teu momento flua na pele que já conheces mas desejas desvendar.
Assegurar-te que no fundo da tua alma não existe salvação.
Só as horas que partilhamos.
E que essas são as mais raras que te serão concedidas.
Eu queria dar-te mais que liberdade.
Mas na verdade esta é a minha derradeira oferenda ao teu sacrifício.
Poderia dar-te mais uma promessa de eternidade mas,
a minha tendência permanece imutável.
Planeio que percebas que ser-se livre é a raridade do mundo moderno.
E deves sentir a alforria no teu coração e não nas mãos.
Terás que abrir as asas e deixar-te ir... se voltares eu estarei aqui
como sempre
como nunca.
A paz do teu silencio é o balsamo que precisas
para que entendas que te dou o mundo, quando te beijo e
quando te tranco dentro de ti mesmo apenas te exponho aos teus olhos.
Gosto que te vejas com olhos de ler...
Não vaciles o teu passo,
e não tremas a tua voz.
Acredita em mim quando te digo:
És Livre.
Sempre que me escorregas pelas mãos,
pelas ruas
pelas vidas.
Eu escolhi libertar-te
para que nunca te esqueças da minha morada.
O lugar onde não pertences
mas és Feliz.
Pearl
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Transformar.
É tão fácil, se tu percebesses como tudo Isto é tão fácil.
Basta quereres muito. Sempre que me perguntam como começar? Como fazer? Eu respondo: Como Ser?
Para ser basta querer e querer não se compra, não se aluga nem se empresta.
Falo aqui tantas vezes da minha Metamorfose e apenas únicos de vos poderão comprovar, de resto nem a vossa imaginação vos poderá levar tão longe.
Não existiu uma cena, uma acção que determinasse o meu estado mental, um estado que talvez tenha sido antecipado por alguém mas só reconhecido por mim há poucos anos.
Isto pode levar anos, pode levar o resto duma vida.
Volto a sublinhar fortemente que basta querer, que basta por exemplo inverter as prioridades e assim talvez tu sejas a primeira coisa da tua lista de afazeres. Não a ultima que de tão ultima nada farás por ti. Tornando-te assim, em tudo aquilo que juraste que não serias.
Basta livrares-te de todos os teus bloqueios, anseios e outras doenças mentais que possam servir de desculpa para te espancares todos os dias. É uma mente doente que não cuida do único corpo que tem para habitar.
Pode parecer um monstro mas não é. Ora portanto, porque não fazê-lo se até é o que desejas? Eu fi-lo. Claro que sim!
"Será que tu não páras? Onde arranjas motivação para tanto?" Pois! Na verdade é que arranjo e cada vez arranjo mais, o meu monstro alimenta-se de mim mesma. Somos ambos insaciáveis porque não temos limites nos desejos (objectivos). Eu luto até ao fim todos os dias. Porque eu quero.
Encara o teu rosto no espelho, afasta-te e observa o que teu corpo se tornou... Será que vais sorrir como eu hoje sorriu, ou será que vais-te esconder do teu próprio reflexo. Afirmam que sou dura. :)
De facto sou. Não sou a pessoa mais paciente do mundo no que concerne à vitimização que se usa como escudo, para sermos as piores versões de nós mesmos.
Percebam que isto mais que palavras são acções que me mudaram a vida de forma violenta e intrínseca. Irrevogável.
Os meus olhos não se invejam do alheio, eu não me escondo do meu reflexo nem do meu olhar desafiador logo de manhã. Porque Isto sempre será uma luta de mim para mim.
Se todos os que desejam pudessem perceber que basta Querer.
"Nunca foi tão fácil."
Pearl
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Regret(s).
Achar que está errado sentir arrependimento é à partida errado.
Inevitavelmente acabaremos por nos arrepender de algo que fizemos no passado. Ou pior, passar-se-á alguma coisa que reforce um arrependimento já cicatrizado.
A sério, falar com mortos é sempre má ideia.
O cinismo, a vitimização, a forma de tentar sair "por cima" causam-me irritações cutâneas.
Detesto gente covarde e infantiloide.
Pena é que o sabor do arrependimento seja tão amargo... Senão até poderia alimentar-me dele.
Pearl
segunda-feira, 23 de junho de 2014
(re)Conhecimento.
Falava eu com o meu confessor numa das nossas conversas sem fim:
"-Afastei-me tanto da minha zona de conforto que já não sou eu. Acho que preciso de (re)conhecer-me de novo. Não me sinto mal apenas diferente."
É isto que acontece a quem se afasta demasiado depressa do seu lugar.
