Somos todos uns miseráveis que caminhamos sem esperança e numa lama de desalento...
Que desoladamente nos enrolamos na nossa miséria... a miséria que um dia nos fez humanos.
Quando os estilhaços dos corações partidos deixarem de nos alimentar, morreremos à mingua duma noite qualquer...
É assim que se morre quando já nada nos consola, ou nos mata a sede.
Podemos alongar um pouco mais a nossa miséria ao acharmos que dominamos alguma coisa.
Mas, nós somos já não somos domínio, somos um vácuo de momentos criados apenas nas nossas mentes. A nossa mente, esse lugar onde se alimentam os monstros que nos privam de ser alguma coisa que preste.
Sabes, eu já não levanto as mãos, e já não sussurro há um bom tempo. Calei-me.
Porque pergunto-te para quê isto tudo se no fundo já terminamos há tanto tempo.
Quero que te esqueças do que fui e que não aumentes esta miséria conjunta em que circulamos.
No fundo não seremos mais que duas histórias repetidas e inacabadas.
Pearl




















