(Pearl by Pearl)
Porque é que eu não consigo dizer-te adeus
sempre que te afogas nas ondas do meu corpo?
A razão foi totalmente sepultada ainda que meio moribunda.
Só faria sentido se a enterrasse viva.
Compreendes? Não compreendes?
Que se fechares a porta atrás de Ti
restar-te-à apenas o teu eu.
Cinzento, tolhido, caóticamente dormente.
Até ao fim de sabe-se lá do quê...
Não existe nada na minha frente
nada, porque tudo foi deixado lá atrás quando decidi ser eu a caminhar.
A ser aquilo que pretendo ainda ser.
Então... sempre que deixas o teu rumor em mim
eu morro numa vida que não me contempla.
Ser e viver são coisas distintas mas obrigatórias.
Sempre que eu fecho as minhas mãos junto ao meu peito
tenho a certeza que sou o que desejo
mas vivo a contra-relógio.
Mas Tu moras estranhamente nas minhas ondas.
Onde nos molhamos e renascemos.
Derrota não nos assiste.
Por mais desertos que tenhamos que correr.
Eu serei sempre o teu mar
e tu o meu náufrago.
Pearl