Comiseração é o motor da minha ausência
é o sentimento que me faz navegar para longe
uma distancia que eu não escolhi
mas previ.
Sou do sul, jamais do norte,
e por muito que seja fustigada
será sempre a sul que navego.
O frio que quase me gelou
ficou para trás,
o farol que me alumiou ainda brilha
mas eu já não vejo.
Não que os meus olhos se tenham fechado
não, que não queira ver,
talvez porque me ceguei numa onda mais forte.
Porque me naufraguei na crença que seria salva.
Mas não, a luz já lá não estava
e eu já não existia.
Extinguiste-me como espuma duma onda
como o som da gaivota.
E de todos os lugares que estive
foi em ti que me perdi
e ainda não me encontrei.
De todos os mares que naveguei
foi no teu que desaprendi a não ser eu.
Hoje eu sou navio
sem porto, nem lugar nem hora.
Do Farol eu já não sei.
E de mim vou à procura.


















