quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

NB47

NB47
SOMOS OS MAIORES.
OBRIGADA POR TUDO!

:)


Pearl

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Deixa(te)



Deixa ser fugaz
deixa que voe rápido e te rasgue a alma!
Deixa-te cair,
a vertigem é sublime
e tu merecedor da queda imortal dos sentidos roubados!
Não lutes e entrega-te,
essa derrota  será doce,
e eu concedo-te a redenção da liberdade ansiada!
Tu preso ao destino
dos que não se deixam levar na hora de partir!
Deixa que te deixes Ser
no tempo quebrado em horas alucinadas de embriaguez!
Vive-te aceleradamente
na pronúncia da palavra sentida!
Percorre-te em caminhos nocturnos
em que encontras a luz do dia seguinte!
Persegue o teu destino
com fome de seres mais em tudo.
Grita que eu ouvirei
aquela súplica contida no mar de amor
que se tornou tudo o que é teu.
Deixa que seja fugaz!
Deixa que eu deixo
que seja o final da tua paz.


Pearl

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Amada



Sempre que te abro a janela
tu sorris,
detens-te no meu olhar que nunca será teu.
Caminhas em chão seguro porque te seguro a alma
por fios de luz...tu sim és meu!
Meu como ar que me asfixia e atrai.
Que me prende e liberta.
Dás-me a tua mão e naquele segundo
assim como a flor é da borboleta
eu dou-me sem a reserva do depois...
A dádiva é breve como o toque do mundo num segundo parado.
Amar a amada é ser-se tudo e ter nada.
Minha breve melodia
minha doce melancolia,
deixa-te cair nas minhas asas e eu prometo dar-te a paz inquieta
do voo da tua vida,
a vida que me dás sempre que me persegues
sem acordo, perda e lucro fugaz.
És a minha teoria sem fundamento,
a música que prefiro ouvir.
O tom que me dá a luz,
enquanto amas a amada
e eu dou-te tudo
e tu obtens nada.


Pearl

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Silêncio


Eu conheço o grito do silêncio
a dança obscena que grita em mim
e me alimenta como a um sedento de tudo.
Eu sei como é a palavra inaudível
que julgas que tens na mão.
Sou eu , eu apenas eu, nesta mulher que pensas amar,
que pensas conhecer
e no entanto nem se revelando todos os segundos
consegues perceber(-la).
Não tens que o fazer
até porque eu sou língua estranha
de ser lida, muito menos interpretada.
Não me cures, não me sanes
porque apenas o meu silêncio
que é mais que consentido
me pode dar a sensação de melhoras.
Deixa o silêncio fluir-te nas veias
sem medo algum que te mate
e mesmo quando te parecer
que pereces
ele liberta-te
no momento em que te invade.
Inebria-te como numa sala vazia de ti mesmo,
embriaga-te não de mim que sou chuva,
mas de ti que és eterno.



Pearl

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Esvoaçar no Mundo


E eu hoje ganhei um par de asas, ganhas com muita determinação e louvor. Estou feliz porque consegui algo que sempre desejei mas nunca ousei ter e hoje tenho. E hoje é meu e ninguém me tira. Há dias que nos fazem ser mais do que estavamos destinados a ser, há momentos em que somos o que nunca imaginamos ser.
E eu?!...eu vou ali voar com as minhas asas novas e ver o mundo a outra velocidade.


Pearl

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Viva sim e a lutar muito... a tentar não sucumbir ao estado ansiólitico...o meu maior enimigo...




:)



Veremos...

Pearl

quarta-feira, 8 de junho de 2011

É, e as vezes vôo tão alto e tão longe que...consegui chegar a ti contra todas a possibilidades eu encontrei-te e reconheci-te...abri a tua porta e fiz-me convidada...                                                                                     :)


Pearl

domingo, 3 de abril de 2011

Ela


Sinto-lhe a falta, Ela sou eu só que num ângulo diferente.
Sinto-lhe falta da ironia .............. :)
das paixões que quase a matam mas Ela simplesmente é Imortal
de ser amada
e de ser muito odiada.
Mas acima de tudo
de ser muito desejada.
(ela não transmite o que não é)
É, sinto-lhe a falta
e as "faltas" colmatam-se.

observo-A ela é tão alta e tão linda absolutamente confiante e afiada...
cheira-La é absolutamente necessário
e senti-La é drásticamente venenoso.
Don't you  fuckin dare

(reclino-me e sorrio)

Pearl
(obviamente)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Batalha do Impulso