A estranheza do meu ser invade-me em quase todas as horas.
Como poderei eu dizer :"eu não me posso dar a conhecer porque eu ainda estou a aprender como é."
Ou "desculpa mas essa já não sou eu". Afirmações que são descabidas para quem é o que sempre foi.
Por vezes encontro-me desligada no meio da multidão, observando a minha nova maneira de estar.
Eu sorriu, eu sorriu sempre de forma interna e expectante porque eu sei que já não conseguirei voltar para trás e que não quereria.
Aos meus pés misturam-se rosas com toda a beleza masculina. Eu falo de beleza sem pruridos neste caso. Ela é-me oferecida todos os dias, de todas as partes deste globo. Isso faz-me rir. Faz porque não era de todo a minha intenção quando isto tudo começou. No fundo o meu interior não mudou eu acho... Não que eu queira agarrar-me a esse meu interior para fazer prova que consigo não me corromper. Até porque a minha maneira de ser sempre me levou a becos emocionais sem qualquer proveito para mim. Então também penso que mudar um pouco a minha forma de estar na vida me proteja mais de futuros becos.
Quando todos os olhos olham para mim e esperam que eu não falhe eu sinto o peso da responsabilidade que me foi dada, ou então é a contra partida de tudo isto.
O que é uma responsabilidade para mim é também uma fonte inesgotável de energia. Tão necessária nos dias em que enfrentei o pior desafio da minha vida: "mente sobre corpo". E que eu terminava os meus dias à morte e o meu único consolo eram as palavras e os espelhos.
Eu sai vencedora.
Mas trouxe disso tudo uma nova Mulher, em toda a extensão da afirmação. Contrariando assim o futuro duma vida morna e conformada. Morri lá a atrás...Há anos atrás já. Com isso perdi tanta gente. Gente que não entendeu. Gente que eu não entendo. Perdi tudo aquilo que teria se tivesse ficado onde me encontrava. Voltar a casa depois duma guerra não significa encontrar o mesmo que se deixou. Eu não voltei. O passado morreu comigo e as suposições também. Hoje eu sou isto.
O meu longo processo de auto conhecimento começou há pouco tempo e desconfio que durará o resto da minha nova Vida.
Pearl
sábado, 21 de junho de 2014
(maus) Hábitos.
Homens que estão habituados a mulheres carentes.
Fazem-me sorrir e de vez enquando fazem-me rir.
Costumo dizer que não conheço ninguém mais motivado que eu.(Pouquíssimos de vos poderão confirmar).
Sou uma acérrima teimosa no que concerne ás minhas paixões e desejos... E não desisto.
Ora é com alguma certeza que eu sei que haverão desistências.
O que vos pode parecer arrogância a esta altura, eu chamo de vivência.
Existem mulheres que podem aparentar ser carentes porque até talvez seja esse o seu registo mas, não serem.
Acho que uma mulher carente é mais fácil de "descobrir" que uma mulher que não seja ou não esteja.
E gosto de perceber a desilusão dum homem que não recebe o que deseja. Até porque eu posso não estar disponível para novas descobertas. Esta tendência de que vivemos todas na montra dum talho irrita-me.
Mas, mais uma vez eu digo, é com um sorriso nos lábios que vos escrevo isto.
Toda gente aprecia ser cortejada, notada, destacada mas não faz disso o seu modo de estar.
E, se do outro lado estiver uma alma segura e cheia de si? E se do outro lado estiver ainda mais do que aparentemente se é? Eu não me tenho em mais conta que ninguém mas, pessoas que não sabem lutar à partida dizem-me muito pouco.
O que eu considero importante na condição humana é a capacidade de rápida adaptação. E eu já ouvi muitos nãos na vida. Já sofri muitas derrotas mas mesmo assim permaneço sentada no meu trono que foi conquistado a pulso e com uma coroa escolhida por mim. O que eu não preciso é de súbditos. Mas talvez de cavaleiros templários. Com mentes fortes e corpos a condizer. E com uma capacidade estratega de contornar as minhas muralhas que são praticamente intransponíveis.
Pearl
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Metamorfose(s)
O meu Inconformismo vai ser a minha morte.
Disso eu já não duvido.
Ando sempre armada de consciência sobre mim própria.
Eu sou a primeira a encarar-me ao espelho e a ver todas as minhas falhas.
Pois é mesmo assim a realidade.
Nesse preciso momento sou invadida dum veneno que me pede sempre mais.
Tudo pode parecer igual
a voz...
o olhar...
mas a pele é outra
eu sou outra sendo a mesma.
