Transparente é a água com que me banhas o corpo,
quente, como gosto, a deixar rubor na minha alma.
Não preciso de ver, quando o que se apresenta é tão óbvio.
Não preciso duma imagem
quando já sei em que linhas me prendo.
Transparente como o meu olhar
cheio de códigos decifrados por ti.
Sim... a melancolia que ouves é minha.
A dor que advinhas é sentida também por mim.
Sou isso tudo e muito mais.
Nessa nudez conseguida através das mãos que se dão
e espíritos que já se conhecem,
eu caminho de costas erguidas.
Deixo ao critério da tua maneira de ser
o caminho de volta a mim...
Eu estou etérea, desprovida de racionalidades impostas.
À beira do meu abismo,
e tu tens o conhecimento que é assim que eu preciso de mim.
Consegues ver-me através dos tempos
o que fui, sou e serei.
Esse é o teu plano: a minha transparência no desenho do teu lápis.
Desenha-me, reinventa-me à luz dos nossos corpos,
não hesites nem te detenhas.
Porque tu já sabes:
Í'll follow you.
Translúcidamente eu te recebo nos meandros
dos meus sonhos e realidades.
Quando "apenas" tenho na minha intenção
a ambição de te envenenar
esta e outras vidas.
O punhal que pretendo cravar-te no peito
é merecidamente teu.
Usa-O.
Pearl