No meu peito existe uma batalha onde sou eu pereço, onde só eu estou armada...
Como é que se quebra algo que deseja a todo o custo ficar e crescer? Como é que se esteve a ponto de se tocar algo Maior e se perdeu sem motivo ou por não existir lugar nenhum! Quando os lugares se criam...
Eu não entendo e a minha racionalidade precisa entender para continuar, sou mesmo assim.
Jamais quis migalhas de alguém ou de alguma coisa, porque sou absoluta nos meus desejos e  porque quase nunca desejo.  
Poderia articular todos os argumentos, estender as metaforas como  algodão e pintar toda a cena de condescendência mas não seria eu , porque também sou fria, fria como tudo o que se pode imaginar...não orgulhosa ou teimosa...fria. Porque ser fria também me salva de situações que não preciso de viver.
(e eu) Não preciso disto mas quero isto. É perigoso querer ao ponto de se ficar à espera dum único sinal de alguma coisa. É perigosa a vulnerabilidade... de tudo isto, que tem um nome que eu  nem o vou digitar.
Porque admitir é algo que só faço em segurança e calo, calo, todos dias calo porque estou devotada ao silencio.
E no silencio não há prejuízo, apenas o que não foi dito e quando já não nada a ser dito, nada se perdeu.
Eu sou organização, eu sou mente atlética e em mim existe uma batalha.
A  batalha de não ouvir o impulso e permanecer na linha frente e deixar que a minha mente lute e o meu coração permaneça amordaçado.
Mentalmente sou uma guerreira
emocionalmente uma Mulher.


Pearl

quarta-feira, 30 de março de 2011

Damaged


But not broken


(...)


sexta-feira, 25 de março de 2011

Quereres e Poderes


A natureza torna-nos vulneráveis à nossa própria escolha de vida, o que se faz quando a velha vida nos impede de viver a possibilidade?! Permaneço quase quieta porque cessei todos os argumentos que me ilibem de qualquer atitude irracional, até porque a irracionalidade não faz parte da minha maneira de viver. E á custa de ser sempre racional deixei de me estender para mundos que adoraria ter voado.

A pergunta que fabrico é saber se não morrerás quando te tocar, se não sucumbirás a tudo aquilo que sou.
Porque sou de facto abrangente e territorial...
é simples respondo a mim mesma em mais um golo de café...pode não sucumbir mas pode assustar-se e recusar de forma final o "todo" que sou. Nada se desfragmenta atenção, por vezes até se adiciona mais a algo já im(t)enso.
O que quero e o que posso não estão ao mesmo nível... o que quero e quase inantigível e requer de mim um esforço enorme de forma a não envenena-lo eu mesma com tudo o que não controlo e nem posso fazê-lo.
O que posso marca-me os pulsos quando eu tento dançar e sair da sombra, quando eu tento ouvir qualquer coisa para além da agua turva que bate no cais ...e quanto eu mais tento mais morro. E quanto mais eu morro mais eu quero...é isso: quanto mais eu morro mais eu quero.
Quero, sem me esforçar a admiti-lo a mim mesma... todas as sombras que transporto não me prendem só, também me protegem do desmamenbramento da possibilidade, do meu sonho de estar hoje e agora a viver uma possibilidade de que querer é poder.
Sou demasiadamente inútil sem o sonho, sem o salvador, sem o final feliz. Sem o beijo perfeito na mente que desejas perto. Sim...é com um sorriso irónico que digo mais uma vez que sou exigente com as pessoas que quero e sou-o porque posso:) Nem os piores dias me fazem descer o meu nível de exigência, nem a visão turva das lágrimas me tira o censo critico e quase intolerante. E aqui que todos sucumbem de forma patética não aos meus pés porque aí eu já me afastei nada surpreendida. Isto é mesmo assim e nesse ponto não há heroís nem santos apenas eu que me revelo em mais um mergulho nesta maré que sou.
Exorcita-te digo eu a mim mesma. Exorciza-te e quebra-te porque a vida passa e tu continuas bela e inantigivel.
Nem mais, sou a intocável que se deixou tocar...não posso deixar de sorrir nesta conversa que tenho comigo própria e perceber que quase me divirto ao ver-me fora do meu caminho, não num desvio qualquer porque eu só me mexo por emoções nobres, não numa ponte porque eu quero chão de verdade...mas num caminho de pedra cheio de tropeços que eu fiz descalça por isso sei o quanto me custou enceta-lo.
E chego aqui ao fim desta conversa que mantive em mim ao longo destes minutos com um café ao lado, de portátil no colo e Hibryd de Elsiane a tocar. Para mais nenhuma conclusão.
Porque mortal já sei que sou,
exigente não deixarei de ser.
Que morrer faz-me querer e que isso me salva todos os dias também já é reconhecido.
Que estou tocada de forma muito visível na minha "intocabilidade" é consumado.
E que o querer apesar de ser poder eu ainda estou a uns patamares de alcançar essa frase tão linda e cheia de graça. Mas ...exequível.