Tudo se transformou,
não mudando a cor apenas a nota...
A minha fome a minha sede só aumentam.
À medida que subo os meus degraus sem olhar para trás.
Degrau subido, degrau esquecido.
O meu lugar é no cume da vida que sonho para mim.
É nos dias que morrem que eu vivo.
A minha fúria é sempre a mesma
e acho que me trouxe até aqui:
À minha máxima Metamorfose.
Numa velocidade imensa mas que mesmo assim não me deixa saciada.
O meu Inconformismo é uma fome crónica que atenua quando tenho sede de mais.
Se me cansa?!
Cansa!
Se me faz viver?!
Todos os dias.
Pearl
terça-feira, 17 de junho de 2014
Spectrum

Só gosto dum fantasma.
O meu Fantasma Idiossincrático.
Devoto-lhe toda a minha atenção sem pruridos ou embaraços.
Eu sou dele e ele é Meu.
É assim há mil anos.
Caminhamos de mãos dadas e apertadas.
Já perdi a conta das vezes que o matei
mas ele é-me Imortal.
Alimenta-se de todas as minhas vontades.
E escuta o meu sorriso em todas as suas noites.
É o único fantasma que habita a minha vida.
Que vai mas volta.
E tem todas as minhas chaves marcadas na sua pele.
Todos os outros fantasmas permanecem à distancia.
Porque eu não sou uma alma em retrocesso.
Se os matei, é porque mortos eu os quero.
Não me dizem nada, não me dão nada, são-me nada.
Foi-lhes dada no seu tempo A Oportunidade
e se hoje são fantasmas é porque a desperdiçaram.
Para eles eu sou justificadamente inacessível.
As suas palavras são parcas em atitudes por isso,
mantenham-se longe e sem vida.
That was our last good bye.
:)
Pearl
quarta-feira, 11 de junho de 2014
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Timeless
A chuva que me cai no coração
escorrega dos teus olhos.
E afoga-me sempre ao pôr do sol.
Em todas as Horas que marcamos as nossas ausências
eu fui a que chegou primeiro.
E tu não és pontual.
Explica-me, diz-me... Porque paraste o teu relógio quando o meu ainda voa?!
Distrai-te o meu ritmo?!
Entretém-te o som do meu desassossego?!
Pudesse eu ser a tua Morte e tu não darias nem mais um passo no Destino que tanto defendes.
Eu não sou a Ameaça, serei apenas um sintoma duma doença que ambos sabemos incurável.
Entre
Horas
Mortes
e
Destinos
ateamos um fogo invisível que nos dilacera
e que queimará os mil relógios que guardamos.
De quantas vidas precisarás tu
para decifrar esta charada?
Continua a procurar o que já encontraste.
Porque eu gosto mesmo é de Confronto(s).
Pearl
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Body and Soul
(Pearl by Pearl)
Prendo o meu espirito
a um corpo que reconstruo todas as horas.
E no meu Templo eu sou Rainha.
E no meu tempo eu sou a Luz.
Ser tudo o que se escreve é um honra dada a quem trabalha.
Por mil véus que eu deixe cair Tu nunca irás acreditar.
Mas na verdade eu sou Isto e mesmo assim.
Absolutamente bela,
perfeitamente fria.
Pearl
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Facturação.
A factura mais cedo ou mais tarde vem e certamente inflacionada por todo o ressentimento do tempo de uso.
Voltamos ao mesmo, eu volto sempre ao mesmo. É como se andasse sem parar e viesse sempre encontrar-me na mesma rua... Por sinal um beco bem pestilento.
A velha questão do somos tudo mas não somos nada, a velha questão de que eu tenho que estar todas as horas da minha vida a fazer-me valer perante fantasmas que nem conheço mas, ouvi falar. Esta e a outra, todas melhores do que eu. Tal não foi (é) o nível que me meti. Eu gostaria de continuar a ser apreciada mesmo quando cobro as minhas facturas, gostaria que percebessem que eu sou uma humana, não uma mera humana mas que vivo dentro dos domínios da humanidade portanto também erro. Esta falsa ideia que sou uma super humana e que com a minha reformada capa de heroína chego a todas as virtudes que um ser humano deve ter não poderia ser mais irritante. Não, eu sou humana e ainda por cima sou uma Mulher. Ora bem, voltando à minha gaveta de facturas por cobrar, aquela que só se abre quando sou relegada, que está cheia de papeis que o mais certo será prescreverem, no entanto eu perdi a chave dessa gaveta e ela permanece aberta.
