Tu jazes adormecido no mundo que fizemos nosso. Eu levantei-me e semicerro a luz que incide invasora nos teus olhos fechados, pelo sono que te impus. Quero que durmas um pouco mais. Quero confirmar que a vida ou morte te deram a mim. Esse é o verdadeiro milagre. Ter-te.
Sento-me nua no cadeirão e olho para o meus pés... Sorriu... Posso quase sentir todas as vezes que os beijaste, que percorreste as minhas pernas com a tua impressão digital. Eu sento-me sempre assim, joelhos meio para dentro, fechando-me um pouco. Porque nunca me esqueço o que Epicuro me diz todos os dias: " Faz tudo como se alguém te contemplasse". Quase que poderia acreditar que me fodeste como se fosses soberbamente contemplado pelos deuses.
Detenho-me nas tuas veias envenenadas pelo meu beijo, que dilataram todas as vezes que me envenenaste a mim. Eu sou a bela e tu o monstro. Mas, eu sou o monstro cada vez que te persigo e te caço.
A tua pele macia, incrivelmente máscula que dorme sob o meu olhar atento. Sabes que não precisas mexer-te um passo para me violares os sentidos. Fatalmente (mas cinicamente glorioso) o que se segue after us, it's nothing. Portanto deixemos-nos ficar por aqui nesta mortandade consentida e estritamente perfeita...
Finalmente ergo-me e dirijo-me para a banheira. Enquanto me encaminho sem deixar de te fixar. Só paro de te olhar, quando vejo meu reflexo no espelho. Que denuncia a minha própria exaltação a Ti. Os meus lábios revelam que me doei sem restrições. As minhas olheiras denunciam a noite não dormida. O meu sorriso está amplamente desenhado. E o brilho dos meus olhos finalmente interrompem o teu descanso....
Pearl

















