A factura mais cedo ou mais tarde vem e certamente inflacionada por todo o ressentimento do tempo de uso.
Voltamos ao mesmo, eu volto sempre ao mesmo. É como se andasse sem parar e viesse sempre encontrar-me na mesma rua... Por sinal um beco bem pestilento.
A velha questão do somos tudo mas não somos nada, a velha questão de que eu tenho que estar todas as horas da minha vida a fazer-me valer perante fantasmas que nem conheço mas, ouvi falar. Esta e a outra, todas melhores do que eu. Tal não foi (é) o nível que me meti. Eu gostaria de continuar a ser apreciada mesmo quando cobro as minhas facturas, gostaria que percebessem que eu sou uma humana, não uma mera humana mas que vivo dentro dos domínios da humanidade portanto também erro. Esta falsa ideia que sou uma super humana e que com a minha reformada capa de heroína chego a todas as virtudes que um ser humano deve ter não poderia ser mais irritante. Não, eu sou humana e ainda por cima sou uma Mulher. Ora bem, voltando à minha gaveta de facturas por cobrar, aquela que só se abre quando sou relegada, que está cheia de papeis que o mais certo será prescreverem, no entanto eu perdi a chave dessa gaveta e ela permanece aberta.
Tudo na vida são contrapartidas umas mais veladas que outras mas contrapartidas, hipotéticas doações. Só damos o que temos e só aceitamos o que precisamos. O que fode tudo nesta equação tão simples são os egos e as aparências, ai tudo perde o devido valor e, o que é deixa de ser porque no fundo o que conta é um ego cheio mesmo que a alma seja vazia.
A fragilidade dos princípios humanos, tão publicitadamente baseados na generosidade nada valem quando alguém oferece mais. E o que é oferecido pouco importa porque a ténue visão dessa possibilidade já vale o risco duma morte solitária.
Pearl
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