Tudo na vida são contrapartidas umas mais veladas que outras mas contrapartidas, hipotéticas doações. Só damos o que temos e só aceitamos o que precisamos. O que fode tudo nesta equação tão simples são os egos e as aparências, ai tudo perde o devido valor e, o que é deixa de ser porque no fundo o que conta é um ego cheio mesmo que a alma seja vazia.
A fragilidade dos princípios humanos, tão publicitadamente baseados na generosidade nada valem quando alguém oferece mais. E o que é oferecido pouco importa porque a ténue visão dessa possibilidade já vale o risco duma morte solitária.
Pearl
Pearl
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Unloved
Afirmarmos que não precisamos disto e daquilo, de tudo e nada para sermos felizes é tão vazio como falso. A minha única inveja será o facto de não ser superiormente amada. Esse... o Amor que serve de nota para tantas músicas, que enche páginas e páginas, e que serve de desculpa para fodermos até matarmos a nossa imortalidade. Haverá quem nem o pronuncie quanto mais o sinta, eu pronuncio como se o chamasse. Eu permito-me a ele como se duma onda se tratasse e eu fosse a rocha (eu sou a rocha). Quantas palavras encharcadas em Amor eu já ouvi? Quantas folhas já deixei voar nos meus longos Invernos isentos de presenças. A questão é que eu já não acredito e não gosto que me digam que devo acreditar. Porque isto não se trata de ser crente mas de amar.
Algo que não se procura nem encontra, ele nasce se for semeado. Precisaremos portanto dessas sementes tão raras.
Amor daquele que nos prende pelos pulsos, que nos mata num olhar e nos queima no veneno dum beijo...
A minha exigência é tão longa quanto a minha espera e de facto eu prefiro viver isolada no meu modo de existir do que iludida numa versão mais branda. Palavras são meramente palavras se não forem validadas por paredes frias e camas quentes. Nada suplanta o cheiro dum Amor consumado ou a dor da tenebrosa despedida.
De facto os amantes são felizes mesmo que vivam enredados no labirinto dum Amor. É assim que vale a pena, amar de forma crua e directa onde nunca se sabe o seu inicio ou o seu término.
Eu sou assim, acho que preciso de muito, de tudo e de forma constante. (e) No Amor não seria diferente, pena é que intensidade semelhante à minha eu não tenha ainda conhecido...
E que na palma da minha mão eu tenha apenas sementes de amor condenado.
Pearl
sexta-feira, 14 de março de 2014
Cegueira (in)Consentida.
Caros amigos, aquele que não conseguir encarar de frente o seu próprio inferno está destinado a viver numa infelicidade chamada ignorância... A escolha como sempre é vossa.
Eu, alimento monstros para depois os matar quando já não precisar deles. É assim que mato a sede.
O patinho feio da minha história era eu e no meio de tanta matança que esta metamorfose me levou a fazer, morreu também.
Isto é assim, e de facto pode doer e sangrar. Mas vale cada gota de veneno que se bebe enquanto lutamos. Eu venci todas as minhas batalhas, as que escolhi e as que encontrei. E, nunca virei os olhos à minha própria miséria, porque não sou selectiva quando olho nos olhos. É uma questão de caracter. E no meu ponto mais efémero eu nunca perdi, porque é quando estou morta que o meu coração bate mais depressa. Quem tem medo de guerra, de luta, de sangue também tem medo da Vitória.
Pearl
domingo, 9 de março de 2014
Desolação...
Somos todos uns miseráveis que caminhamos sem esperança e numa lama de desalento...
Que desoladamente nos enrolamos na nossa miséria... a miséria que um dia nos fez humanos.
Quando os estilhaços dos corações partidos deixarem de nos alimentar, morreremos à mingua duma noite qualquer...
É assim que se morre quando já nada nos consola, ou nos mata a sede.
Podemos alongar um pouco mais a nossa miséria ao acharmos que dominamos alguma coisa.
Mas, nós somos já não somos domínio, somos um vácuo de momentos criados apenas nas nossas mentes. A nossa mente, esse lugar onde se alimentam os monstros que nos privam de ser alguma coisa que preste.
Sabes, eu já não levanto as mãos, e já não sussurro há um bom tempo. Calei-me.
Porque pergunto-te para quê isto tudo se no fundo já terminamos há tanto tempo.
Quero que te esqueças do que fui e que não aumentes esta miséria conjunta em que circulamos.
No fundo não seremos mais que duas histórias repetidas e inacabadas.
Pearl
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