Eu no meu melhor ...





Pearl

quinta-feira, 10 de março de 2011

............................

Não preciso do sono que me tiras
nem da fome que não sinto

I'm flying and I'm afraid of heights

Não preciso da sombra que se dissipou
nem do frio que já não gela

i rather fell you, then live this death

Não preciso do céu carregado de tempestade
nem da bruma que me condena

let me reach you
i promisse i ll keep you in my skin

...eu sou inocente
e apenas preciso do tempo dos tempos
para rasgar todas as tuas vidas...

Dark Angel of mine
your sweetness will be my poison

...................................



terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pré-execução

Há quem deva morrer à entrada da nossa vida.

sábado, 16 de outubro de 2010

Untitled (2)





(Monte Clérigo - Costa Vicentina
Foto de Pedro Noel da Luz)


O nós havia perecido mas eu continuava a respirar mesmo sem oxigénio, sentia-me completamente cheia de sequelas e mortificada.
Durante aqueles dias não houve ponta de raio de sol que entrasse em minha casa, agora era só minha...
Não houve ar puro que entrasse, ali exorcizei sem escolher os meus fantasmas. Desapareci, enlouqueci e não, não renasci porque a morte ainda durava.
Não tive outro remédio senão abrir a torneira da banheira enche-la de água bem quente e submergir, precisa lavar-me do tanto que tinha lutado para não sucumbir. A imagem no espelho não era a minha, era de uma completa estranha mas eu teria que me habituar à sua expressão, esta agora era eu. Limpei-me e vesti uns jeans e uma sweat e sentei-me na beira da cama ás escuras apesar de ser meio-dia e pressentir o sol lá fora, apesar de estarmos em Novembro. Procurei mesmo assim umas meias e calcei uns ténis, voltei-me a sentar...eu não tinha para onde ir, nem vontade de o fazer. Mergulhei os olhos nas mãos e travei as lágrimas  e inspirei numa ténue vontade de alguma coisa que não aquilo. Procurei uma mochila, e lá pus algumas roupas sem ordem alguma e preparei um necessaire, vesti um casaco quente.
E, finalmente ao fim daqueles dias abri a porta de casa, e fui praticamente ferida pela luz solar. Confesso que senti um baque, uma contrariedade em relação aquela luz toda incidida em mim, não a desejava. Porque talvez desejasse continuar na escuridão em que me deixaste.Tu...
Mas o vento esse cortou-me a camisola e atingiu-me a pele, o frio dava-me conforto, sentia-me em sintonia com o ambiente.
Meti-me no carro sem destino até que retornei à infância e aquela praia que tantas vezes foi berço de alegria e gargalhadas. Peguei no telemóvel e falei com a minha prima que sem muitas perguntas cedeu-me a casa que a mãe dela lá tem. Liguei a ignição e enfiei o primeiro CD que me veio á mão no leitor. Queria encher a minha cabeça de sons preencher-me de alguma forma. Ligar-me a alguma energia. Os quilómetros fizeram-se depressa demais. Assim que entrei na estrada que dá acesso à praia e ao casario sorri mentalmente fisicamente era impossível fazê-lo. Senti uma espécie de conforto à minha ansiedade mórbida dos últimos dias. Fiz a descida devagar e apreciei cada azul daquele mar, casa som da rebentação. Quando cheguei cá em baixo virei à segunda esquerda e lá estava a casa, igual ao que era antes, de facto o tempo por ali não passou. Nem uma marca de erosão. Apenas a calma apenas o cheiro a maresia e o constante frio que eu desconfiava que já fizesse parte de mim...
Aqui neste lugar estava só eu, eu nunca te trouxe cá, portanto aqui nós não fomos felizes aqui talvez eu não me achasse na situação de te encontrar em cada lembrança, aqui tu não existias e nem respiraste. Deste tempo tu não fizeste parte. Foi como retornar ao eu de outrora que eu sabia morto. Procurei a chave abria-a devagar...tão devagar que o vento acabou por abri-la de par em par. Tudo igual a dantes, tudo nos mesmos lugares, as cores meio antigas o chão tão caracteristico do passado vivido. A casa encontrava-se limpa e arejada que sorte a minha, talvez tivesse sido usada dias antes. Pousei a mochila e acendi a lareira porque o frio tinha-se elevado e eu já não sentia as extremidades, tal como não sentia o meu próprio coração a bater. Sentei-me no sofá enrrolada sobre mim mesma. Não me conseguia mexer e o turbilhão aproximava-se de novo, ele devorava-me sempre que a noite ameaçava. Nem resisti...mergulhei em lágrimas como foi hábito aqueles dias. Mentalmente declamava para mim algo que me escreveste e era assim em uma espécie de oração que eu adormecia:

