
Agora a frio...ou pelo menos mais morno... vejo-nos como dois miúdos. Em que tudo quiseram e com nada ficaram. O meu trauma permanece, a minha desilusão já parou de aumentar. Finalmente vou conseguindo arrumar a casa. Perdeu-se tanta coisa, tantos itens de valor inestimável, sou só eu nesta imensidão do meu ser. Por vezes reparo na solidão que se instala nesta minha casa como se dum fungo se tratasse e não posso pintar por cima, nem quero. É nela que me (re)construo. Amparada por tacos velhos de madeira que cheiram ao passado que já tenho.
Continuo sem entender, perscruto tudo ao mínimo detalhe. Qual o interruptor que me acendeu a desilusão? Qual o item que me feriu e eu não dei conta. Diz-me uma vez mais, eu ouvi mas o barulho do teu silencio cegou-me instrisecamente. Cansado-me profundamente o futuro de todos os meus anseios. Estragaste-me, instiguiste-me no que eu era e não consigo recuperar-me daquela forma. Onde é o meu lugar nesta casa que se arruma de forma já ordeira mas onde eu não me encaixo. Encerro-me nas palavras, porque elas entendem-me na perfeição e eu preciso delas para me fazer respirar este meu desassossego. Ajudam-me a subir os degraus duma recuperação que me exigiram rápida mas que não capaz de fazê-lo. Assumo fraquezas, assumo as piores memórias que me deste, essas as boas jazem num sótão esquecido e empoeirado. A chave guardo-a junto ao peito que me arrefece a pele. A aragem corre, lançado-me os cabelos à cara, cabelos que cresceram desgovernados num espelho que me garante a existência, eu estou lá reflectida por isso existo.O recheio da minha "casa" está organizado, ainda sem cor, ainda sem vida ou música. Existe sim, mas ainda devagar. Com ela cresceu esta armadura que me defende de emoções rasteiras e inseguras. Mas já está lá. Se será o que já foi, é um mistério. Pelo menos não estou à chuva. Nem ao frio. Estou abrigada...
