Mulher minha
paixão exuberante
olhos de mel que queimam
e me torturam a alma.
Amor meu
que me encontrou
na deriva da vida anónima
mais um entre tantos.
Eu fui teu
doce Ser

que te tornaste minha.
Arrebatas-me todos os dias
e todos as noites eu morro
nos teus beijos
e nas tuas mãos.
Serena, colapso dos meus dias.
Dama, Senhora
do meu mundo
do meu reino
do meu Ser.
Teu, teu imensamente Teu.
****
meu doce amanhecer.

sábado, 11 de setembro de 2010

Untitled

A solitude do rio deixa-me absorta em pensamentos,
resvalo para acontecimentos labirinticos e sem sentido.
Anseio a paz perdida no momento em que saíste e não retornaste a mim.
Perdeu-se o nós e a bem aventurança dum futuro promissor.
A flor que plantaste naquela manhã de sol ainda vive,
assim como o que semeaste em mim.
Invade-me todos os dias em que acordo e tento respirar.
Posso achar que estás bem mas sem mim nunca estarás bem.
Somos do mesmo cunho, hora e imagem.
Somos do mesmo som, da mesma raiz.
A camisa permanece pendurada no roupeiro, branca incólume como tudo o que víamos.
Éramos a lucidez em estado bruto mas duma suavidade intemporal.
Sempre que venho aqui lembro-me de guardares a minha mão dentro das tuas e sussurrares entre um beijo mais que pedido que me amavas e irias estar comigo sempre.
Não foi a morte tão pouco que te levou, se tivesse sido talvez eu me tivesse resignado.
Foi a tua vontade que assim te levou numa manhã que se tornou noite para mim.
Nem olhaste para trás quando te perguntei como seria o futuro.
Apenas a frase "eu contigo...não tenho qualquer futuro!" e saíste a pé. Deixando-me a mim e a um castelo de cartas encardido...agora plenamente desfeito.
Nesse dia sai de casa em silencio e em ceguez, sai de carro até ao farol que tanta vez foi testemunha de todas as promessas guardadas e muito ansiadas.
Cumprimentei o guarda que não guardou nenhuma reserva em demonstrar-me que achava estranho eu estar ali sozinha...
Entrei apressada e cheia de frio, não só porque a partir do momento em que tudo se quebrou tornei-me gelo como estava muito vento. Notei que não estava vestida adquedamente para aquele dia. Mas a dormência dominou-me.
Ansiava uma dor bem maior que aquela, que me esventrasse a alma e me fizesse morrer ali naquele chão. Desejava uma queda rápida dentro dos mil abismos que se fomentaram  em mim. Nunca me sentira tão fraca e quebrada. Nem sei precisar o tempo que ali permaneci encostada à muralha a tentar ter coragem de me atirar. Perdi-me nos segundos, de toda a nossa vida. Mas o que mais me magoou foi saber que fosse a que horas fosse quando eu retornasse tu não irias lá estar.
Voltei porque a covardia tirou-me a opção mais indolor. Voltei tão devagar que demorei horas a chegar.
Desliguei a ignição e deixei-me ficar... Encostei a cabeça ao volante e deixei-me ficar no vazio, não sentia o frio da noite, absolutamente nada.
Quando meti a chave na porta já era nascer do sol. Lembro-me nitidamente de não pensar em nada, de me sentir a andar no vazio e sem qualquer sentimento que não fosse dó por mim mesma.
Entrei agora no meu quarto despojei-me da roupa gelada e deitei-me sobre a cama em posição fetal e não me recordo de grande coisa apartir dali...Perdi a noção das horas e até dos dias. Deixei de ser eu, eu sei que naquela altura soube que tudo aquilo me tinha tornado numa pessoa que até eu desconhecia, e que a desconstrução da minha vida seria algo que eu levaria muito tempo a suportar, encarar tão pouco. Não lutei contra a dor, não lutei contra o desespero que me alimentou naqueles dias. Apenas respirei como dificuldade perdendo para sempre o nosso nós. (e)O meu Eu.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Mim.


Já fui sonho
e quase que fui realidade,
já fui pesadelo
e hoje sou lividez.
Apenas o espectro do
que poderia ter sido.
Apenas as lágrimas secas se contabilizam.
Mas eu ainda sou vontade
e ansiedade de ser mais ainda.
As borboletas ainda residem
e o calor no peito também.
Respiro por me sentir eu de novo
porque quero a génesis do sonho.
A claridade que me inunda resulta da liberdade.
Reponho níveis de felicidade.
Queimo livros e respiro o seu ar
limpo a minha alma... que é replandescente na sua unicidade.
Cada pedra atirada
é um pilar construído
e eu sou uma torre
sentada no meu pedestal.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Farol

Comiseração é o motor da minha ausência
é o sentimento que me faz navegar para longe
uma distancia que eu não escolhi
mas previ.
Sou do sul, jamais do norte,
e por muito que seja fustigada
será sempre a sul que navego.
O frio que quase me gelou
ficou para trás,
o farol que me alumiou ainda brilha
mas eu já não vejo.
Não que os meus olhos se tenham fechado
não, que não queira ver,
talvez porque me ceguei numa onda mais forte.
Porque me naufraguei na crença que seria salva.
Mas não, a luz já lá não estava
e eu já não existia.
Extinguiste-me como espuma duma onda
como o som da gaivota.
E de todos os lugares que estive
foi em ti que me perdi
e ainda não me encontrei.
De todos os mares que naveguei
foi no teu que desaprendi a não ser eu.
Hoje eu sou navio
sem porto, nem lugar nem hora.

Do Farol eu já não sei.
E de mim vou à procura.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

exorcismo


Há medida que as notas do piano se elevam e os violinos me corroem os ouvidos, a minha caneta castiga a folha branca  no seu desnível.
Todas as palavras me assaltam a mente atrapalhando-me os dedos, que por esta hora já congelaram.
Sonhos, ilusões e decibéis se misturam fazendo com que volte a gesticular sentimentos.
Tudo se desfragmenta e alinha de novo na capacidade de se reconstruir...ai a influencia que é como uma doença contagiosa que não quero nem inflijo.
Não tem mal estar sozinha, não tem mal assumir a solidão se tanta vez me definiu como gente e até me trouxe estatuto e redenção. Claro que o meu sorriso é irónico apesar de detestar a ironia que por vezes me assalta o peito fazendo-me contrair na dor de me assumir nesta condição.
A melodia agora é leve e suave o que faz com que não corra tanto, não me engane tanto. Sou como sou, sem tirar nem pôr, gosto no entanto do que me acrescenta. Não tento, mas acontece que quero sempre mais. Que sou como algo que faz esvair até não haver mais para dar, eu que tudo o que toco se torna venenoso e inalcansável. É facto, já vi antes diante dos meus olhos incrédulos.
Sou paz e estou em paz, a melodia finalmente se dilui no meu corpo: a intensidade não se mede nas palavras mas no que sentimos quando as redigimos escondidos no nosso mundinho interior, onde não envergamos máscaras nem sabedorias patéticas. Só estou eu...nua e despida de tudo que se aprende sem querer.
O papel acabou apesar de ainda existir tinta e a música ir finalmente a meio.
As palavras conseguiram mais uma vez exorcizar-me. Pôr-me no lugar que quero estar. Aquele lugar onde mais conforto sinto e menos necessidades tenho.

terminou a música e eu rasgo o papel...guardando a caneta.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

:)


:) Deixe-me dizer-vos que por vezes não há nada que me faça falta. Porque tenho tudo.
Que por vezes sou mais feliz que nunca. Que tenho orgulho em mim por ser corajosa e que mesmo com medo não desisto.
Nunca desisti de nada, nunca... 


Quero tanto ser feliz, que só o próprio pensamento já me faz ser.


:))

segunda-feira, 5 de julho de 2010

(...)

Ninguém me conhece melhor que eu mesma...
os meus próprios sinais, a minha própria transparência que me denuncia sem censura.
Se o mais cego é aquele que não deseja ver então deixa-me permanecer na escuridão.
Tenho tudo a invocar mas também não vale a pena, para quê invocar coisas ás quais não tenho acesso.
Será que é isto? Será que na próxima esquina está o beco? Mas... no beco também pode residir a solução.
E a solução talvez me traga ainda uma maior transparência...Lucidez. Sinto-me a ficar lúcida, sinto a ressaca a vir e sinto muitas saudades também... Sinto, sinto, sinto...

(e era só para ser uma publicação com a primeira frase, mas quando o assunto sou eu em conversas comigo mesma, tenho que me mandar calar:) )